quarta-feira, 28 de novembro de 2007

Leitura Terapeutica

Por Kleber Godoy

O texto de hoje é composto por uma notícia que achei muito interessante, criativa e extremamente importante: diminuir o sofrimento de pessoas hospitalizadas através da leitura. Acredito que será uma leitura agradável a você...



Hospitais serão obrigados a possuir mini biblioteca para pacientes

em 24HorasNews
10 outubro 2007

O ambiente insípido, a falta de coleguinhas e da própria casa, pode causar depressão em crianças e adolescentes que necessitam ficar internados por tempo indeterminado. Para amenizar um pouco este desconforto foi sancionada pelo governador do Estado Blairo Maggi no último dia 02 a lei 8718, que determina a implantação de mini-biblioteca pública ou banca de livros em hospitais públicos e ou conveniadas ao SUS para atender as crianças com doenças variadas.

O objetivo da lei é propiciar aos doentes que passam dias entediantes e desanimados e com um grande período de ansiedade, momentos de lazer, através da leitura e colaborando com o passar do tempo e consequentemente com sua melhora.Em sua justificativa quando apresentou o projeto de lei, o parlamentar mencionou que com a lei em vigor, os pacientes quanto às unidades de saúde terão ganhado tanto no campo preventivo, como no curativo, com a implantação das mini- bibliotecas, colaborando com um bom estado emocional, tratamento e cura desses pacientes.

Segundo o deputado Zé Domingos (DEM) autor da lei, o doente tendo que esperar e suportar o tratamento e sua recuperação vive um tempo diferente do relógio. O tempo psicológico do enfermo varia de situação para situação, de momento para momento e de indivíduo para indivíduo. Além disso, o acompanhante do mesmo modo tem preocupações causadas pelo temor da doença contraída pelo seu familiar, juntando-se ainda a ansiedade pelos negócios, afazeres, demais parentes e seu lar. “Acolher este paciente se tornar amigo dele, deixa-lo confiante e oferecer-lhe entretenimento e conforto psicológico também é um dever”, disse destacando ainda que “bom livros poderão dar esperança e encorajamento e ainda influenciarão no estado emocional do paciente. Isso porque quando somos motivados por sentimentos agradáveis e bons pensamentos usufruem de vantagens emocionais com possibilidade de aceitarmos melhor as horas de tédio e os momentos de ansiedade”.

A literatura que deverá ser implantada é de cunho infanto-juvenil e precisará ser capaz de minimizar o estado de tensão que envolve o paciente em tratamento de saúde e seus respectivos familiares. O empréstimo deve ser livre e gratuito e a organização dos serviços, normas, procedimentos e rotinas operacionais serão estudados com particularidade por cada unidade de saúde. Os livros poderão ser doados pela comunidade, grupos e patrocinadores.

Outro ponto que não está dentro da lei, mas o deputado salientou é que o hospital poderá implantar o sistema de carrinhos-biblioteca que acondicionam o acervo e percorrem pelas dependências dos hospitais usando de uma metodologia previamente estruturada pela equipe de monitores da instituição. O intuito é atrair o paciente para a leitura, pois este pode estar desanimado com as conseqüências da doença.

O importante destacou Zé Domingos é que cada instituição se prepare para este atendimento. “Sabemos que haverá um custo inicial para a implantação da mini-biblioteca, o que é uma preocupação fundamental, mas vale o custo–benefício. É um elemento menor quando o retorno gerar um bem maior.”, finalizou o parlamentar.

segunda-feira, 26 de novembro de 2007

Escolher ou ser escolhido por uma profissão?

Por Ana Paula Porto Noronha

Ultimamente tem-se ouvido falar bastante em escolha profissional e, nesta época do ano, especialmente, o tema fica ainda mais em evidência, considerando a aproximação com as provas de grandes universidades públicas. Gosto do tema, e inclusive, é sobre ele que venho me dedicando nos últimos dois anos. A orientação profissional é um processo complexo de tomada de decisão, que envolve fatores variados, dentre eles o autoconhecimento e o conhecimento das realidades profissionais. Neste particular, incomoda-me saber que apenas uma parcela muito pequena da população de jovens em idade de escolha, tem efetivamente a oportunidade de escolher. Os demais, ou seja, a maioria, nem sequer sonha em exercitar as atividades pensadas, já que com alguma sorte, são escolhidos pelo mercado de trabalho. Outros deles, nem escolhem, e nem são escolhidos. Tomando este problema social como referência, é que procurei apresentar o projeto de uma ONG que trabalha com aquela parcela mais carente da população. Com vocês, a ONG AMIGOS DO SABER!!!

É uma organização não governamental sem fins lucrativos, fundada por Debora Martins da Cunha em 2004, no Rio de Janeiro, com o objetivo de oferecer à população carente ferramentas para o crescimento intelectual e cultural, aliado com um intenso trabalho de combate a fome e a pobreza. Estes objetivos, estão pautados na nossa missão, princípios e valores:

Redução do índice de analfabetismo; Integração de seus membros ao trabalho comunitário; Celebração de convênios com entidades da sociedade para a realização de cursos e seminários para qualificar pessoas em face do avanço tecnológico; Promoção do desenvolvimento econômico social e combate à pobreza.

Princípios:

Contribuir para a inclusão social realizando ações educativas e atividades sociais sem discriminação de etnia, gênero, orientação sexual e religiosa, bem como a portadores de deficiência; Promover a solidariedade por meio da participação voluntária, estabelecendo a integração, o respeito e a cooperação internamente e junto aos públicos com os quais atuamos; Agir com ética e qualidade no cotidiano das nossas ações.
Qual carreira seguir? Você já está decidido? Especialistas dão dicas de como escolher a profissão com tranquilidade

Já estamos no quase no segundo semestre, época de vestibular. Você está decidido quanto à carreira que pretende trilhar daqui para frente? Ou tem uma "vaga idéia"? Quer algo em Humanas, mas está indeciso entre Jornalismo e História? Ou prefere Exatas, mas se divide em Matemática e Engenharia Mecatrônica? Medicina? Pedagogia? Ou ainda, Quiropraxia! Não escolheu? Bem, fique tranqüilo. Decidir por uma profissão não precisa ser um monstro de sete cabeças. E não só isso. Essa é uma "angústia" comum a todos os jovens que entram na universidade.

Hoje em dia, o leque de opções para os pré-universitários é muito mais amplo do que há alguns anos. Até algum tempo, o número de profissões era restrito a poucas grandes áreas. Certamente você já deve ter ouvido de seus avós que o melhor mesmo é optar por carreiras mais "garantidas", como Direito, Medicina ou Engenharia. Nos últimos 20 anos, porém, o mercado de trabalho, cada vez mais, tem buscado profissionais mais especializados, que conhecem os detalhes de determinado setor (vide a multiplicação das "Engenharias", antes restritas a Civil, Mecânica, etc).

"O processo é muito mais complexo atualmente. A realidade externa agrava ainda mais a situação, tornando a decisão muito mais séria e aflitiva", explica a coordenadora do Serviço de Orientação Profissional do Instituto de Psicologia da USP (Universidade de São Paulo), Yvette Piha Lehman.

Some, portanto, as dificuldades naturais da escolha à crescente pressão gerada pelas crises da economia. O resultado é uma bola de neve, que cresce a cada novo fator adicionado - ambição, família, amigos. "Esse contexto atual tem pesado bastante nos jovens. Escolha é um processo de exclusão e se torna um peso para eles. A realidade impede uma escolha mais tranqüila".

Se o seu pensamento imediato foi de trocar o seu sonho por algo rentável, tome cuidado. Abandonar sua meta pode se tornar um peso muito maior do que o medo do fracasso futuro. "Hoje, a tendência do jovem é abrir mão das coisas que ele quer, mesmo sabendo que precisa defendê-las. A sensação que ele tem é que precisa buscar aquilo que vai dar garantias no futuro", esclarece Yvette. O ideal, obviamente, é combinar aquele seu desejo secreto de infância (astronauta?) com algo que possa dar algum retorno financeiro. "Esses fatores não são excludentes. É preciso ter confiança para agenciar o prazer com os rumos do mercado".

Portanto, é preciso estar preparado. Como você deve imaginar, não existem "fórmulas mágicas" para determinar qual profissão é mais adequada ao perfil de cada estudante pré-universitário. Sendo assim, não tenha pressa para escolher sua carreira. Se você já sabe em qual área se sente melhor, procure conhecer seus cursos e, principalmente, o dia a dia dos profissionais. Assim, é possível evitar surpresas.

"A primeira coisa a fazer é conhecer a carreira. Buscar informações sobre o curso, sobre a profissão, mercado de trabalho", orienta a coordenadora do Laboratório de Orientação Profissional da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina), Dulce Helena Soares, autora do livro "A escolha profissional: do Jovem ao Adulto".

"Nós vemos muitos jovens desistindo da carreira porque idealizam determinados cursos. Busque informações concretas. Entreviste os profissionais, visite locais de trabalho, conheça a rotina", alerta Dulce. Se você já tem certeza da carreira que deseja trilhar e conhece os detalhes do exercício da profissão, passe agora à segunda fase: coloque em prática o seu auto-conhecimento.

Compare as informações que coletou com o seu objetivo profissional. E não se esqueça de pesar na balança absolutamente tudo - prós e contras. "O mais importante é a informação profissional. Em um segundo momento é que ele vai avaliar se gosta mesmo, ou não, da carreira".

Ok, reconhecemos que é mesmo um momento difícil. As pressões vêm de todos os lados. Além do mercado e da própria cobrança, existe ainda a pressão dos amigos, da família, dos professores. Mas lembre-se, escolher uma profissão não precisa ser um momento de crise.

É natural que você se sinta angustiado, uma vez que tomará uma decisão importante para sua vida. Procure fazer dessa fase algo marcante, e não se preocupe em acertar logo na primeira tentativa. "A escolha não é para toda vida. Cada vez mais as pessoas estão mudando de profissão. Pense que mudar a rota não é um erro, é apenas uma passagem", encerra Dulce.

(
www.amigosdosaber.org.br)

quinta-feira, 15 de novembro de 2007

Diversidade e Amor

Por Kleber Godoy
Bem, dando uma continuação no tema da homossexualidade e até mesmo aprofundando e expandindo um pouco o assunto, gostaria de compartilhar com vocês um texto publicado em 09/10/2007 no The New York Times .
__________________________________________________
Para alguns idosos gays, os asilos representam uma volta ao armário
Dan Frosch contribuiu com reportagem / Tradução: George El Khouri Andolfato

Mesmo agora, aos 81 anos e com sua memória começando a desaparecer, Gloria Donadello lembra de sua dolorosa escaramuça com o preconceito em um centro de vida assistida em Santa Fé, Novo México. Sentada com pessoas que considerava amigas, "pessoas que riam e faziam certos tipos de comentários, eu lhes disse: 'Por favor, não façam isto, porque sou gay'".

O resultado de sua franqueza, disse Donadello, foi rápido e impiedoso. "Todos olharam horrorizados", ela disse. Não mais incluída nas conversas ou bem-vinda às refeições, ela caiu na depressão. Medicamentos não ajudavam. Com sua saúde emocional em deterioração, Donadello se mudou para uma comunidade adulta próxima que atende gays e lésbicas.

"Eu me sentia como uma pária", ela disse em seu novo lar. "Para mim, foi uma escolha entre vida ou morte."

Idosos gays como Donadello, que vivem em asilos, centros de vida assistida ou que recebem assistência domiciliar, relatam cada vez mais que foram desrespeitados, afastados ou maltratados de formas que variam de doloroso a mortal, até mesmo levando alguns a cometerem suicídio.

Alguns viram seus parceiros e amigos serem insultados ou isolados. Outros vivem com medo do dia em que dependerão de estranhos para grande parte de suas necessidades pessoais. O temor por si só pode ser danoso, física e emocionalmente, disseram médicos, geriatras e assistentes sociais.

O apuro dos idosos gays chegou até uma geração inteira de gays e lésbicas, preocupados com seu próprio futuro, que deram início a um esforço nacional para educar os provedores de atendimento sobre o isolamento social, até mesmo sobre a discriminação aberta, que clientes lésbicas, gays, bissexuais e transexuais enfrentam.

Várias soluções estão surgindo. Em Boston, Nova York, Chicago, Atlanta e outros centros urbanos, estão surgindo os chamados LGBT Aging Projects (projetos de idosos lésbicas, gays, bissexuais e transexuais), para treinamento de provedores de atendimento de longo prazo. Também há gerentes assumidamente gays de casos geriátricos que podem guiar os clientes a serviços compassivos.

Ao mesmo tempo, há uma ação para atendimento separado mas igual. Nos subúrbios de Boston, o Chelsea Jewish Nursing Home começará a construir em dezembro um complexo que incluirá uma unidade para idosos gays e lésbicas. E as Stonewall Communities em Boston começaram a vender casas projetadas para gays idosos, com serviços de apoio semelhantes aos centros de vida assistida, disponíveis tanto para novos compradores de imóveis como para aqueles que moram em suas próprias casas.

"Muitas vezes os gays evitam buscar ajuda por temerem a forma como serão tratados", disse David Aronstein, presidente das Stonewall Communities. "A menos que vejam ações afirmativas, eles presumirão o pior."

A homofobia direcionada aos idosos tem muitas faces.

Os enfermeiros de atendimento domiciliar devem ser lembrados a não usarem luvas em momentos impróprios, por exemplo, quando abrem a porta da frente ou arrumam as camas, quando não há evidência de infecção com HIV, disse Joe Collura, um enfermeiro da maior agência de atendimento doméstico em Greenwich Village, um bairro de Manhattan.

Uma lésbica que deu entrada em um quarto duplo em um centro de reabilitação em Chicago foi recebida por uma companheira de quarto que gritava: "Tire o homem daqui!" A paciente lésbica, Renae Ogletree, pediu a um amigo que a levasse para outro lugar.

Às vezes resulta em tragédia. Em um asilo em uma cidade da Costa Leste, um homem assumidamente gay, sem família ou amigos, foi recentemente transferido de seu andar para acalmar os protestos de outros moradores e seus famílias. Ele recebeu um quarto entre os pacientes com incapacidades severas ou demência. O asilo chamou Amber Hollibaugh, atualmente uma estrategista sênior da Força-Tarefa Nacional de Gays e Lésbicas e autora do primeiro currículo de treinamento para asilos. Hollibaugh disse que assegurou ao homem de 79 anos que uma solução mais humana seria encontrada, mas ele se enforcou. Ela não quis identificar o asilo, porque ainda presta consultoria para ele, entre outros lugares.

Apesar deste resultado ser raro, transferir moradores gays para aplacar outros é comum, disse a dra. Melinda Lantz, chefe de psiquiatria geriátrica do Beth Israel Medical Center em Nova York, que passou 13 anos em um posto semelhante no Jewish Home and Hospital Lifecare System. "Quando você se vê sem opção e precisa transferir uma pessoa por estar sendo atacada, você acaba a colocando junto com pessoas que estão bastante confusas", disse Lantz. "Esta é uma realidade básica terrível."

A reação mais comum, em uma geração acostumada a estar no armário, é um recuo para a invisibilidade que foi necessária durante grande parte de suas vidas, quando a homossexualidade era considerada tanto um crime quanto uma doença mental. Um parceiro é identificado como irmão. Nenhuma imagem ou livro com temática gay é deixado à vista.

Os idosos heterossexuais também sofrem as indignidades da velhice, mas não na mesma extensão, disse Lantz. "Há algo especial em ter que ocultar esta parte de sua identidade em um momento em que toda sua identidade está ameaçada", ela disse. "Este é um caminho mais rápido para a depressão, para o fracasso em prosperar e até para uma morte prematura." O movimento para melhorar as condições para os idosos gays é movido pela demografia. Há cerca de 2,4 milhões de americanos gays, lésbicas ou bissexuais com mais de 55 anos, disse Gary Gates, um pesquisador sênior do Instituto Williams da Universidade da Califórnia, em Los Angeles. Tal estimativa foi extrapolada por Gates usando dados do censo que contam apenas casais de mesmo sexo juntamente com outros dados do governo, que contam casais gays e indivíduos. Entre os casais de mesmo sexo, o número de homens e mulheres gays com mais de 55 anos quase dobrou de 2000 a 2006, disse Gates, de 222 mil para 416 mil.

A Califórnia é o único Estado com uma lei que diz que idosos gays têm necessidades especiais, como outros membros de minorias. Uma nova lei encoraja o treinamento de funcionários e prestadores de serviço que trabalham com idosos e permite financiamento do Estado para projetos como centros para idosos gays.

A lei federal não possui proteções antidiscriminatórias para os gays. Vinte Estados proíbem explicitamente tal discriminação em moradias e prédios públicos. Mas nenhum processo de direitos civis foi impetrado por gays contra asilos, segundo o Fundo Lambda de Defesa Legal, que cuida e monitora tais casos. Os querelantes potenciais, diz a organização, são frágeis ou assustados demais para tomarem alguma medida.

Segundo especialistas, o problema aumenta porque a maioria dos idosos gays não declara sua identidade, e as instituições raramente se esforçam para descobrir quem eles são para preparar seus funcionários e moradores para o que pode ser uma situação não familiar. É neste ponto que Lisa Krinsky, diretora do LGBT Aging Project em Massachusetts, dá início às suas sessões de treinamento de "competência cultural", como um no mês passado no North Shore Elder Services em Danvers, fora de Boston.

Formulários de ingresso no atendimento de longo prazo apresentam opções de estado civil e parentesco. Mas nenhum dos itens oferece a opção de gay ou lésbica. Krinsky sugeriu perguntas como "Quem é importante em sua vida?"

Nos dois últimos anos, Krinsky treinou mais de 2 mil funcionários de agências que atendem idosos em Massachusetts. Ela lhes apresentou os problemas comuns e os incitou a buscarem soluções.

Um gay demitiu seu enfermeiro de atendimento domiciliar. O gerente do caso perguntou o motivo? O paciente poderia estar recebendo leituras indesejáveis da Bíblia de alguém que considera a homossexualidade um pecado. E quanto a lésbica no centro de vida assistida que recusava visitantes? Talvez ela tenha medo de que a aparência de seus amigos a denuncie para os demais moradores.

"Nós precisamos ser abertos e sensíveis", disse Krinsky, "mas não envolvê-los em uma bandeira de arco-íris e fazê-los marchar em uma parada".

Alguns idosos gays optam pela franqueza como a forma mais rápida e menos dolorosa de encontrar atendimento compassivo. Este é o caso de Bruce Steiner, 76 anos, de Sudbury, Massachusetts, cujo parceiro de 71 anos, Jim Anthony, sofre de mal de Alzheimer há mais de uma década e não consegue mais se alimentar sozinho e nem falar.

Steiner resiste a colocar Anthony em um asilo, apesar das várias hospitalizações no ano passado. O atendimento foi irregular, disse Steiner, que não sabe se a homossexualidade foi um fator. Mas ele decidiu não se arriscar e contratou um gerente de caso gay que o ajudou a realizar uma "seleção".

Eles escolheram uma agência de atendimento domiciliar com reputação de tratar bem clientes gays. Na preparação para um futuro desconhecido, Steiner também visitou vários asilos, "lhes dando a oportunidade de me encorajarem ou desencorajarem". Seu favorito "é um dirigido pelas irmãs carmelitas, acima de tudo por terem senso de humor".

Elas são a exceção, não a regra.

Jalna Perry, uma lésbica e psiquiatra de 77 anos em Boston, é assumida, ela disse, mas não divulga o fato, que não parece natural para alguém de sua geração. Perry, que usa cadeira de rodas, passou algum tempo em centros de vida assistida e asilos. Lá, ela disse, ela mantinha a guarda erguida o tempo todo.

Perry informou sua sexualidade para algumas poucas moradoras do centro de vida assistida -mulheres profissionais, artistas, que ela imaginou que a aceitariam. Mas mesmo com elas, ela disse, "você não conversa sobre coisas gays". Em grande parte ela guarda isto para si mesma. "Você acaba formando juízo sobre a pessoa", disse Perry.

Mais difícil foi uma enfermeira que era gentil com as outras pessoas, mas rude e de mão pesada quando ajudava Perry em suas necessidades pessoais. Será que a enfermeira suspeitava e desaprovava? Com um enfermeiro que era gay, Perry disse que se sentia "extremamente confortável".

"Exceto por aquele enfermeiro, eu era bastante solitária", ela disse. "Seria bom se mais alguém fosse assumido entre os moradores."

Tal solidão é fonte de temor para os membros da Prime Timers, um grupo social de Boston para idosos gays. Entre os regulares, que se reúnem para almoçar uma vez por semana, estão Emile Dufour, um ex-padre de 70 anos, e Fred Riley, 75 anos, que manteve um casamento heterossexual por 30 anos. O casal está junto há duas décadas e se casou em 2004. Mas a posição deles, caso precisem de atendimento, é esconder sua homossexualidade, como fizeram por metade de suas vidas, em vez de enfrentarem as críticas e sussurros.

"Apesar de hoje estar forte", disse Riley, "quando estiver no portão do asilo, a porta do armário fechará com força atrás de mim".

segunda-feira, 12 de novembro de 2007

A Vida, o Crescimento do País e a Maternidade

Por Ana Paula Porto Noronha

Há algumas semanas saiu uma reportagem interessante na Veja, que abordava a diminuição da população mundial, em especial da européia. As explicações para o fenômeno são variadas e podem ser discutidas sob as perspectivas sociológicas, físicas, culturais, dentre outras. Todos os aspectos são relevantes e merecem discussão aprofundada. Abaixo está o texto e, em seguida, meus comentários.

Na ordem natural da vida, cada geração deveria gerar descendentes suficientes para repor as mortes e ainda acrescentar alguns indivíduos à população. A União Européia inverteu essa lógica da natureza. De acordo com dados divulgados neste mês pelo Instituto de Política Familiar, sediado na Espanha, pela primeira vez na história o número de europeus com mais de 65 anos ultrapassou o de menores de 14 anos. Numa sociedade de população estável, espera-se uma proporção igual de crianças, jovens e adultos, mas menor de idosos em comparação a todos os outros grupos populacionais. O que está ocorrendo é a soma de dois fatores conhecidos. O primeiro é a queda na taxa de fecundidade dos europeus. A mínima para repor as perdas naturais de uma população é de 2,1 filhos por mulher. A média européia é de 1,37. O segundo fator é o aumento na expectativa de vida decorrente da melhoria das condições de vida e de assistência médica. Menos bebês e mais velhos é uma equação com sérias conseqüências populacionais a médio prazo. Em meados deste século, a Alemanha e a Itália terão menos habitantes que hoje. A França e a Espanha devem permanecer estáveis, mas só se continuarem a atrair imigrantes. Do ponto de vista populacional e cultural, a Europa Ocidental estará irreconhecível em duas ou três gerações.

O envelhecimento da população e a falta de bebês não são uma exclusividade européia. Trata-se de tendência generalizada entre os países ricos e desenvolvidos. Na Coréia do Sul e na Austrália, a taxa de fecundidade caiu abaixo da linha de reposição da população. O Japão apresenta o maior porcentual de idosos em relação ao total de cidadãos – 28%. Dos membros do G8, o grupo dos países mais ricos do mundo, apenas os Estados Unidos têm uma taxa de fecundidade capaz de manter a população estável. Isso, somado à imigração, garante o crescimento do número de americanos. Na Alemanha, na Espanha, na Itália e no Japão, a falta de bebês e o aumento no contingente de idosos são temas discutidos em tons apocalípticos. Não é sem razão. Tamanho e perfil da população costumam ser fatores relevantes no desempenho econômico de uma nação. Uma maneira clássica de calcular o crescimento do PIB potencial de um país é somar os índices de aumento da força de trabalho e da produtividade. Se a força de trabalho crescer 1% e a produtividade 2% em determinado ano, por exemplo, o aumento do PIB potencial será de 3%. Essa equação se explica pelo impacto que a falta de bebês pode ter sobre a força produtiva de uma nação no futuro. Menos trabalhadores significa menos produção de riqueza, menos gente para consumir e, o que é mais perturbador, menos contribuintes para manter o sistema de previdência, sobrecarregado pela multidão de aposentados.

Também nesse aspecto o planeta não é igualitário. Apenas quatro em cada nove pessoas vivem em um país com taxa de fecundidade abaixo do índice de reposição. As taxas de fecundidade continuam elevadíssimas nos países mais miseráveis da Ásia e da África. Isso pode mudar se essas sociedades se modernizarem. A história mostra que avanços na educação, mudanças no papel social da mulher e melhorias nas condições de saúde derrubam a taxa de fecundidade. "Na fase em que a Europa construiu sua hegemonia cultural e econômica, o número de europeus cresceu de maneira espantosa. No ano de 1900, um em cada quatro habitantes do mundo era europeu", disse a VEJA o sociólogo austríaco Meinhard Miegel, diretor do Instituto para Economia e Sociedade de Bonn, na Alemanha. Hoje, a proporção é de um em cada nove. O futuro do sistema de pensões tornou-se uma tormenta global, especialmente para alemães, italianos e japoneses, moradores de países com crescimento populacional negativo ou próximo disso. No Japão, há quatro trabalhadores na ativa para cada aposentado. Em 2050, estima-se que a proporção será de três para dois. Na Alemanha, a Previdência representa o maior gasto social do estado. Em países com sistema assistencial precário, o efeito da baixa taxa de fecundidade adquire contornos trágicos. Na China, com média de apenas 1,7 filho por mulher, os idosos dependem quase que unicamente dos filhos ou netos. Devido à política do filho único, o país enfrenta hoje uma distorção: em determinada fase da vida, um jovem adulto tem de sustentar sozinho dois pais e quatro avós. Isso em um país em que a expectativa de vida aumentou de 40,8 anos para 71,5 anos em apenas cinco décadas e em que há um desequilíbrio de gêneros: nascem 100 meninas para cada 118 garotos. Nesse ritmo, a China pode tornar-se um país com mais velhos do que crianças antes mesmo de atingir o pleno desenvolvimento. Essa tendência demográfica é um dos motivos pelos quais a China dificilmente poderá ultrapassar os Estados Unidos como a principal potência mundial.

A falta de bebês tem efeitos inesperados no modo de vida de um país. Na Toscana, a região de paisagens deslumbrantes no norte da Itália, cuja capital é Florença, o saldo entre nascimentos e mortes resulta na perda de 8.220 habitantes por ano. A conseqüência disso é o acelerado esvaziamento das áreas rurais. Não falta apenas mão-de-obra para cuidar da terra. Os proprietários também estão ausentes. É freqüente que o filho único não seja capaz de manter a fazenda herdada dos pais ou avós. No momento, a região está repleta de estrangeiros, sobretudo americanos e ingleses. Eles compram as vilas abandonadas, cujos preços caíram bastante nos últimos anos devido ao excesso de oferta, para usá-las nas férias.

Destaco neste momento, a perspectiva mais encantadora da discussão para mim, o prazer da maternidade. Experimentar a maternidade é bastante complexo e exige um esforço na direção de procurar ser uma pessoa melhor. Sim, pode parecer piegas, mas há uma condição nesse sentido, para que os filhos sejam minimamente sadios psicologicamente e seres humanos interessantes. Agora, cá entre nós, exercer a maternidade/paternidade exige talento; estabelece que você esteja disponível para o outro; implica na capacidade de não ser o próprio centro de sua vida em muitas das situações cotidianas; e, prioritariamente, ser mãe/pai significa ser capaz de amar. Preciso deixar claro que não estou falando simplesmente da capacidade de gerar filhos. Lembro-me como se fosse hoje do dia em que meu filho nasceu e da alegria que senti quando olhei para ele. Não tenho dúvida de que esta é uma experiência que pode ser transformadora. Neste dia dei-me conta de que os versos se Rubem Alves faziam sentido para mim e que a cada dia, construiria uma nova sonata.

Compreendi que a vida não é uma sonata que, para realizar sua beleza, tem de ser testada até o fim. Dei-me conta, ao contrário, de que a vida é um álbum de minissonatas. Cada momento de beleza vivido e amado, por efêmero que seja, é uma experiência completa que está destinada à eternidade. Um único momento de beleza e de amor justifica a vida inteira.

segunda-feira, 5 de novembro de 2007

Por Um Futuro Sendo Construído Diferente

Por Kleber Godoy

“Casais gays se tormam mais visíveis em ´áreas´conservadoras”, diz a redação do Gonline. Segundo a pesquisa feita nos EUA, através do censo, pares homossexuais são mais vistos em todas as áreas dos EUA, “mas o crescimento se nota mais em áreas dominadas por uma sociedade conservadora”. Segundo os dados dos pesquisadores do Wlliams Institute, da Escola de Lei da UCLA, o crescimento dessa visibilidade se deve, em parte, ao crescimento da aceitação social.

Acredito que em grande parte do mundo haja, hoje em dia, uma maior aceitação da homossexualidade e isso permite uma maior exposição, se comparado à décadas anteiores. No entanto, é lento e tímido este crescimento, sendo a hipocrisia presente e enraizada na mente das pessoas a tal ponto que esta aceitação nem sempre é pura, mas sim um “tolerar” que mascara e diz “tudo bem”. Deve ser um dos aspectos da sociedade pós-moderna um maior “tolerar”, já que a vida é tão rápida, dinâmica e os relacionamentos humanos tão virtuais. No entanto, é um progresso. E falando dessa sociedade atual, a notícia, vindo dos EUA, não podia caber melhor ao comentário.

Em contrapartida, a esperança de que os pré-conceitos (em geral) sejam banidos, é grande. Eu acredito em um mundo melhor, sem guerras entre tribos, sem matar por causa de um Deus diferente, sem mais uma notícia no jornal que diz “garoto gay espancado em avenida da cidade”. E uma notícia que me deixou tremendamente contente foi a que falava de uma revelação de J. K. Rowling, escritora da série “Harry Potter”, neste mês de Outubro. Ela estava em um evento para promover o último livro da série no Carnegie Hall de Nova York e um fã a questionou sobre o personagem de Albus Dumbledore, talvez o mais querido da série, e sua vida amorosa, já que o personagem fala tanto da força do amor. Então ela revelou: “Dumbledore é gay”.

Ela ainda revelou que ele encontrou seu grande amor, uma peça importante nas histórias, uma história de amor que terminou não muito bem, mas ele encontrou. Para surpresa da escritora, houve aplausos de toda platéia e ela disse “Se soubesse que a notícia os faria tão felizes, teria dito antes”. Ela ainda completou em suas entrevistas posteriores: "Nunca foi novidade para mim que um homem corajoso e brilhante possa amar outros homens”.

Enfim, onde quero chegar? A série de livros da escritora está disseminada em todo planeta, milhões e milhões de fâs lêem suas histórias a cada livro lançado, sendo que na sua maioria estão crianças e jovens, assim como seus pais. Para quem não acompanha, seu último livro tornou-se o mais vendido em menos tempo na história, sendo 11 milhões de cópias vendidas nas primeiras 24 horas na Grã Bretanha e nos EUA. Todos os livros da série já acumulam quase 400 milhões de exemplares indo para as casas das pessoas. Imagine então, querido leitor, o impacto nesses fâs?

Em uma conversa com um amigo, também leitor da série, falávamos sobre esses dados e ficamos muito contentes com a revelação. As histórias escritas por Rowling trazem ensinamentos preciosos em seu interior, sejam de amor, de amizade, de paz e de que o bem é a melhor opção. É muito “humano”, eu diria. Para dar um exemplo, em uma das histórias, um personagem traiu um de seus amigos e é capturado. Ele diz mais ou menos assim: “entendam, fui ameaçado, o que mais eu poderia fazer? O que você faria se estivesse no meu lugar?”. E o seu interlocutor rebate: “eu teria morrido, mas não trairia meu amigo!”. Ora, imagine isso sendo lido por uma criança de 8, 9, 10 anos??? Vale ressaltar que eu não desejo que nenhuma criança se mate, mas imagine esse “valor” sendo interiorizado por toda uma geração de jovens!

Logo, a revelação de Rowling sobre a homossexualidade vem só a acrescentar ainda mais. Na conversa com meu amigo, chegamos à conclusão de que é a maior revelação de Rowling, assim como um marco na literatura. Ele me disse “tem tudo a ver no tema contra o racismo, quebra de classes... e também descriminação de todo tipo, não podendo faltar a descriminação sexual...”. Com certeza, uma contribuição para o futuro. Precisa-se de mais pessoas que usem de seu poder para mostrar coisas boas ao mundo. A hipocrisia reina em muitos contextos e vários líderes, sejam políticos ou religiosos, tão cheios de dogmas ou de leis e regras diplomáticas e sociais aceitáveis, mandatos e acordos, imagens a mostrar... não se importam, não podem ou não querem fazer isso.

Para encerrar, me deparei com uma notícia sobre a repercussão da revelação de Rowling entre os fâs. E os fâs aprovam!! No site de relacionamentos Orkut (http://www.orkut.com/), li muitos comentários positivos. Muito menino de 12, 13 anos dizendo “ah, por mim tudo bem, ele é genial do mesmo jeito. Não muda nada.”. Em poucos dias, havia 6.000 comentários sobre o tema em dois sites, os mais populares sobre Harry Potter, o http://www.leakynews.com/ e o http://www.mugglenet.com/. "Em geral as pessoas estão contentes por ela [a autora] ter feito isso", disse Melissa Anelli, coordenadora do primeiro site. Ela diz ainda que houve pouquíssima rejeição. Ela ainda completa: "Acho ótimo, acho que a forma como ela lidou com isso foi de que isso era só mais um fato sobre ele, da mesma forma como ele é professor, gosta de boliche e de música de câmara. E que se mais gente fosse assim teríamos menos problemas hoje em dia".

*J. K. Rowling durante sessão de autógrafos nos EUA; ela assinou 1.600 cópias em 80 escolas de Nova Orleans (Foto: Bill Haber)



quarta-feira, 31 de outubro de 2007

O mundo precisa de gentileza

Por Ana Paula Porto Noronha

Tenho me dado conta de que o mundo está precisando de mais gentileza. Gentileza é, de acordo com o Grande Dicionário Larousse Cultural, delicadeza, amabilidade, cortesia... As pessoas têm sido pouco gentis umas com as outras. Observo no contexto onde trabalho, não raras vezes, que alguns funcionários são vistos como parte do mobiliário, de tal modo que, ao passarem por elas as pessoas não se preocupam com as palavras básicas que permeiam os códigos de educação, como o “bom dia”, “obrigada” e “até logo”. Não acho que isto resuma simplesmente o que é ser gentil, mas é um bom início para que as pessoas observem mais suas práticas diárias.

Tem uma funcionária que vai trabalhar toda produzida, com direito a maquiagem e cabelo arrumado por bobis. Quando passo por ela e lhe elogio, sinto sua gratidão, assim como sei que ela passaria boa parte da manhã me contando sobre seu final de semana. Talvez seja isso. As pessoas estão sempre sem tempo... A rotina... As exigências... A preocupação com a produção as deixa com pressa e com medo de perder tempo se tiver que olhar para o outro. Quanta tolice! “Perder tempo”, se é que podemos falar assim, com o outro, só nos torna seres melhores.

Também concebo o “ser gentil” como uma forma de respeito. E, a propósito, a este respeito, em conversa com uma amiga também professora universitária, com muitos anos de experiência docente, procurei refletir sobre as características de um “bom aluno”. Há muitas pesquisas científicas que tratam das características do bom docente e, pasme você, ou não, dentre elas, as características de personalidade estão lado a lado com o domínio do conhecimento. Ou seja, ser um bom docente implica, na mesma medida, em conhecer o assunto e possuir características que gerem bons relacionamentos interpessoais.

As pesquisas em tornos dos alunos, em geral, tratam basicamente de habilidades cognitivas. Como dizia, como síntese da conversa com minha amiga, definimos que igualmente ou mais importante que seu potencial cognitivo, o aluno precisa ter atitudes positivas. Sim, pode parecer estranho, mas é muito mais fácil e prazeroso trabalhar com alunos que tenham atitudes pró-ativas, que aqueles somente inteligentes. Infelizmente tenho encontrado, mais do que gostaria, pessoas desta última natureza, qual seja, com boas condições das suas capacidades intelectuais, mas absolutamente pobres no exercício da gentileza, do respeito, do amor ao próximo, do compromisso com o outro e consigo mesmo.

O texto de Malvar Fonseca pareceu-me interessante e em razão disso, gostaria de apresenta-lo.

“Há algum tempo, li não sei onde um episódio ocorrido com uma escritora que foi passar dois meses numa região montanhosa de um país europeu, num período do ano em que era freqüente acontecerem grandes tempestades; ia com o propósito de conhecer os costumes da gente do campo e colher assim material para um romance. Quando estava desfazendo as malas no pequeno chalé que alugara, com a ajuda da caseira que morava perto dali, desabou um grande temporal e as luzes se apagaram. A caseira acendeu umas velas e, enquanto atiçava o fogo na lareira, bateram à porta. Era um rapazinho de uns doze anos, conhecido da caseira. Depois de recuperar o fôlego, o menino disse:

- Vim ver se está tudo bem com a senhora.

A caseira agradeceu e apresentou-o à escritora. Como a ventania aumentasse e a chuva caísse com mais força, o rapaz perguntou à recém-chegada:

- A senhora não tem medo?

A escritora ia dizer que não, mas a caseira, que evidentemente não estava nem um pouco assustada, atalhou-a:

- É claro que ela estava morrendo de medo, assim como eu. Mas agora temos um homem aqui, e tudo vai ficar bem.

Quando a tormenta passou, o menino despediu-se e saiu, capengando do modo mais garboso que podia.

A escritora ficou pensativa e perguntou-se: "Por que não me ocorreu responder à pergunta do menino como a caseira?" E evocou tantas situações da sua vida em que se mostrara pouco sensível às necessidades dos outros por estar absorvida nas suas coisas. "Que havia naquela mulher simples do campo - continuou a pensar - que a tornava capaz de transformar um menino aleijado num homem confiante?" E teve de reconhecer: simples detalhes de gentileza e afeto.

Pois é precisamente no convívio com as outras pessoas que a atenção para os detalhes se reveste de um significado especial. Merece até um nome particular: delicadeza, que reclama uma grande diligência e grandeza de alma. É ela que permeia todas as virtudes próprias da convivência, como a cordialidade, a afabilidade, o acolhimento, o perdão, a paciência, enfim, a caridade. Manifesta-se principalmente, em palavras de Machado de Assis, "nesse desejo de bem servir que é a alma de toda a cortesia". Nunca deveria dar-se motivo para o comentário cético daquele que dizia que o lar é o centro geométrico das grandes dedicações e das pequenas desatenções. Mas trata-se de exercitar a "arte de ser amável" não apenas no sentido ativo, mas também no sentido passivo, isto é, facilitando aos outros que nos queiram bem. Quando penso nisto, lembro-me sempre de um cantor nacional que, há uns trinta anos, fazia um programa de TV com muito sucesso e que, no fim de cada apresentação, se despedia com as mesmas palavras: "Continuem a querer-me bem, que não custa nada". É isso o que quero dizer com ser amável no sentido passivo: que, pela nossa gentileza, não custe aos outros nada ou quase nada querer-nos bem.”

Fonte: "Coisas Pequenas", Editora Quadrante, São Paulo, 1996

Em síntese, exercitar a gentileza é possível; não dói; não tem contra-indicações; dissemina o amor; oferece bons modelos de relacionamentos interpessoais; promove a saúde mental, ao mesmo tempo em que favorece a física; deixa-nos mais felizes (suponho que pesquisadores tenham bons resultados a respeito disso) e reafirma a necessidade de se encarar cada dia como único. Prefiro escrever textos a partir dos quais possa fazer relações com a minha vida. Este texto, em especial, me possibilitou isto. Nesse sentido, quero oferecê-lo ao Kleber, meu parceiro de blog, e uma dessas pessoas que você encontra na vida e amansa seu coração ao ver que é um exemplo de aluno com excelentes capacidades cognitivas e é muito gentil!!!


Gentileza
Marisa Monte

Apagaram tudo

Pintaram tudo de cinza

A palavra no muro

Ficou coberta de tinta

Apagaram tudo

Pintaram tudo de cinza

Só ficou no muro

Tristeza e tinta fresca

Nós que passamos apressados

Pelas ruas da cidade

Merecemos ler as letras

E as palavras de Gentileza

Por isso eu pergunto

À você no mundo

Se é mais inteligente

O livro ou a sabedoria

O mundo é uma escola

A vida é o circo

Amor palavra que liberta

Já dizia o Profeta

Parte superior do formulário
_______________________________________

segunda-feira, 22 de outubro de 2007

Dia do Professor

Por Ana Paula Porto Noronha

Recentemente comemoramos o Dia do Professor, mais especialmente no dia 15 de outubro. De acordo com o site www.portaldafamilia.org poucos sabem como e quando surgiu este costume no Brasil. “No dia 15 de outubro de 1827 (dia consagrado à educadora Santa Tereza D’Ávila), D. Pedro I baixou um Decreto Imperial que criou o Ensino Elementar no Brasil”. De acordo com o decreto, as cidades, as vilas e os lugarejos deveriam ter suas escolas. Ainda, de acordo com ele, deveria haver a descentralização do ensino, a remuneração de professores, assim como as matérias básicas que os alunos deveriam aprender. Para a época, a idéia era inovadora e revolucionária. A primeira comemoração ao dia do professor ocorreu somente em 1947, ou seja, 120 anos após o referido decreto.

Escolhi falar deste tema, pois professora como sou, acho importante que se reflita sobre a arte e o ofício de ser educador em nosso país. Sou docente há 17 anos, sempre de ensino superior, e nem sei quantas histórias, daquelas de professor, teria para contar. Ao imaginar o tema desse texto, lembrei de algumas delas; umas muitas boas, das que fazem o peito doer de emoção, outras nem tanto. Foram muitas as pessoas que passaram pela minha vida, pelas minhas salas de aula, pelos meus olhos, de tal modo que me permito concluir que estão registradas em mim, por meio dos meus sentidos e das minhas percepções. Na verdade, talvez seja este o segredo do ofício, destinar-se a ensinar ao mesmo tempo em que se permite aprender com cada um daqueles que tiveram seus nomes nos meus diários de classe.

Ainda, no que se refere à escolha do tema, sou capaz de me lembrar do nome da minha primeira professora, bem como da emoção que sentia quando era elogiada por ela. Ainda naquele tempo, mais que hoje, o professor tinha o status de ser alguém que tinha algo a oferecer. De acordo com o Ministério da Educação, o Brasil hoje tem cerca de 1,5 milhão de professores, sendo que função deles, tal como preconizado pelo órgão, não é o de simplesmente transmitir conhecimentos, mas principalmente ensinar o aluno a estudar e a valorizar o estudo, e ao mesmo tempo, ajudá-lo a se desenvolver socialmente.

A Folha de São Paulo de hoje (22/10/2007) traz reportagem de capa da seção Cotidiano a manchete: “47% dos professores até a 4ª série não têm diploma universitário”. A reportagem na íntegra diz:

“Quase metade dos professores dos anos iniciais da educação básica não tem formação de nível superior no Brasil. Eles são responsáveis por uma das etapas mais importantes para a qualidade de toda a educação básica: a alfabetização. É também na primeira série do ensino fundamental que as taxas de repetência são mais elevadas.

Se fosse seguida à risca uma das determinações da LDB (Lei de Diretrizes e Bases) da Educação, esses profissionais teriam problemas para participar de concursos de admissão. A LDB previa que, a partir do ano que vem (2008), não poderiam mais ser contratados docentes sem nível superior concluído”.

Ainda, no que respeita à reportagem, há o depoimento de uma professora que diz: “não se contentou com a formação em nível médio e, nos últimos dez anos, conciliou seu trabalho de professora na educação infantil com o investimento em sua qualificação. Nesse período, formou-se em pedagogia, fez especialização em uso de tecnologias para a educação infantil e, finalmente, concluiu mestrado em políticas públicas com ênfase no uso da informática na educação infantil. Tanto esforço rendeu frutos neste ano, quando ela recebeu do Ministério da Educação o prêmio Professores do Brasil, que destacou 20 trabalhos de todo o país que contribuíram para melhorar a qualidade da educação no país”.

Luciene conta que o conhecimento adquirido na universidade foi fundamental para o sucesso obtido pelo projeto Figurinhas da Infância, em que os alunos da Escola Estadual de Ensino Fundamental República, em Quintino (zona oeste do Rio de Janeiro). Ela afirma, no entanto, que o trabalho do professor de séries iniciais é, muitas vezes, considerado menos importante “. Ela considera isto errado e diz:” O professor da creche precisa ser tão bem formado e valorizado quanto em de ensino médio “.

Hoje meu espírito é saudosista. Ofereço este texto à Dedé, minha primeira professora e a todos os outros que passaram e ainda passam pela minha vida. À Maria Emília, ao Roberto, à Acácia e a todas as professoras que como Luciene, nunca desistem dos sonhos possíveis. Para eles, ofereço uma maça em comemoração ao Dia dos Professores!!!

quarta-feira, 17 de outubro de 2007

Não reprima... o bocejo!

Por Kleber Godoy

Abaixo, publico o resultado de um estudo que achei interessante, juntamente com outros dois artigos. O neurologista Luciano Ribeiro Pinto, da Unifesp avisa: há estudos que indicam que o ato de bocejar é um dos mecanismos disparados pelo cérebro para estimular o estado de vigília. Isso se dá porque a inspiração profunda que acontece durante o bocejo aumenta a oxigenação do sangue, levando o sono para longe. E todos os animais vertebrados bocejam, isso “esfria a cabeça”... e promove o “ficar acordado”. Quem diria, não?

Um comportamento que há muito intriga os pesquisadores, agora tem uma resposta e é boa, já que se você ver alguém conversando com você e bocejando não significa mais que ela está desinteressada em seu discurso, mas sim que está fazendo esforços para se manter acordado.

E ainda em outras leituras pude colher alguns dados interessantes acerca do tema, como por exemplo, o fato de que alguns estudos têm falado sobre a esclerose múltipla, doença neurodegenerativa associada à uma termorregulação inadequada. Pacientes com esta doença bocejam muito e após estes comportamentos se sentem aliviados em seus sintomas.

________________________________
Bocejos refrescam cérebro e ajudam a acordar, diz estudo
http://noticias.uol.com.br/bbc/reporter/2007/07/04/ult4911u29.jhtm
04/07/2007

Pesquisadores americanos afirmaram que o ato de bocejar pode ser uma forma de tentar se manter acordado e não um sinal de que o sono está aumentando. Segundo os psicólogos Andrew e Gordon Gallup, da Universidade Estadual de New York em Albany, o bocejo refresca o cérebro, ajudando-o a permanecer alerta.

"Segundo nossa hipótese, ao invés de promover o sono, o bocejo é antagonista do sono", afirmou Gordon Gallup. Segundo ele, o cérebro funciona mais e de forma mais eficiente quando está frio. E o efeito "contagioso" do bocejo seria um mecanismo para ajudar um grupo de pessoas a se manter vigilante.

Filmes: Os dois cientistas recrutaram 44 estudantes universitários para assistirem, sozinhos, a filmes de pessoas bocejando e gravaram o número de bocejos dados por cada voluntário. Os estudantes receberam instruções de inspirar e expirar de uma destas quatro maneiras: apenas pela boca, apenas pelo nariz, oralmente enquanto usavam um tampão para o nariz ou apenas respirar normalmente.

Robert Provine, cientista da Universidade Maryland, em Baltimore Foi observado que 50% das pessoas que receberam instruções para respirar normalmente ou pela boca bocejaram quando assistiam imagens de bocejos. Nenhuma das pessoas que respiraram pelo nariz bocejou.Testa fria: Os pesquisadores também descobriram que os voluntários que mantiveram um pacote frio encostado na testa não bocejaram enquanto assistiam ao filme, enquanto aqueles que seguraram um pacote quente ou à temperatura ambiente contra a testa bocejaram normalmente. Vasos sanguíneos na região da cavidade nasal enviam sangue frio para o cérebro. Então, respirar pelo nariz e esfriar a testa refrescam o cérebro e eliminam a necessidade de bocejar, disse Gordon Gallup.

"Pára-quedistas relatam que bocejam antes de um salto", disse o cientista Robert Provine, da Universidade de Maryland, em Baltimore. "Bocejar sinaliza uma transição entre estados comportamentais de vivacidade e sonolência, tédio e vigilância", acrescentou.
O estudo de Andrew e Gordon Gallup foi publicado na revista especializada Evolutionary Psychology.

________________________________
Por que quando uma pessoa boceja a outra boceja também?

(Alessandra, São João de Meriti, RJ, Josemar, São Paulo, SP, Marco Antonio Rosseto, São Paulo, SP , e Roniel dos Santos, Campinas, SP)

Ainda não se sabe exatamente por que o bocejo é contagioso. Aliás, esse é um grande mistério para os estudiosos. "Existem algumas teorias para tentar explicar esse fenômeno, mas não há respostas conclusivas", diz a bióloga Débora Hipólide, do Departamento de Psicobiologia da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Segundo ela, evidências sugerem que o bocejo seria uma forma primitiva de comunicação entre indivíduos da mesma espécie, para sinalizar mudanças no ambiente. O contágio seria a maneira de afirmar o recebimento da mensagem, ao mesmo tempo em que se passa ela adiante. Essas pistas são levadas em conta em uma das principais teorias do bocejo, conhecida como "Teoria Evolucionária". Por essa tese, o bocejo era um comportamento importantíssimo para algum ancestral dos vertebrados - não se sabe qual. Naquela época, o bocão aberto serviria para alertar o grupo e sincronizar a ação, passando mensagens como "atenção, predador na área", "aí vem chuva" ou "ei, é hora de dormir". Com a evolução, as ameaças diminuíram e a comunicação melhorou, mas guardamos esse resquício primitivo, hoje sem nenhum significado especial. Não somos os únicos vertebrados que bocejam: cães, gatos e leões são alguns exemplos de animais que têm a mesma mania. Uma outra teoria sobre o fenômeno propõe que o bocão aberto possa ter a função de mostrar mudanças nas condições internas do nosso corpo. Ou seja, o bocejo teria um caráter fisiológico, usado pelo organismo como um sistema de alerta, quando a pessoa está entediada, sonolenta ou cansada. "Como nessas situações respira-se mais lentamente, à medida que o nível de gás carbônico aumenta no sangue, uma mensagem é enviada ao cérebro, pedindo mais oxigênio. O bocejo seria uma resposta à necessidade de uma respiração profunda para despertar o corpo", afirma Débora.

Quero ar!

Teoria fisiológica aponta o bocejo como uma tática do organismo para ganhar mais

1- Quando a oxigenação nos alvéolos pulmonares diminui, uma mensagem é enviada a uma região do cérebro chamada núcleo paraventricular, que fica no hipotálamo. De lá são liberados vários mensageiros químicos — os neutrotransmissores — que induzem ao bocejo e a reações simultâneas em todo o corpo

2- A boca se abre e a pessoa inspira uma grande quantidade de ar, que é enviado aos pulmões. Ao mesmo tempo, os músculos se alongam para melhorar a circulação e a taxa de batimentos cardíacos aumenta. Assim, a sensação de cansaço diminui e o corpo volta ao estado de alerta

3- O bocejo se caracteriza por ser um reflexo involuntário. É quase impossível interrompê-lo, mesmo que se queira — por isso a "contaminação" é tão grande. Estudos da Universidade Estadual de Nova York mostram que entre 40% e 60% das pessoas sentem-se contagiadas pelo bocejo alheio

Publicado na Edição 36 - 02/2005 – http://www.mundoestranho.abril.com.br/ ________________________________
Bocejo tem relação com empatia entre pessoas, diz estudo
O ato de bocejar está associado à habilidade das pessoas de demonstrar empatia entre elas e por isso seria contagioso, diz uma pesquisa feita por cientistas japoneses. A nova teoria surgiu de um estudo realizado na Universidade de Birkbeck, de Londres, com 24 crianças portadoras de transtornos autistas e 25 com "desenvolvimento típico".

Os pesquisadores observaram que crianças com autismo bocejaram menos do que as outras ao assistirem vídeos em que adultos aparecem bocejando.

Segundo os especialistas, isso aconteceria porque o bocejo “contagioso” e a empatia entre as pessoas têm mecanismos neurológicos semelhantes, e o autismo é uma desordem que afeta seriamente a interação social e o desenvolvimento da habilidade de comunicação dos indivíduos.

Sintomas do autismo

"Se o bocejo é relacionado à capacidade de transmitir empatia, então é possível que os indivíduos com autismo, cuja demonstração de empatia é prejudicada pelo problema, demonstrem os sintomas da doença ao não se contagiarem pelo bocejar dos outros", explicou o professor Atsushi Senjo, que liderou o estudo.

“Alguns especialistas em primatas e psicólogos sustentam que o bocejo contagioso funciona usando o mesmo princípio da capacidade de demonstrar empatia, mas outros psicólogos argumentam que o contágio é um simples reflexo.”

"Nossa pesquisa confirma as previsões da teoria da empatia ao revelar que indivíduos com desenvolvimento atípico do relacionamento com os outros não se contagiam pelo bocejo das outras pessoas", afirma.

Muitos animais com coluna vertebral bocejam espontaneamente, sendo que somente os humanos, chimpanzés e outras espécies de primatas sofrem de bocejo "contagioso".

Recentemente, pesquisadores americanos disseram que o efeito "contagioso" do ato de bocejar seria um mecanismo para ajudar um grupo de pessoas a se manter alerta.

Referência:
www.bbc.co.uk/portuguese/reporterbbc/story/2007/08/070817_bocejoempatia_fp.shtml

quinta-feira, 11 de outubro de 2007

Dementadores à vista, marujo!

Por Kleber Godoy

Há uma névoa no ar. Serão os dementadores de J. K. Rowling? O que desencadeia o frio existencial, esse vazio que abarca pessoas no mundo todo? Talvez as soluções existenciais que são propostas pela sociedade de consumo e pelas novas formas de entretenimento, não sejam suficientes.

O que determina a felicidade? No segundo texto, há grande embasamento para a ampla teoria do psicanalista Alfred Adler, sobre a importância da socialização. Tomei a liberdade de colocar negrito em frases e parágrafos que achei importante destacar. Inclusive é o melhor texto baseado em fatos que já li a abordar tão consistentemente a sociedade de consumo, a vida do ser humano na pós-modernidade e a velocidade que se deve acompanhar para não ficar para trás. Tudo isso claro, em detrimento da felicidade, sempre protelada.

De outro lado, talvez escritores como Rimbaud e Lord Byron sempre estiveram certos ao falar da condição humana de viver o martírio e o castigo...

__________________________________________________
Uma pessoa se suicida a cada 30 segundos no mundo
(em http://br.noticias.yahoo.com/s/afp/070910/mundo/oms_suic__dios_1)

GENEBRA (AFP) - Cerca de 3.000 pessoas se suicidam por dia no mundo, uma a cada 30 segundos, alertou nesta segunda-feira a Organização Mundial de Saúde (OMS) por ocasião do Dia Mundial de Prevenção do Suicídio.

Para cada pessoa que acaba com a própria vida, pelo menos 20 outras fracassam em sua tentativa.

A organização assinalou que o trauma emocional que causa um suicídio no meio da família ou dos amigos do suicida, seja fracassado ou concretizado, pode durar vários anos.

"A porcentagem de suicídios aumentou de 60% no mundo durante os últimos 50 anos e o aumento mais forte foi registrado nos países em desenvolvimento", acrescentou a organização.

O suicídio é atualmente a terceira causa de mortalidade entre os 15 e os 34 anos, se bem que a maioria dos suicídios é cometido por adultos.

A OMS também destacou como cada vez um número maior de idosos acabam com suas vidas.

Para lutar contra o suicídio e colocar em andamento estratégias de prevenção é importante, segundo a OMS, acabar com os tabus e abordar o tema abertamente.

"É preciso que o suicídio não seja considerado um tabu ou o resultado de crise pessoais ou sociais, e sim um indicador de saúde que evidencia os riscos psicossociais, culturais e meio ambientais suscetíveis de prevenção", afirma a OMS.

__________________________________________________
Mais ricos e menos felizes
A falta de tempo para a família e os amigos e a sensação de insegurança diminuem o bem-estar emocional que o dinheiro pode trazer

Esteban Hernández / Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves
Retirado do Site Uol em 19/08/2007

Em "A Corrosão do Caráter", Richard Sennett, o mais famoso sociólogo contemporâneo, comparou os estilos de vida de Enrico, imigrante italiano que trabalhava limpando escritórios em Chicago e cujo principal objetivo era poupar o dinheiro necessário para comprar uma casa digna e garantir um futuro melhor para sua família, e o de Rico, filho dele e submetido à vida flexível pós-moderna, às viagens constantes, à instabilidade no emprego e que, no entanto, gozava de um nível de vida elevado. Uma mudança tão acentuada, evidente a um simples olhar e refletida em inúmeras marcas físicas, psíquicas e sociais, não parece ter resultado tão positivo quanto se poderia esperar. Segundo um estudo da Universidade de Siena (Itália), dirigido pelo professor de economia política Stefano Bartolini, os americanos viveram um declínio apreciável em sua qualidade de vida, afetada principalmente pela deterioração das relações sociais e pelo aumento das horas de trabalho, e hoje são muito menos felizes do que há 30 anos.

Até poucas décadas atrás, na Espanha, se observavam esses dados à distância, como se fizessem parte de processos que só ocorriam em países com uma carga de ansiedade social muito maior que a nossa. Éramos pobres, mas vivíamos em termos cotidianos muito melhor que os frios e ricos países do norte da Europa. É claro que os relatórios atuais não parecem confirmar uma impressão que, apesar de tudo, parece continuar vigente na área mediterrânea. Em "O Primeiro Mapa-múndi da Felicidade", estudo dirigido pelo psicólogo social Adrian White, da Universidade de Leicester, e no qual foram compilados dados de 177 países, aqueles com maior índice de bem-estar emocional são Dinamarca, Suíça, Áustria, Islândia, Bahamas, Finlândia e Suécia. Os EUA são o 23º e o Reino Unido o 41º. A Espanha está em 46º lugar.

Em outras palavras, aconteceu conosco o mesmo que com Enrico e seu filho? Passamos em poucas décadas de um país pobre mas feliz, com um clima que favorecia relações sociais fortes, laços familiares sólidos e um sentido estreito de solidariedade, a outro muito mais disperso, com pessoas fechadas em si mesmas e com redes sociais frágeis? Trocamos felicidade por bem-estar material?

Sem dúvida os processos vividos em nosso país não são substancialmente diferentes dos ocorridos na Europa ocidental, onde as questões materiais deram lugar a aspectos muito mais relacionados à vida privada, indica Josep Maria Blanch, catedrático de psicologia social da Universidade Autônoma de Barcelona. "Quando os problemas de subsistência deixam de ser os que mais preocupam em um país, costumam tomar seu lugar os relacionados à qualidade das relações humanas. Os que hoje dispõem de maior status econômico também são os mais pobres em tempo. Assim, não temos energia disponível para as relações familiares, para cuidar dos filhos e para a vida social, o que faz nossa qualidade de vida decair".

Como medir a felicidade?

O grau de felicidade tem muito a ver com o bem-estar emocional, e este está intimamente relacionado à qualidade das relações sociais. Mas é o fator essencial? Como se pode medir a felicidade? Segundo Amado Peiró, professor do departamento de análises econômicas da Universidade de Valência, os elementos a considerar são: "A saúde, já que existe uma forte associação direta entre esta e a felicidade; o estado civil, pois os casados são mais felizes que os solteiros e muito mais que os viúvos, separados ou divorciados; e a idade, já que a felicidade decresce com o tempo até alcançar um mínimo na década dos 40 para remontar posteriormente". Outros fatores de aparente importância, como o sexo, o número de filhos, o tamanho da cidade em que se vive ou o nível de estudos "são variáveis que não estão praticamente associadas à felicidade".

Embora o principal indicador pareça ser o nível material, que aparece altamente valorizado nas pesquisas, tanto de uma perspectiva coletiva como individual. Assim, em "O Mapa-múndi da Felicidade", são os países de maiores recursos que ocupam os primeiros lugares. E seu diretor, Adrian White, afirmou que se poderia deduzir da pesquisa que, ao contrário do que afirma a psicologia social contemporânea, a principal causa da infelicidade é a pobreza. Segundo Peiró há três afirmações que podem ser consideradas certas no que se refere ao peso do nível econômico: "Em um país e em determinado momento, as pessoas de renda maior são mais felizes que as de renda menor, mesmo que a diferença não seja muito grande; em segundo lugar, os cidadãos de países com renda elevada apresentam geralmente um maior nível de felicidade que os de países de baixa renda; e por último, ao longo do tempo, os aumentos na renda dos cidadãos de um país não se traduzem em aumentos de seu nível de felicidade. Por exemplo, um país desenvolvido pode triplicar sua renda per capita ao longo de três ou quatro décadas e, no entanto, o grau de felicidade de seus cidadãos não variar".

Blanch concorda. Para ele, é significativo que nos EUA na década de 1990 o Produto Interno Bruto tenha crescido 30% e, no entanto, os níveis de bem-estar percebido e de satisfação com a própria vida tenham baixado substancialmente. "Todos tendemos a concordar que para conseguir esse maior poder econômico as pessoas precisam ocupar muito mais tempo, o que termina erodindo um elemento chave, o da qualidade da vida social. Há povoados com um nível de vida médio que são mais felizes, pois compensam a menor renda com uma vida social intensa e agradável".

Mas ao se levar em conta a realidade das respostas dos pesquisados é preciso avaliar uma série de constantes, explica Juan Díez Nicolás, catedrático de sociologia na Universidade Complutense de Madri e membro da World Values Survey, associação que publica a cada cinco anos a Pesquisa Mundial de Valores. "Há duas regras de ouro. A primeira é que a maioria das pessoas tende a se identificar como felizes, seja qual for sua situação: nas sociedades atuais, onde existe uma suposição segundo a qual quem tem talento e trabalha duro triunfa, quem não é feliz está admitindo uma espécie de fracasso". Em conseqüência, para um exame correto, é preciso levar em conta o conjunto de respostas: "Uma pessoa considera a si mesma bem, avalia sua situação pessoal como melhor que a do país e melhor ainda a de seu país em relação ao mundo". Igualmente, os fatores temporais precisam ser postos em perspectiva: "A avaliação do presente costuma ser melhor que a do passado, e a do futuro melhor que a do presente".

O futuro

E é exatamente na ruptura dessas regras que se pode apreciar melhor o aumento da infelicidade. De um lado, porque os cidadãos percebem o mundo como cada vez menos confiável e mais perigoso. E ao mesmo tempo porque o futuro já não é visto como o momento em que se concretizarão os desejos presentes. Pelo contrário, o futuro está se desenhando, sobretudo na vida privada, com características muito instáveis. Como indica Blanch, "convivem em nossa época a esperança de um tempo melhor com o medo de perder algumas coisas que havíamos conseguido".

Para Josetxo Beriain, professor de sociologia da Universidade Pública de Navarra, essas mudanças são mais um sinal da ambivalência da modernidade: "Tomamos como valores essenciais a velocidade e a aceleração e acabamos vivendo uma certa tirania do presente; ou possuímos grandes avanços técnicos que podem acabar nas mãos de terroristas como instrumentos de enormes massacres". Mas onde se dão as maiores contradições "é no trabalho e na família, os grandes espaços sociológicos, que é onde realmente se mede o estado das coisas. E podemos falar que na família contemporânea há mais liberdade, que a mulher pôde se emancipar e que podemos escolher melhor com quem queremos conviver. Mas ao mesmo tempo a família como colchão de segurança permanente, como couraça que nos protegia, como segurança social, está se deteriorando. Transformações equivalentes estão acontecendo no ambiente de trabalho, onde passamos de uma sociedade baseada na linearidade e na melhora progressiva para outra sustentada na insegurança permanente, como afirma Josep María Blanch. "Essa incerteza cria muitas dificuldades para planejar o futuro e para ver a vida com tranqüilidade. Mas ao mesmo tempo há um segmento de profissionais que desfruta e tira proveito dessa nova situação".

O terceiro aspecto paradoxal de nossos tempos aparece no consumo. Cada vez possuímos mais bens, gastamos mais com eles, desejamos com maior intensidade aumentar nossas propriedades, e, no entanto, os objetos não parecem melhorar nosso nível de felicidade. Pelo contrário: segundo Luis Enrique Alonso, catedrático de sociologia da Universidade Complutense de Madri, "os consumos particulares sempre nos deixam no âmbito da insatisfação. Quando os projetos vitais eram baseados no mundo do trabalho, alguém podia dizer 'sou economista, ou advogado, ou médico' e tinha um lugar de sentido definido. Agora, se alguém diz 'tenho o último ipod, logo sairá o superipod. É que o consumo vive das expectativas frustradas". E, embora possa parecer contraditório, "uma sociedade precária consome muito, geralmente animada por um entorno de comparações inter-subjetivas que sempre nos causa infelicidade".

Esse conjunto de transformações também foi objeto dos discursos políticos. A tensão entre o crescimento macroeconômico e o declínio do bem-estar privado foi abordada por David Cameron, o líder conservador britânico, que afirmou no início do ano que estava na hora de admitirmos que "na vida há algo mais que o dinheiro; além do Produto Interno Bruto devemos nos concentrar nos indicadores de bem-estar geral". Cameron quis salientar assim a necessidade de ações públicas que reforcem "a beleza de nosso ambiente, a qualidade de nossa cultura, e acima de tudo a força de nossas relações". O que pode parecer uma colocação paradoxal. Desde logo, porque é incomum que a política contemporânea pretenda entrar em assuntos privados, segundo afirma José Luis Ayllón, secretário de comunicação do Partido Popular especial. Ramón Jáuregui, deputado do Partido Socialista, concorda: "A política deve criar uma base de bem-estar, ajudar na convivência e a encontrar um equilíbrio entre liberdade e segurança. Essa é a sua base. Quando quer ir além, é preciso ser muito prudente. Esse é o caso da reivindicação da felicidade, algo muito pessoal, como aspiração política".

No entanto, a maioria dos programas partidários está tentando adequar suas respostas a mudanças sociais de grande profundidade, e que cada vez mais se referem a fatores intangíveis, a atitudes privadas que passam a ser objeto de ações públicas. É o caso da incerteza. No pessoal, como indica Concepciò Garriga, psicoterapeuta psicanalítica, "a insegurança faz parte de nossa realidade cotidiana e tentamos limitá-la onde podemos e com as ferramentas de que dispomos. E isso mesmo sabendo que é impossível ter tudo sob controle". No campo político, enfrentar essas novas situações foi parte central das propostas ideológicas dos últimos tempos. Segundo Ayllón, "ninguém mais espera entrar para uma empresa aos 18 anos e se aposentar na mesma aos 65. Hoje o futuro começa a cada dia e isso obriga a novos desafios. Por isso promovemos a reforma permanente, a necessidade de dinamismo; não podemos esperar que as oportunidades passem pela porta de casa; é preciso ir buscá-las".

Nessa ordem, o preparo é uma boa metáfora do que deve ser a vida contemporânea. "É preciso ter uma formação mínima indispensável, que deve ser complementada com a necessidade permanente de aumentar os conhecimentos ao longo da vida; se for possível ter duas profissões, é melhor que uma, e dominar três idiomas é melhor que dois". Nessas lições de casa também estão metidos os partidos políticos, segundo Ayllón. "Precisamos ser muito rápidos: as pessoas pedem que se esteja um passo à frente do que acontece e que se busquem fórmulas para ajudá-las em um ambiente confuso, no qual está havendo uma mudança brutal. Antes vivíamos uma mudança tecnológica a cada geração; agora ocorre a cada mês. De modo que, se você se torna conservador por dez minutos na sociedade atual, está perdido; é preciso estar sempre fazendo reformas, que é o que lhe permitirá se encontrar na posição de aproveitar as oportunidades que se apresentem".

Pressão contínua

Nesse mundo de pressão contínua, é básico, segundo Garriga, "saber reconhecer a própria responsabilidade nas trajetórias que se constroem, saber discriminar bem de que se depende para poder desenvolver-se. Quando se sabe afinar bem as próprias forças e capacidades, há menos possibilidades de frustração". E em boa medida essa perspectiva psicológica constrói muitas das visões políticas do presente. É o caso do "socialismo do século 21", como aponta Ramón Jáuregui: "Estamos ampliando os direitos, desde a agilização do divórcio até os novos casamentos, passando pelo reconhecimento dos indivíduos submetidos às oscilações do mercado, como os autônomos forçados ou dependentes. Mas isso não pode ser discutido sem levar em conta seu corolário: a ampliação da responsabilidade. A cidadania precisa ser responsável, e para isso é preciso carregá-la de deveres, deve haver prêmios e castigos. Essa é a base de uma cidadania informada, madura, capaz e responsável".

No entanto, além da configuração de propostas programáticas, não parece que a felicidade seja um assunto que possa ter incidência eleitoral. Exceto que, como indica Marcos Magaña, sócio-diretor da empresa de comunicação No Line, "se saiba traduzir aspectos próximos. É o velho problema do macro e do micro. Assim como os indicadores de um país não interessam muito às pessoas se não lhes mostrarmos que as afetam, a referência à felicidade só poderá ser útil se o eleitor perceber essas idéias como algo próximo, que afeta sua vida cotidiana". Mas com uma precaução: "É verdade que quanto mais bem-estar existe mais medidas se oferecem, que quanto mais passos dá uma sociedade mais sofisticadas são as propostas oferecidas. Mas o que as pessoas querem é que os políticos solucionem os problemas essenciais, e não costumam suportar muito bem que comecem a regular sua vida privada".


segunda-feira, 8 de outubro de 2007

“Quer namorar comigo?”... via internet!!

Por Kleber Godoy

Os avanços tecnológicos proporcionados pelo capitalismo e pela sociedade pós-moderna ajudaram o ser humano a transpor barreiras, principalmente em termos de tempo e espaço. Estou aqui em meu computador escrevendo um texto para o meu site e em instantes qualquer pessoa do mundo poderá ler o que escrevi. Realmente fantástico se pensarmos pelo ângulo da mente de nossos avós. Mas tudo isso gera novas formas de se criar vínculos entre as pessoas e então vem a pergunta: até onde isso é sadio?

Os textos abaixo mostram dois interessantes casos reais, recentes, que foram facilitados pela Internet, ambos com um teor trágico. Mas para contrastar com elas posso falar da minha própria vida e dizer que não é a mudança que a tecnologia proporcionou que comanda as nossas vidas, mas sim como nós fazemos uso destas novas formas de se criar vínculos. Para mim, a internet, se bem utilizada é um instrumento fantástico de interação e comunicação. Logo, falando em termos de pesquisa científica, em todas as áreas, hoje é possível a produção de pesquisas científicas com muito mais rapidez que antes, mesmo porque há como se pesquisar referências de produções já feitas no mundo todo em segundos através de ferramentas como o http://www.google.com.br/, assim como a comunicação entre pesquisadores se tornou mais rápido e com baixíssimo custo, haja vista os e-mails que substituem, nesse caso, o telefone.

Enfim, as argumentações são inúmeras e mostram que é o uso que se faz de tal ferramenta é que vai dizer o que vai dar no final da história. E nas relações afetivas, me expondo um pouco (risos), o que posso falar? Bem, falar que conheci meu namorado pela internet e que esse encontro já tem vários anos é mais que uma ilustração positiva do bom uso da informática, não? Isso sem falar em meus amigos, conhecido por meio da virtualidade, mas com um afeto puramente humano.

Enfim, vamos aos textos ilustrativos e, ao final destes, faço algumas considerações. Ambas as notícias foram retiradas do Portal Terra (http://www.terra.com.br/).

_________________
Casal descobre ser amante um do outro na web e se divorcia

Um casal bósnio está se divorciando, depois de descobrir que um traía o outro em chats na Internet. Detalhe: eles começaram o relacionamento virtual usando pseudônimos, e só descobriram a verdade quando combinaram um encontro real com os "novos parceiros".

Sana Klaric, 27 anos, e seu marido Adnan, 32, usavam os nomes de "Sweetie" e "Prince of Joy" em salas de bate-papo. Conheceram-se e iniciaram uma relação, confidenciando-se mutuamente os problemas que tinham em seu casamento. Os dois, de acordo com reportagem publicada no site Metro.co.uk, estavam convencidos de terem finalmente encontrado sua alma gêmea.

Então, resolveram marcar um encontro real para se conhecerem e descobriram a verdade. Agora, o par está em processo de divórcio, e um acusa o outro de ter sido infiel.

"De repente, eu estava apaixonada, era maravilhoso, parecia que ambos estávamos amarrados no mesmo tipo de casamento infeliz", contou Sana. "Depois, me senti tão traída", disse.

Adnan, continua sem poder acreditar no que aconteceu. "É difícil pensar que Sweetie, que escreveu coisas tão maravilhosas para mim, é na verdade a mesma mulher com quem me casei e que, por anos, não foi capaz de me dizer uma única palavra agradável".

_________________
Homem perde R$ 65 mil em sites de namoro

Um homem perdeu 16 mil libras, cerca de R$ 65 mil, depois de enviar o dinheiro para mulheres que conheceu via Internet e que nunca apareceram. David Hodkinson, de Margate, Kent, na Inglaterra, colocou seu perfil em um site de namoro e foi chamado por uma russa chamada Natalia, de acordo com a vunet.

Hodkinson enviou 10 mil libras para que a mulher pudesse obter um visto e comprasse passagens para encontrá-lo na Inglaterra. Depois de receber uma série de datas de chegada, ele fez quatro viagens a Heathrow para encontrá-la. "Não sinto raiva no coração. Eu realmente a amava", disse Hodkinson à BBC.

Hodkinson depois tentou um outro site de namoro, para cristãos, e começou a conversar com uma senegalesa. Ele enviou 6 mil libras para ela, mas essa mulher também nunca apareceu.

O inglês pegou dinheiro emprestado de sua mãe, já idosa, e fez uma segunda hipoteca de sua casa para conseguir dinheiro e enviar para as mulheres. Sua mãe, agora, está fazendo um empréstimo para livrar o filho das dívidas. "Eu falei para ele deixar de ir a Heathrow. Eu sabia no meu coração que elas nunca apareceriam, mas ele não me escutava", declarou a senhora.
_________________________________________________
_________________________________________________
Novas formas de comunicação, sites de relacionamento como o http://www.orkut.com/ e uma imensidade de sites que abarcam desde desenhos animados até sexo, legalidades e ilegalidades. Pode-se namorar, pode-se fazer compras sem sair de casa e pode-se até mesmo fazer sexo... pela internet (algo até mais seguro quando se fala em saúde, não é mesmo? - Risos...).

Mas quem continua mandando nisso tudo é o próprio homem.

No primeiro texto, acho que a conotação dada pode ser positiva visto que o casal poderia ficar junto (o que vocês acham?), já que o as coisas não iam muito bem entre eles e voltaram a se apaixonar.

"É difícil pensar que Sweetie, que escreveu coisas tão maravilhosas para mim, é na verdade a mesma mulher com quem me casei e que, por anos, não foi capaz de me dizer uma única palavra agradável".

Eu achei lindo, mesmo porque é essencial esse “reapaixonar-se” diário, aceitando as falhas do outro e aceitando as próprias falhas, se humanizando e humanizando o outro, aproiveitando estas angústias para o crescimento interno e do vínculo afetivo que existe. Winnicott nos ensina muito sobre estas aceitações. Mas... sem muitas considerações sobre isso. A psicanálise adoraria trabalhar este caso!! (risos)

Eles viviam as mesmas angústias, mas não havia comunicação. Até minha mãe que não é psicanalista disse: “eles se identificaram...”.

O segundo texto. Magnífico... "Não sinto raiva no coração. Eu realmente a amava". Nem sei o que comentar!! Sobre carência afetiva no mundo atual? Sobre como a internet dá uma ilusão de que há mais proximidade entre as pessoas? Ou em como a internet REALMENTE aproxima as pessoas? Sobre os novos sintomas que são proporcionados pela comunicação virtual? Em como as pessoas se sentem menos sozinhas sabendo que tem o mundo todo ali no seu quarto e é só conectar à internet para entrar em contato com todas essas pessoas? Pense você...

Encerro hoje com um suspiro... foi ótEEEEmo para mim estar aqui e escrever, falar sobre esse assunto. Foi bom pra você??

quinta-feira, 4 de outubro de 2007

O Voar do pássaro

Por Kleber Godoy

“Segundo Fontoura (1970, Pag 02) toda criança tem a necessidade de ser ativa como o pássaro tem a necessidade de voar. Dizer para a criança "não seja ativa!" é o mesmo que dizer para o pássaro "não voe!", assim sendo, o papel da psicologia escolar é propiciar ao máximo o desenvolvimento da personalidade, criatividade e da percepção da criança, em um ambiente capaz de despertar todos estes fatores.”

O trabalho abaixo consta do nome dos autores. Achei um trabalho muito interessante, apesar de não conhecer muito ou até mesmo não me identificar tanto com a psicologia escolar, por enquanto. Mas sou um curioso e acho interessante o processo de aprendizagem e o papel do professor no desenvolvimento infantil. Mesmo porque a psicologia da aprendizagem está diretamente conectada com a psicologia do desenvolvimento. Bem, parece um texto mais “profissional”, mas espero que também possa ser agradável e útil a mães e... enfim... todos os leitores. Afinal, este tipo de texto deve se referir mesmo à realidade.

_______________________________________
SE VOCÊ BRINCA, EU TAMBÉM BRINCO!
Fonte: http://www.faesi.com.br/ - autorizado pelas autoras do trabalho

RESUMO: Este artigo aborda o “brincar” como instrumento de ensino e aprendizagem, visando um desenvolvimento global abrangendo aspectos, físicos, cognitivos e afetivos. No brincar esta presente o uso da abstração e da construção, que leva a criança a conceber um mundo seu, repleto de simbolismos e significados, se engana quem pensa que as crianças estão apenas se divertindo neste momento. O brincar e o brinquedo propriamente dito correspondem na verdade umas das necessidades da vida social. A criança brinca do modo que a convém livre de regras e princípios, e assim ela revive situações, exprime sentimentos e aflições assim como seus desejos. O brincar proporciona motivação, prazer e felicidade, conseqüentemente a criança aprende e desenvolve suas habilidades. Por ser o brinquedo um instrumento com funções definidas ou não, o brincar (ação com o brinquedo) destaca-se por construir uma relação direta no desenvolvimento da criança. Assim, diante da complexidade e da importância do brinquedo, foi feito um levantamento frente às possibilidades que a brincadeira desencadeia para a construção e reconstrução de conhecimentos, contribuindo diretamente com a práxis do professor no processo de ensino e aprendizagem.

PALAVRAS-CHAVE – brincar; professor; criança; educação infantil; aprendizagem.

Considerações iniciais: O brincar, na Educação Infantil, possui um papel fundamental na conquista da autonomia e aprendizagem da criança. É por meio das brincadeiras que ela cria um mundo imaginário repleto de significados, podendo expressar suas angústias e desejos, compreendendo um pouco mais sobre o meio em que está inserida. De acordo com PAGANI (2003, p. 12), “toda criança brinca porque gosta. Para as que ainda não falam, brincar é uma forma de expressar o que estão sentindo, suas experiências e vivências interiores. Brincar, para a criança é tão vital quanto comer e dormir”. Além de estar fazendo algo que gosta, entrando em um mundo imaginário e de faz de conta, a criança vai explorando o mundo e suas vivências, compreendendo e dominando seus significados. Em outras palavras, está desenvolvendo sua oralidade, percepção espacial, afetividade e socialização. Considerando as possibilidades educativas que envolvem o brincar, podemos direcionar objetivos em relação a aspectos psicológicos, a interação, socialização, preconceitos, lideranças e personalidades. O desafio de pesquisar as diferentes formas de utilizar o brinquedo como instrumento de ensino visando uma aprendizagem lúdica na Educação Infantil teve como sujeitos envolvidos a turma do maternal, de idades que variam de dois a três anos, do Centro de Educação Infantil Carolina Barela. Abordaremos neste artigo a importância de utilizarmos o brinquedo em sala de aula, pois, assim, as crianças aprenderão, brincando. Atividades dinâmicas de motivação, a utilização de jogos pedagógicos, bem como os momentos de socialização e afetividade oportunizarão a aprendizagem por meio de um mundo imaginário, mundo do “faz de conta”. A pesquisa que realizamos foi bibliográfica e de estudo de caso. Utilizamos os métodos observacionais e dialético para abranger o registro das situações vivenciadas na sala de aula que observamos. Partimos do princípio de que a pesquisa estava situada no âmbito de um estudo qualitativo, sob uma perspectiva explicativa. Os registros das observações foram feitos no diário de campo, bem como as entrevistas com a professora regente da turma. Acreditamos que a pesquisa resultou na vivência de uma prática embasada na teoria, e principalmente na possibilidade de proporcionar as crianças atividades motivadoras, saudáveis, abrangendo os aspectos afetivos e cognitivos, facilitando o contato entre professor e aluno.

Brincar, cuidar e educar: Sabemos que a criança que brinca desenvolve sua oralidade, sua capacidade de associar, sua percepção espacial, a afetividade, a socialização, enfim, sua visão e compreensão de mundo. Isso é maravilhoso! Acreditamos que se permitirmos às crianças que brinquem e se expressem através de jogos e brincadeiras, estaremos nos permitindo novas práticas e formas de avaliação, principalmente de estivermos mais próximos e íntimos dos desejos de nossos alunos. É possível a todo ser humano construir o seu saber, brincando. Já fomos crianças e é muito bom lembrar da infância, das brincadeiras e das descobertas feitas através das mesmas. A brincadeira é o caminho para que a criança possa viver sua infância de forma plena e intensa. De acordo com GARCIA & MARQUES (1990, p. 11) “a infância é a idade das brincadeiras. Por meio delas, as crianças satisfazem grande parte de seus desejos e interesses particulares. O aprendizado da brincadeira pela criança, propicia a liberação de energias, a expansão da criatividade, fortalece a sociabilidade e estimula a liberdade do desempenho”. Permitir que às crianças a brincadeira é garantir seu pleno e sadio desenvolvimento em todos os aspectos: cognitivos e afetivos. É a maneira mais completa de motivar, de manter a concentração e de aprender sempre mais com as descobertas. Em toda instituição de Educação Infantil existe a responsabilidade de cuidar/educar as crianças pequenas, representando um desafio para as mesmas. Por ser um ambiente diferente do que ela está habituada a conviver, a escola precisa ser um local agradável, que propicie prazer e segurança para que possa interagir e criar confiança e autonomia. Não há como desvincular o ato de cuidar do de educar, pois ambos estão intimamente relacionados e andam lado a lado. Com a criança pequena, este educar não pode ser feito de qualquer jeito. O educar precisa fazer parte do seu mundo, ou seja, um mundo cheio de fantasias e imaginação. Portanto, a educação, neste contexto, nada mais é do que brincar de descobrir relações estruturando a realidade, socializando-se e trocando experiências. O papel das instituições infantis está bem à frente do paradigma de apenas cuidar. Hoje, o papel da educação infantil é visto como a base da formação do indivíduo, desenvolvendo as habilidades que ele carregará pela vida inteira. Dito de outra forma, desenvolver as habilidades de se expressar de diferentes maneiras, de resolver problemas, de assumir diferentes papéis, de usar a criatividade e a imaginação em situações de conflitos, de ser crítico e construtor de seu conhecimento. Segundo GARCIA & MARQUES (1990, p. 11) “a infância é a idade das brincadeiras. Por meio delas, as crianças satisfazem grande parte de seus desejos e interesses particulares. O aprendizado da brincadeira, pela criança, propicia a liberação de energias, a expansão da criatividade, fortalece a sociabilidade e estimula a liberdade do desempenho”. Levando em consideração o que foi citado pelos autores, podemos refletir sobre a maneira como “o brincar” é indispensável no desenvolvimento cognitivo e afetivo da criança. O ato de educar se dá a medida em que são estabelecidas as relações entre a realidade vivida e o que está sendo representado (o faz de conta). Em todo o processo descrito acima, o educar serve como mediador indicando e esclarecendo dúvidas e expectativas. Segundo CAMPOS (1994, p. 11) “a educação de crianças pequenas inclui todas as atividades ligadas à proteção e ao apoio necessários ao cotidiano de qualquer criança, como também a aquisição de diversos tipos de habilidades, entre as quais estão aquelas necessárias ao desenvolvimento cognitivo e social”. Precisamos quebrar os tabus sobre as instituições de educação Infantil, reconhecendo a importância de três aspectos básicos: cuidar, educar e brincar! É direito de toda criança ter acesso a uma educação que lhe proporcione segurança, bem estar e que amplie seu conhecimento de mundo, garantindo-lhe uma formação global e uma infância mais feliz.

O brincar e o desenvolvimento da aprendizagem: As crianças costumam dedicar grande parte de seu tempo às brincadeiras. É brincando que se constituem enquanto indivíduos conquistam suas primeiras relações com o mundo exterior e entram em contato com os objetos, permitindo-lhes várias possibilidades de expressão e criação. Para VYGOTSKY (1989, p. 35) “o brincar é o caminho pelo qual a criança compreende o mundo em que vive e que será chamada a mudar. A essência do brincar é a criação de uma nova relação entre o campo do significado e o campo da percepção”. Através da brincadeira a criança desenvolve uma série de habilidades. Ela passa a compreender o mundo que a rodeia, dando-o significados e interpretando-o de maneira particular. A criança que brinca estará desenvolvendo sua linguagem oral, sua interpretação e associação, assim como as habilidades auditivas e sociais. Ela começa a adquirir motivação, habilidades e atitudes para sua sociabilidade e autonomia. Para KISHIMOTO (1996, p. 44) “as brincadeiras permitem que a criança desenvolva capacidades importantes, tais como a atenção, a imitação, a memória, a imaginação, além de favorecer a socialização, por meio da interação, da utilização e da experimentação de regras e papéis sociais”. O brincar cria oportunidades para que as crianças possam experimentar o mundo e internalizar uma compreensão particular sobre as pessoas, os sentimentos, os acontecimentos e sobre si mesma. É o canal de expressão da linguagem verbal, das experiências vividas e da interpretação da realidade. Através da brincadeira a criança explora os objetos a sua volta, tem noções de tamanho, de cor, de textura, de quantidade, de espaço, de esquema corporal, bem como simboliza seus desejos e aptidões revelando angústias e superando bloqueios. Em síntese, o ato de brincar desenvolve habilidades de forma natural e agradável, proporciona a aquisição de novos conhecimentos, é estimulante e desenvolve as partes motoras, sociais, emocionais e cognitivas das crianças. O ato de brincar inclui jogos, brincadeiras e o "brinquedo" propriamente dito. Por isso, vamos brincar e deixar as crianças brincarem, pois brincando elas estão aprendendo e são mais felizes!

O papel do professor e o brincar: O professor, no seu papel de mediador, deve proporcionar situações em que as crianças possam desenvolver suas habilidades. Para isso, ele precisa saber o quer atingir, qual é seu objetivo perante a turma de alunos com que vai trabalhar. Muitas vezes, encontramos professores que vêem o brincar de forma equivocada, encaram este somente como recreação, sem um planejamento que integre essa atividade com as demais. Segundo SABINI & LUCENA (2004, p. 7) “uma abordagem teórica considera a criança como um organismo que cresce quase como uma planta, com a implicação de que contém, em si, a semente do adulto. Nesse caso, a tarefa dos pais e dos professores consiste apenas em fornecer o meio adequado para que essa semente possa florescer”. Apesar da riqueza de oportunidades de aprendizagem que as brincadeiras propiciam, o professor não pode pensar que a construção do conhecimento que a criança apresentará será a mesma desejada por ele. E, é nesse momento, que ele deve assumir a função de orientador, intervindo e conduzindo o pensamento e a aprendizagem de seus alunos. O papel do professor é proporcionar instrumentos e um espaço adequado (lúdico) onde a construção do conhecimento seja possível. Só será possível ao professor abrir espaço para o brincar e aprender de seus alunos, quando ele conseguir fazer consigo mesmo o que faz com seus alunos, ou seja, quando conseguir entrar no mundo fantástico do lúdico e brincar, juntamente com seus alunos, construindo o saber. O professor pode utilizar o momento da brincadeira para investigar seus alunos, prestando atenção às maneiras como as crianças organizam suas brincadeiras, escolhem os papéis que vão representar, dos gestos e palavras que vão desenvolver, quais os materiais que vão utilizar para montar a casa, o supermercado, entre outros, etc. Assim, poderá interagir com a criança representando um personagem mediando informações para que as crianças possam refletir e construir seu conhecimento. É importante a observação do adulto diante das situações vividas pela criança. Ele precisa estar disposto a conversar, intermediar e levantar problemas para que as crianças exercitem suas habilidades de criar hipóteses, refletir e construir conhecimentos. É preciso que o educador esteja atento às falas, gestos, escolhas, atitudes e produções das crianças. O professor, por sua vez, estará servindo de intermediário e colaborador, tornando seu trabalho mais completo e tendo uma visão mais ampla sobre cada um de seus alunos. Assim, poderá preparar situações pedagógicas diversas de acordo com as necessidades da turma, além de colaborar com uma infância de descobertas, alegria e superação.

Materiais e métodos: Para alcançar os objetivos propostos na pesquisa utilizamos o método observacional, pois é dinâmico e interpreta a realidade, sendo um dos métodos mais utilizados nas Ciências Sociais. Outro método científico utilizado foi o dialético, já que trata-se de um método de investigação da realidade pelo estudo de sua ação recíproca, ou seja, busca retratar a realidade de forma completa e profunda. A pesquisa foi embasada no materialismo histórico-dialético, sendo que os dados coletados jamais podem estar fora da realidade, pois é preciso levar em consideração o contexto social, político e econômico que os sujeitos pesquisados vivem. A pesquisa foi de caráter explicativo, pois visou explicar a razão dos fatos observados, de forma detalhada, objetiva e clara para atingirmos melhores resultados. Segundo ANDRADE (1999, p. 107), “esse é um tipo de pesquisa mais complexo, pois, além de registrar, analisar e interpretar os fenômenos estudados procura identificar seus fatores determinantes, ou seja, suas causas”. O problema de pesquisa foi abordado de forma qualitativa, pois considerou que há uma relação dinâmica entre o mundo real e os sujeitos da pesquisa. Esses estudos favorecem uma pesquisa mais ampla e completa, em que aparecem as tarefas da formulação clara do problema e das hipóteses como tentativas de solução. Os procedimentos técnicos utilizados foram a pesquisa bibliográfica e o estudo de caso. Segundo LÜDKE & ANDRÉ (1986, p. 17), o estudo de caso é o estudo de um caso, seja ele simples e específico, (...) ou complexo e abstrato. (...) O caso é sempre bem delimitado, devendo ter seus contornos claramente definidos no desenrolar do estudo. O caso pode ser similar a outros, mas é ao mesmo tempo distinto, pois tem um interesse próprio, singular. Segundo Goode e Hatt (1968), o caso se destaca por se constituir numa unidade dentro de um sistema mais amplo. O interesse, portanto, incide naquilo que ele tem de único, de particular, mesmo que posteriormente venham a ficar evidentes certas semelhanças com outros casos ou situações. Quando queremos estudar algo singular, que tenha um valor em si mesmo, devemos escolher o estudo de caso. Utilizaremos os seguintes instrumentos para coletar os dados da pesquisa: observação (assistemática, participante, individual e na vida real, pois os fatos foram observados em ambiente natural). O diário de campo foi utilizado para anotar as observações realizadas, bem como os dados obtidos a partir da entrevista feita com a professora regente da turma. Estas anotações serviram de base para as análises e interpretações dos resultados da pesquisa.

Vivenciando a prática pedagógica na Educação Infantil: Nossa pesquisa de cunho prático foi realizada com a turma do maternal no dia 31 de março de 2005, no Centro de Educação Carolina Barela, no Município de São Miguel do Iguaçu. Para a elaboração da aula, pedimos a sugestão da professora regente da turma do Maternal, que nos sugeriu que trabalhássemos os sentidos das crianças, dando ênfase ao olfato. Iniciamos nossa aula, com o filme do Chapeuzinho Vermelho, para que as crianças observassem os olhos bem grandes, a boca, o nariz do lobo etc. Em seguida foram distribuídos bonecos, onde as crianças tinham que apontar onde ficava o nariz, o olho, a orelha, a boca da boneca, e tocassem em si mesmos. Cantamos também a música dos sentidos e fizemos a dinâmica dos cheiros; onde passamos perfume nas crianças, depois passamos pó de café, casca de laranja, entre outros, perto do nariz para que sentissem os aromas e por ultimo oferecemos mel e suco de limão para que provassem e sentisse o sabor e a diferença entre o doce e o azedo. As crianças tiveram dificuldades para se concentrar no filme, porém nas outras atividades mostraram-se muito animadas e participativas principalmente na atividade com os brinquedos e ao cantarem a música. Concluímos então que as brincadeiras e tudo que é voltado para o lúdico, trazem mais motivação para a criança aprender, e surte muito efeito no que diz respeito à aprendizagem, foi então que resolvemos abordar o tema “brincar” como instrumento de ensino aprendizagem, pois conhecemos e vivenciamos na prática as maravilhas que a ludicidade oferece na Educação Infantil.

Considerações finais: Diante de todas as possibilidades que a brincadeira e o lúdico trazem para o processo de aprendizagem das crianças, acreditamos que essa é a forma mais saudável e motivadora para garantirmos um desenvolvimento global da criança, abrangendo os aspectos afetivos e cognitivos. Brincar é proporcionar ao educador o estabelecimento de um contato mais próximo com seus alunos, garantindo o sucesso em suas atividades pedagógicas, formando crianças mais felizes e compreensivas, capazes de refletir, criticar e transformar o mundo. Ficamos convencidas que o brinquedo é ótimo e eficaz como instrumento de aprendizagem trazendo inúmeras possibilidades e direcionamentos. Atingimos nossos objetivos e reconhecemos o quanto o brincar é importante e necessário para um desenvolvimento global, abrangendo aspectos físicos, cognitivos e afetivos da criança. É um modo de motivar, socializar, refletir e construir conhecimento. As atividades práticas, a música, as brincadeiras de roda, os jogos pedagógicos, são ferramentas eficazes no que diz respeito ao desenvolvimento da aprendizagem.

TCC – UNIGUAÇU – Paraná
Cíntia Maria Basso dos Santos
Greice Aparecida de Rosso
Janete Tonello Marques
Paula Cristina Chimim
Rosnete Maria Hübler Costa

REFERÊNCIAS

ANTUNES, Celso. O jogo e a educação infantil: falar e dizer, olhar e ver, escutar e
ouvir
. Rio de Janeiro: Vozes, 2003.

CRAIDY, Carmem Maria. O educador de todos os dias: convivendo com crianças de
0 a 6 anos
. 3. ed. Porto Alegre: Mediação, 2001.

MALUF, Ângela Cristina Munhoz. Brincar: prazer e aprendizado. 3. ed. Petrópolis, RJ: Vozes, 2003.

REDIN, Euclides. O espaço e o tempo da criança: se der tempo a gente brinca.4. ed. Porto Alegre: Mediação, 2003.

SABINI, Maria Aparecida Cória; LUCENA, Regina Ferreira. Jogos e brincadeiras na Educação Infantil. Rio de Janeiro: Papirus, 2004.

OBRAS CONSULTADAS

RODRIGUES, José Vicente Corrêa. Normas para apresentação de trabalhos acadêmicos da Uniguaçu. 2. ed. rev. e ampl. São Miguel do Iguaçu: Ed. UNIGUAÇU, 2004.