sexta-feira, 28 de setembro de 2007

Seria Tudo Ilusão?

Por Kleber Godoy

Hoje penso em publicar um texto interessantíssimo que encontrei em minhas navegações pela internet e que fez minha imaginação voar através do tempo e dos limites. Ele fala de estudos sobre a consciência e a percepção de um modo muito gostoso de se ler.

É realmente mágico como a nossa mente constrói e descontrói a realidade e como há uma “estreiteza” em nossa percepção: vemos muito menos do que tudo aquilo que nos chega, só uma pequena parcela nos chega à consciência.

Logo, na psicologia, os experimentos sobre temas que envolvem humanos, feitos com animais, são comuns, ou já foram muito comuns em sua história. E como exemplo vemos cavalos que resolvem equações matemáticas, ratos que são condicionados pelo seu ambiente (ou que condicionam o ser humano??), entre outros diversos exemplos. O texto coloca um papagaio que se torna atração científica... mas será tudo ilusão? Talvez o que eu esteja vendo agora não seja real, somente uma configuração do que meu percepto escolheu enxergar.

A impressionante universalidade do corpo humano, do poderoso cérebro que temos, demonstrado em nossas reações, sentimentos, individualidade e personalidade...

E me pergunto: suposições são fatos, mesmo quando comprovados? Eu existo? Você existe? (risos)

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A destreza da mente: quando a ciência encontra a mágica De George Johnson, The New York Times, em 27/08/07 (Tradução: George El Khouri Andolfato)





O motivo para ele ter me escolhido na platéia, insistiu Apollo Robbins, era o fato de parecer bastante envolvido, acenando com a cabeça e fazendo contato com os olhos enquanto ele e outros mágicos explicavam os truques do ofício. Eu acreditei nele quando me disse posteriormente, durante um jantar no Venetian, que não tinha percebido o crachá me identificando como escritor de ciência. Mas até aí todos acreditam no Apollo - enquanto ele remove habilmente sua carteira e chaves do carro e solta seu relógio.

Era uma noite de domingo na Las Vegas Strip, onde há pouco tempo a Associação para o Estudo Científico da Consciência realizou seu encontro anual no Imperial Palace Hotel. O último encontro da organização foi nos arredores sérios de Oxford, mas Las Vegas - a cidade das ilusões, onde a Estátua da Liberdade olha além de Camelot para a Esfinge - revelou ser o local perfeito. Após dois dias de apresentações por cientistas e filósofos especulando como a mente constrói e desconstrói a realidade, nós estávamos ouvindo profissionais: James (O Fantástico) Randi, Johnny Thompson (O Grande Tomsoni), Mac King e Teller - mágicos que intuitivamente dominaram algumas das lições que estão sendo aprendidas em laboratório sobre os limites da cognição e atenção.

"Não era apenas um grupo de artistas de qualidade mundial", disse Susana Martinez-Conde, uma cientista do Instituto Neurológico Barrow, em Phoenix, que estuda ilusões ópticas e o que dizem sobre o cérebro. "Eles foram escolhidos a dedo devido ao interesse específico deles nos princípios cognitivos por trás da mágica".

Ela e Stephen Macknik, outro pesquisador do Barrow, organizaram o simpósio, chamado apropriadamente de Mágica da Consciência.

Apollo, com seus olhos e mão, desviou minha atenção como uma luminária estilo "gooseneck", de forma que estava sempre apontada na direção errada. Quando ele parecia estar buscando algo no meu bolso esquerdo, ele estava retirando algo do direito. No final da apresentação, a platéia aplaudiu enquanto ele me entregava minha caneta, alguns recibos amassados e notas de dólar, assim como meu gravador de áudio digital, que estava em funcionamento o tempo todo. Eu não percebi que meu relógio tinha sido removido até o momento em que ele o retirou de seu próprio pulso.

"Ele é incrível", me disse Teller posteriormente enquanto partia às pressas para sua apresentação noturna ao lado de Penn no Rio.

Um tema recorrente na psicologia experimental é a estreiteza da percepção: quão pouco do alarido sensorial chega até a consciência. Mais cedo, antes do show de mágica, um neurocientista demonstrou um fenômeno chamado cegueira por desatenção com um vídeo feito pelo Laboratório de Cognição Visual da Universidade de Illinois.

No vídeo, seis homens e mulheres - metade deles de camisa branca e metade com camisa preta - estão trocando passes com duas bolas de basquete. É pedido aos espectadores que contem quantas vezes os membros de uma equipe, digamos a branca, conseguiram completar um passe, mantendo a bola fora do alcance da outra equipe. Eu segui fielmente as instruções e fiquei surpreso quando a cerca de 15 segundos de jogo, risadas começaram a surgir na platéia.

Apenas quando assisti uma segunda vez eu percebi a pessoa com roupa de gorila vindo da esquerda da cena. (O vídeo está disponível online em viscog.beckman.uiuc.edu/grafs/demos/15.html.)Apesar de sigilosos sobre informações específicas, os mágicos estavam tão interessados quanto os cientistas na discussão das ilusões cognitivas que se passam por mágica: disfarçar uma ação com outra, subentender informação que não está presente, explorar a forma como o cérebro preenche as lacunas - fazendo suposições, como colocou O Fantástico Randi, e as confundindo com fatos.

Soando mais como um professor do que um humorista e mágico, Teller descreveu como um bom mágico explora a compulsão humana de encontrar padrões, as impondo quando não estão presentes.

Na vida real, se você vê algo feito repetidas vezes, você o estuda e gradualmente pega um padrão", ele disse enquanto caminhava no palco segurando um balde de metal em sua mão esquerda. "Se você faz isto com um mágico, às vezes é um grande erro".

Tirando uma moeda atrás da outra do ar, ele as jogava, uma após a outra, tunc, tunc, tunc, dentro do balde. Assim que a platéia começava a perceber - de alguma forma ele estava escondendo as moedas entre os dedos - ele exibia sua palma vazia e, tunc, jogava outra moeda dentro do balde e então pegava outra em meio ao cabelo grisalho de um cavalheiro. Para o clímax do truque, Teller habilmente removeu os óculos de um espectador, os inclinou e, tunc, tunc, mais duas moedas caíram.

Ao realizar o truque uma segunda vez, anotando cada passo, nós vimos como fomos levados a casar indevidamente causa e efeito, a formar uma falsa hipótese atrás da outra. Às vezes as moedas vinham de sua mão direita, às vezes da esquerda, escondidas sob os dedos que seguravam o balde.

Ele nos deixou com a definição de mágica: "A ligação teatral de uma causa e um efeito que não tem base na realidade física, mas que - em nossos corações - deveria".
Em seu discurso de abertura, Michael Gazzaniga, o presidente da associação de consciência, descreveu outra forma de prestidigitação - uma experiência de realidade virtual na qual colocou um par de óculos eletrônicos que projetavam a ilusão de um buraco profundo no que ele sabia ser um chão de concreto sólido. A adrenalina fez seu coração bater mais rápido e seus músculos ficarem tensos, um lembrete de que mesmo sem óculos o cérebro forma um mundo a partir de qualquer coisa que puder.

"De certa forma nossa realidade é virtual", disse Gazzaniga. "Pense em voar em um avião. Você está lá em cima em um tubo de alumínio, a 9 mil metros de altura, a mais de 900 km/h, e acha que está tudo bem".

Gazzaniga é famoso por seu trabalho com pacientes com cérebro dividido, cujos hemisférios esquerdo e direito foram desconectados como um tratamento de último recurso para epilepsia severa. Há experimentos que levaram à noção, simplificada em excesso pela cultura popular, de que o lado esquerdo do cérebro é predominantemente analítico enquanto o lado direito é intuitivo e despreocupado.

O lado esquerdo do cérebro, como colocou Gazzaniga, é o confabulador, constantemente maquinando histórias. Mas o meu ficou momentaneamente atônito quando, após sua palestra, eu passei por uma porta dentro do Venetian Resort Hotel Casino e entrei em uma simulação em ar condicionado do Grande Canal. Meus olhos foram atraídos para o alto para a surpreendente ilusão de um céu "trompe l'oeil" e o que julguei serem corvos voando sobre minha cabeça. Olhando mais atentamente, meu cérebro descartou a teoria e vi que as negras curvas eram as bordas de discos - tachinhas gigantes prendendo o céu. Posteriormente me disseram que eram sprinklers automáticos, para o caso das nuvens se incendiarem.

"É o 'Show de Truman'", disse Robert Van Gulick, um filósofo da Universidade de Syracuse, assim que me juntei a ele em uma mesa com vista da versão da Praça de São Marcos. Uma brisa marítima entrava pela janela, as nuvens refletiam o sol do fim de tarde (e ainda permaneciam luminosas, por volta das 22h30, quando voltei para meu hotel). Como poderíamos nos certificar de que o mundo à minha volta também não é uma simulação? Ou que eu não sou apenas um cérebro em um tanque no laboratório de algum cientista maluco?

Van Gulick veio à conferência para falar sobre qualia, o senso subjetivo, cru, que temos de cores, sons, sabores, toques e cheiros. O crocante do crostini, o deslizar do penne alla vodka - uma pergunta que preocupa os filósofos é onde estas experiências pessoais se encaixam dentro de uma teoria puramente física da mente.

Como os físicos, os filósofos lidam com estes quebra-cabeças realizando experiências de pensamento. Em um recente trabalho, Michael P. Lynch, um filósofo da Universidade de Connecticut, concebeu a idéia de um "batedor de carteiras fenomenal", uma criatura imaginária, como Apollo o ladrão, que distrai sua atenção enquanto remove seu qualia, transformando você no que é conhecido no meio como um zumbi filosófico. Você pode pegar uma bola, assoviar uma melodia, parar em um sinal vermelho - agir exatamente como uma pessoa sem qualquer senso de como é estar vivo. Se zumbis são logicamente possíveis, insistem alguns filósofos, então seres conscientes devem ser dotados de uma essência inefável que não pode ser reduzida a circuitos biológicos.

A fantasia de Lynch era um artifício para minar o argumento do zumbi. Mas se zumbis existem, provavelmente é em Las Vegas. Certa noite enquanto caminhava pelo salão do cassino do Imperial Palace - uma cacofonia de sinos badalando e arpejos eletrônicos - era fácil imaginar que os hominídeos parados em frente aos caça-níqueis eram apenas extensões das máquinas."

Condicionamento intermitente", sugeriu Irene Pepperberg, uma professora associada adjunta da Universidade Brandeis que estuda a inteligência animal. Se você quiser treinar um rato de laboratório a puxar uma alavanca para receber comida, o reflexo será gravado de forma mais profunda se a criatura for recompensada com certa regularidade, mas não sempre.

Pepperberg lançou um elemento imprevisível nos estudos da consciência com seus experimentos controversos com papagaios africanos. Com o cérebro "do tamanho de uma noz", como ela colocou, as aves exibem o que parecer ser o potencial cognitivo de uma criança pequena. Seu papagaio mais conhecido, Alex, pode olhar para uma bandeja de objetos e pegar aquele que tem quatro cantos e é azul. Ele também cunhou sua própria palavra para amêndoa -"cork nut".

Com aparições no canal "PBS" e uma ponta em um romance de Margaret Atwood, "Oryx and Crake", Alex entrou para o imaginário popular, enquanto Pepperberg luta para encontrar uma posição acadêmica segura. Os críticos não resistem a comparar Alex a "Clever Hans", o famoso cavalo cuja habilidade aritmética foi exposta como sendo respostas aprendidas que seguiam as deixas sutis de seu treinador. Pepperberg disse que controla tal possibilidade em seus experimentos e acredita que seus papagaios estão pensando e se expressando por conta própria com palavras.

Certa noite andando pela Strip eu avistei Daniel Dennett, o filósofo da Universidade Tufts, andando apressadamente na calçada do outro lado da rua em frente ao Mirage, que possui sua própria floresta tropical e vulcão. As marquises estavam piscando e os aparelhos de ar condicionado rugindo - Las Vegas deixando sua pegada de carbono com botinas nas areias de Nevada. Eu lhe perguntei se estava apreciando o qualia. "Você realmente sabe como ferir um sujeito", ele respondeu.

Por anos Dennett argumentou que o qualia, na forma visionária que foi definida na filosofia, é ilusório. Em seu livro, "Consciousness Explained" (consciência explicada), ele apresentou um experimento de pensamento envolvendo uma máquina de provar vinho. Ponha uma amostra em um funil e uma série de sensores eletrônicos analisariam o conteúdo químico, consultaria um banco de dados e finalmente digitaria sua conclusão: "Um Pinot vistoso e suave, apesar de carecer de vigor".

Se o hardware e o software pudessem ser sofisticados o bastante, não haveria diferença funcional, sugeriu Dennett, entre o enófilo humano e a máquina. Logo, dentro do circuito se encontraria o qualia inefável?

Sentados em um bar no Imperial Palace, nós conversamos sobre um mistério diferente em que estava ponderando: o papel que as palavras exercem dentro do cérebro. Aprenda um pouco do linguajar do vinho e você repentinamente está equipado com as ancoras para definir suas fugazes impressões gustativas. As palavras, ele sugeriu, "são como cães pastores guiando as idéias".

Enquanto bebericava, ele experimentou outra metáfora, envolvendo uma técnica de garimpar ouro sobre a qual aprendeu na Nova Zelândia. Ouro e chumbo apresentam densidade semelhante. Se você salpicar o material em suspensão com chumbo grosso para caça e rodar a peneira, os grãos escuros rastrearão as esquivas partículas de ouro.

Com um saco de artifícios acumulados ao longo de eras, o cérebro realiza a prestidigitação suprema: o senso subjetivo do eu.

"Os mágicos de palco sabem que uma coleção de truques baratos costuma ser suficiente para produzir 'mágica'", escreveu Dennett, "assim como a Mãe Natureza, a suprema criadora de artifícios".

No final do show de mágico no qual fui depenado por Apollo, o Fantástico Randi chamou Dennett e outro voluntário pra ajudar em seu truque final. Enquanto Randi se sentava em uma cadeira, os dois homens ataram fortemente seus braços às suas coxas com uma corda.

"Daniel, você poderia tirar sua jaqueta para mim por um instante?" pediu o mágico. "Agora a coloque em frente às minhas mãos".

"Um pouco mais alto", disse Randi.

Sem perder um segundo, ele agarrou o colarinho e a puxou na direção do seu queixo. A platéia vibrou. Ou ele conseguiu escapar das cordas em uma questão de segundos ou suas mãos estavam livres o tempo todo.

"Permita às pessoas fazerem suposições e elas partirão absolutamente convencidas de que a suposição estava correta e que representa um fato", disse Randi. "Mas não necessariamente".

segunda-feira, 24 de setembro de 2007

Lembranças mal vindas

Por Ana Paula Porto Noronha

O texto de hoje é triste. Refere-se a um passado que talvez muitos desejem esquecer. Mais especialmente trata dos campos de concentração e das mortes de milhões de pessoas. Por que falar disso, sendo que já ocorreu há tantos anos? Para que não nos esqueçamos e possamos nunca mais incorrer no mesmo erro e na mesma crueldade. Assim como para que evitemos que outras formas de câmaras de gás e de campos de concentração se instalem em nossas sociedades. Que estas lembranças fiquem vivas dentro de nós. A reportagem foi tirada da Veja (edição 2027, 26/09/2007).

O campo de extermínio de Auschwitz, que funcionou na Polônia até os últimos dias da II Guerra, passou para a história como palco das piores atrocidades perpetradas pelos nazistas. Em suas câmaras de gás, nas quais as pessoas eram comprimidas a ponto de não conseguirem mexer os braços, foram assassinados mais de 1,5 milhão de judeus, além de deficientes físicos, homossexuais, ciganos e quem quer que o II Reich considerasse indigno de viver. Uma série de fotografias inéditas divulgadas na semana passada pelo Museu do Holocausto, em Washington, mostra o campo de Auschwitz sob outro ângulo, o dos oficiais do exército alemão, guardas e funcionários que trabalhavam no local, um contingente de aproximadamente 4000 pessoas. As 116 fotos, descobertas casualmente na época da guerra por um oficial americano e guardadas em sua gaveta desde então, revelam a rotina alegre e despreocupada mantida pelos alemães em Auschwitz – paralelamente ao martírio dos prisioneiros. Numa das fotografias, oficiais da SS, a tropa de elite nazista, cantam alegremente acompanhados por um acordeom. Uma imagem datada de 22 de julho de 1944 mostra um grupo de mulheres soldados sorrindo e comendo framboesas. Naquele mesmo dia, segundo registros, mais de 150 prisioneiros haviam chegado a Auschwitz, dos quais 117 foram enviados diretamente para as câmaras de gás.

Com seus flagrantes da vida pacata da soldadesca, as fotos agora divulgadas de Auschwitz são um exemplo eloqüente do sistema de valores morais cultivados pelos nazistas e que, levado às últimas conseqüências, lhes permitiu promover o holocausto de 6 milhões de judeus. Esse sistema de valores amparava-se na total ausência de compaixão por seres humanos que os nazistas julgassem inconvenientes a sua causa. Para os oficiais alemães e seus comandados, as mortes não eram assassinatos, mas tarefas rotineiras, ordens a ser cumpridas. A filósofa alemã Hannah Arendt cunhou a expressão “banalização do mal” após acompanhar o julgamento de Adolf Eichmann, pócer nazista encarregado de levar a cabo a solução final, ou seja, o extermínio em massa os judeus. Ao ser apresentado ao tribunal, Eichmann surpreendeu os presentes por não aparentar em nada o monstro sádico que demonstrava ser com suas ações. Era um sujeito franzino, de personalidade submissa, que afirmava ter apenas cumprido suas ordens com zelo e eficiência. Contou que tocava violino e que a simples visão de atos de violência o fazia tremer. A avaliação psiquiátrica a que havia sido submetido também não havia detectado nele problemas mentais (...).

A trivialização da morte permeava todos os escalões da hierarquia nazista. Em seu livro Os Carrascos Voluntários de Hitler, o historiador americano Daniel Jonah Goldhagen relata o dia-a-dia dos agentes da policia de Hitler na Polônia ocupada. Segundo ele, muitos policiais, pais de família, passavam os dias fuzilando mulheres e crianças, jogadas em valas comuns. No fim da tarde, voltavam para seus lares, abraçavam a família como se tivessem passado o dia num escritório e confraternizavam em atividades sociais. A solução final foi um projeto meticulosamente planejado, que inclui o desenvolvimento de novas técnicas destinadas a eliminar o maior número de seres humanos no menor tempo possível. À frente do empreendimento esteve o capitão Rudolf Höss, comandante de Auschwitz (...). Höss mandou construir fornos crematórios maiores e mais eficientes. As câmaras de gás também foram ampliadas para acomodar até 2000 judeus de cada vez. O psiquiatra americano Leon Goldensohn,, que entrevistou os principais oficiais nazistas levados a julgamento perguntou a Höss se ele não sentia culpa pelas milhares de vidas que tirou. “Quando Hitler nos dizia algo, parecia tão correto e natural, que obedecíamos”, foi sua resposta. E o que Höss achava de matar crianças da mesma idade de seus filhos? “Não era fácil, mas estávamos convencidos das ordens que recebíamos e de sua necessidade”. As fotos agora reveladas mostram com nitidez a capacidade que tem o mal de anestesiar consciências.

****SILÊNCIO****

quarta-feira, 19 de setembro de 2007

Delimitações da Infância Em Discussão

Por Kleber Godoy

Contrastando com os belíssimos textos da Ana Paula, venho dar o meu tom nesta canção que junto compomos. Logo, pensando nas crianças, jovens, adolescentes acusados de crimes, por vezes bárbaros, e sua pseudoinfância, ou então, amadurecimento precoce e entrada em mundos obscuros e extremamente inadequados, resolvi propor uma reflexão inevitável e atual em nossa sociedade.

Assim, o site do Conselho Federal de Psicologia (CFP) publicou o texto abaixo. É um assunto polêmico e deve ser pensado pela sociedade em geral. Fica aqui como uma publicação de informação sobre a posição do Conselho, mas sobretudo como uma reflexão pessoal acerca do tema.

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Com intensa mobilização contra a redução da maioridade penal no Brasil, diversas entidades que compõem o Fórum de Entidades da Psicologia Brasileira, o FENPB, lançam neste mês a campanha “Entidades da Psicologia em campanha contra a redução da maioridade penal!”. Resgatando o pensamento do sociólogo falecido em 1997, Herbert de Souza, o Betinho, do Instituto Ibase – “Se não vejo na criança, uma criança, é porque alguém a violentou antes; e o que vejo é o que sobrou de tudo o que lhe foi tirado” – as entidades deflagraram a campanha contra a redução da maioridade penal.

Assinam a campanha contra a redução da maioridade de penal as seguintes entidades da Psicologia brasileira:

Associação Brasileira de Ensino de Psicologia – ABEP
Associação Brasileira de Orientação Profissional – ABOP
Associação Brasileira de Psicoterapia e Medicina Comportamental – ABPMC
Associação Brasileira de Psicologia Política – ABPP
Associação Brasileira de Neuropsicologia – ABRANEP
Associação Brasileira de Psicoterapia – ABRAP
Associação Brasileira de Psicologia Escolar e Educacional – ABRAPEE
Associação Brasileira de Psicologia do Esporte – ABRAPESP
Associação Brasileira de Psicologia Social – ABRAPSO
Associação Brasileira de Pesquisa e Pós-graduação em Psicologia – ANPEPP
Conselho Federal de Psicologia – CFP
Coordenação Nacional dos Estudantes de Psicologia – CONEP
Federação Nacional dos Psicólogos – FENAPSI
Instituto Brasileiro de Avaliação Psicológica – IBAP
Sociedade Brasileira de Psicologia do Desenvolvimento – SBPD
Sociedade Brasileira de Psicologia Hospitalar – SBPH
Sociedade Brasileira de Psicologia Organizacional e do Trabalho – SBPOT
Sociedade Brasileira de Psicologia e Acupuntura – SOBRAPA

Conheça as 10 razões da Psicologia contra a redução da maioridade penal:

1. A adolescência é uma das fases do desenvolvimento dos indivíduos e, por ser um período de grandes transformações, deve ser pensada pela perspectiva educativa. O desafio da sociedade é educar seus jovens, permitindo um desenvolvimento adequado tanto do ponto de vista emocional e social quanto físico;

2. É urgente garantir o tempo social de infância e juventude, com escola de qualidade, visando condições aos jovens para o exercício e vivência de cidadania, que permitirão a construção dos papéis sociais para a constituição da própria sociedade;

3. A adolescência é momento de passagem da infância para a vida adulta. A inserção do jovem no mundo adulto prevê, em nossa sociedade, ações que assegurem este ingresso, de modo a oferecer – lhe as condições sociais e legais, bem como as capacidades educacionais e emocionais necessárias. É preciso garantir essas condições para todos os adolescentes;

4. A adolescência é momento importante na construção de um projeto de vida adulta. Toda atuação da sociedade voltada para esta fase deve ser guiada pela perspectiva de orientação. Um projeto de vida não se constrói com segregação e, sim, pela orientação escolar e profissional ao longo da vida no sistema de educação e trabalho;

5. O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) propõe responsabilização do adolescente que comete ato infracional com aplicação de medidas socioeducativas. O ECA não propõe impunidade. É adequado, do ponto de vista da Psicologia, uma sociedade buscar corrigir a conduta dos seus cidadãos a partir de uma perspectiva educacional, principalmente em se tratando de adolescentes;

6. O critério de fixação da maioridade penal é social, cultural e político, sendo expressão da forma como uma sociedade lida com os conflitos e questões que caracterizam a juventude; implica a eleição de uma lógica que pode ser repressiva ou educativa. Os psicólogos sabem que a repressão não é uma forma adequada de conduta para a constituição de sujeitos sadios. Reduzir a idade penal reduz a igualdade social e não a violência - ameaça, não previne, e punição não corrige;

7. As decisões da sociedade, em todos os âmbitos, não devem jamais desviar a atenção, daqueles que nela vivem, das causas reais de seus problemas. Uma das causas da violência está na imensa desigualdade social e, conseqüentemente, nas péssimas condições de vida a que estão submetidos alguns cidadãos. O debate sobre a redução da maioridade penal é um recorte dos problemas sociais brasileiros que reduz e simplifica a questão;

8. A violência não é solucionada pela culpabilização e pela punição, antes pela ação nas instâncias psíquicas, sociais, políticas e econômicas que a produzem. Agir punindo e sem se preocupar em revelar os mecanismos produtores e mantenedores de violência tem como um de seus efeitos principais aumentar a violência;

9. Reduzir a maioridade penal é tratar o efeito, não a causa. É encarcerar mais cedo a população pobre jovem, apostando que ela não tem outro destino ou possibilidade;

10. Reduzir a maioridade penal isenta o Estado do compromisso com a construção de políticas educativas e de atenção para com a juventude. Nossa posição é de reforço a políticas públicas que tenham uma adolescência sadia como meta.

segunda-feira, 17 de setembro de 2007

A prática do amor ou o amor em prática

Por Ana Paula Porto Noronha

Hoje eu queria mesmo falar de amor. Fiquei a semana toda procurando algo que me fornecesse o fio condutor para o texto. Li os jornais que habitualmente leio, as revistas e fiquei atenta aos telejornais, e confesso que as notícias não me favoreceram na direção da construção de algo que falasse de amor. Aliás, muito pelo contrário, as notícias da semana, no que se refere às diretrizes sociais, econômicas e éticas dos governantes brasileiros são desalentadoras. Mas, não quero falar disto, como já disse, procuro algo que retrate o amor, não o já tão bem delineado pelos poetas, ou aquele musicados pelos que conseguem traduzir em palavras e notas o nobre sentimento. Eu queria falar do sentimento comum, daqueles de todo dia, das pessoas na rua. Visitei sites que retratavam, sob minha perspectiva, as pessoas generosas que se apegavam a projetos sociais solidários e, a partir disso faziam a diferença.
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ONG Mundo Novo da Cultura Viva (
www.ongmundonovo.org.br)

A ONG Mundo Novo da Cultura Viva, foi criada a partir do sonho de Bianca Carvalho, que ainda criança, começou a questionar as grandes diferenças sociais da humanidade. Destacou-se das demais de sua idade, e criou esta instituição, onde dedica integralmente a flor de seus 18 anos, atendendo hoje mais de 150 crianças carentes da comunidade. É um projeto de amor e solidariedade, que envolve sentimentos de amor ao próximo e generosidade, o qual ajuda os mais necessitados dando lhes acesso a Educação, Cultura, Lazer e Oportunidade para uma vida melhor. A ONG sobrevive de doações, campanhas e eventos. Nosso objetivo é convidar você e seus familiares, a conhecer nosso espaço e se tornar nosso colaborador.

GAP – Grupo Ambientalista das Palmeiras (www.gap.org.br )

Na região do Vale do Capão, o Grupo Ambientalista de Palmeiras desenvolve um programa de coleta seletiva e reciclagem de lixo, além de combater as queimadas dentro do Parque Nacional da Chapada Diamantina. Fundado em 1992 por moradores da cidade de Palmeiras, o GAP tem hoje 15 membros atuantes e conta apenas com os recursos das doações de turistas e empresários locais.

Saúde Criança Renascer (www.criancarenascer.org.br)

A Associação Saúde Criança Renascer (ASCR), fundada em 1991 pela Dra.Vera Cordeiro – Clínica Geral, com especialização em Psicossomática - é uma Organização Social, sem fins lucrativos e sem filiação política ou religiosa. O constante ciclo internação-reinternação das crianças atendidas no Hospital da Lagoa, no Rio de Janeiro - que recebiam alta sem estrutura básica para continuação do tratamento em casa - causava indignação dos profissionais da área de Saúde daquela instituição. O fato dos pacientes retornarem muitas vezes em estado ainda mais grave, chegando em alguns casos a falecer, fez com que médicos, enfermeiros e membros da sociedade civil se mobilizassem e criassem a associação. O objetivo principal do Renascer é reestruturar as famílias dessas crianças, atuando com o Plano de Ação Familiar (PAF), que engloba cinco áreas importantes: saúde, profissionalização, moradia, educação e cidadania. Hoje, a ASCR funciona com o imprescindível apoio de cerca de 140 voluntários e mais 38 funcionários que dão atendimento a 250 famílias e 850 crianças e adolescentes. São três unidades de atendimento: Sala de Recreação do Hospital da Lagoa; Sede, no Parque Lage e Casa das Oficinas / Administração, no Jardim Botânico.

Biblioteca Comunitária Tobias Barreto de Menezes (www.educacional.com.br/entrevistas/entrevista0121.asp)

Trabalhando como pedreiro, Evando dos Santos, um sergipano radicado no Rio de Janeiro, ajudou a construir muitas casas. Por muitos e muitos anos, essa foi sua rotina de vida. Apaixonado pela literatura, em certo dia, Evando viu sua vida dar uma guinada quando ia ao trabalho. Naquele dia, ao deparar com uma pilha de livros em cima do balcão de uma loja, Evando teve a idéia de iniciar outro tipo de construção: a de uma biblioteca. Foi assim que surgiu a Biblioteca Comunitária Tobias Barreto de Menezes, no bairro Vila da Penha, na capital do Rio de Janeiro. Segundo ele, nela o lema é dizer sim à cultura e não à burocracia. Lá, o usuário pode pegar quantos livros quiser e devolvê-los quando bem entender. Caso não devolva algum, não há problema: se ficou com ele é porque gostou, e isso é um bom sinal. Fundada em 1998 com apenas 50 livros, a biblioteca conta hoje com um acervo de 40 mil exemplares. Para chegar a esse número, as dificuldades enfrentadas foram grandes. Muitos livros foram transportados por Evandro de ônibus, sob o escaldante sol carioca. Além disso, o fundador da biblioteca teve de superar mais um problema, o preconceito. “As pessoas acham que sou desqualificado para lidar com livros porque tenho um ‘intelecto não lapidado’, ou seja, não sei escrever”. Mas a palavra desanimar não faz parte do vocabulário de Evando. Apesar das dificuldades, ele conseguiu montar e expandir a biblioteca em um curto espaço de tempo e conquistou o apoio de gente importante, como Oscar Niemeyer, que, sensibilizado com a história de Evando, deu-lhe de presente o projeto arquitetônico da nova biblioteca, que deverá ser construída em breve.
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Dedico o texto desta semana às pessoas do mundo. Em especial, dedico ao meu filho, cujo nascimento fez de mim uma pessoa melhor e para quem vivo preocupada em lhe oferecer um mundo de mais amor.

quinta-feira, 13 de setembro de 2007

Tema de hoje: Compulsão por trabalho!!

Por Kleber Godoy

Hoje trago a leitura de um texto interessantíssimo, amplo e de fácil leitura sobre compulsão por trabalho.

Nele, médico, psicanalista e outros especialistas tratam do assunto enfocando vários aspectos importantantes dentro do tema.

Ao final, algumas perguntas para se refletir sobre o próprio comportamento, sendo que não se deve levar como um “verdadeiro teste psicológico”, mas sim como uma refexão pessoal.

E ai, será que você é um workaholic?
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Os males físicos e mentais com o exagero do trabalho
Por Marcos Burghi, 06/09, Yahoo notícias - Fonte: Catho Empregos


São Paulo, 06 (AE) - A acirrada concorrência do mercado, aliada à pressão por resultados rápidos, faz com que muitos profissionais exagerem na dedicação ao trabalho, cumprindo longas e estressantes jornadas diárias. Para os chamados workaholics ('fanáticos' por trabalho), a correria diária torna-se parte da vida, mas quando foge ao controle pode trazer graves problemas à saúde e à vida familiar.

De acordo com a médica Lys Rocha, professora de Medicina do Trabalho da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), o número de casos registrados pelo Ministério da Previdência Social como transtornos mentais relacionados ao trabalho saltou de 482, em 2000, para 3.701, em 2005 (pelos últimos dados disponíveis), aumento de cerca de 668%.

Na opinião da médica Maria Elenice Quelho Areias, supervisora do Departamento de Saúde Mental da Universidade de Campinas (Unicamp-SP), os workaholics sofrem do que ela chama de síndrome da pressa e podem desenvolver compulsão pelo trabalho. Segundo ela, são pessoas que querem executar diversas tarefas ao mesmo tempo e, por isso, estão sempre apressadas; profissionais que medem seu sucesso por conquistas materiais, o que gera desgaste físico e emocional. Como conseqüência, observa a médica, podem desenvolver ou agravar hipertensão, são mais suscetíveis a problemas cardíacos, sem falar em ansiedade, insônia e dores musculares.

Há formas de controlar ou minimizar o problema, ensina Maria Elenice. A primeira é praticar atividade física, que produz substâncias que melhoram o sono, entre outras funções do organismo. Ela recomenda também uma alimentação rica em frutas e verduras, além de programas relaxantes, que dêem prazer, como leitura, jardinagem e afins.

Para Geraldo Posseidoro, psiquiatra da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), a compulsão por trabalho é tão grave quanto qualquer outra, como por jogo, sexo ou drogas, mas é socialmente aceita, já que as pessoas não conseguem viver sem trabalho.

Iaci Rios, consultora de recursos humanos da DBM, empresa especializada em gestão, afirma que muitos profissionais confundem a compulsão pelo trabalho com trabalhar duro. Na visão dela, a diferença não está na carga de trabalho ou na função ocupada, mas nas características individuais. É preciso, diz, verificar em que medida o trabalho compromete a vida da pessoa e se assume os lugares que deveriam caber à família, ao lazer ou mesmo à reciclagem profissional.

Em outro nível estão pessoas que trabalham duro e muitas em funções com alta carga de estresse, mas nem por isso fazem do trabalho sua única razão de ser. Ela acredita que ser workaholic, ou pior, um trabalhador compulsivo, não garante melhores resultados, mas reconhece que poucas organizações perceberam o detalhe. "A maioria ainda valoriza a entrega do profissional", afirma.

Segundo Iaci, uma maneira de o trabalhador voltar a ter controle sem dar sinais de perda da importância dentro da organização, é refletir sobre seu estado de ânimo. Caso esteja descontente, deve identificar o motivo da insatisfação e procurar resolvê-lo. Outra medida, opina, é fazer a relação entre o gasto de energia na realização de uma tarefa e o resultado obtido.

COMPULSIVOS QUE MUDARAM DE VIDA

Em dezembro de 2002, o executivo Leonel Costa, então com 39 anos, ouviu a conclusão do resultado de seu check-up e o que aconteceria se não levasse uma vida mais saudável, mas deu de ombros. Preferiu procurar outro médico porque achou que aquele exagerara. O fez e, depois de uma segunda análise dos índices presentes nos exames, escutou algo familiar: "Se você não fizer exercícios, vai morrer".

Foi quando Costa decidiu mudar de vida. Diminuiu o horário de trabalho que, de segunda a sexta-feira, começava às 7h e terminava por volta das 22h, procurou orientações para reeducação alimentar e passou a praticar esportes.

Cinco anos depois e com novos hábitos, ele lembra daqueles tempos sem saudade. Era uma rotina estressante, recorda. "Certa vez, uma de minhas filhas perguntou a minha esposa por que eu não me mudava para o escritório, já que vivia mais lá que em casa", diz. Hoje com 20 quilos a menos, diminuiu a jornada de trabalho, que vai das 9h às 19h, com intervalos regulares para refeição.

Outro que mudou a rotina é Felipe Assumpção. Aos 52 anos, o executivo se diz orgulhoso por administrar a própria vida. Trabalha cerca de cinco horas diárias, de segunda a quinta-feira, e três às sextas-feiras, quando por volta de meio-dia vai para uma propriedade que tem no interior de São Paulo. Além disso, joga tênis duas vezes por semana e freqüenta academia.

Embora reconheça que o conforto de hoje é resultado de esforços passados, quando trabalhava das 8h às 23h30 invariavelmente, Assumpção diz que entre 1988 e 2004, seu ritmo de trabalho trouxe problemas de saúde. Só úlceras foram três. "Estava sempre ligado, trabalhava até durante as férias", conta.

Pai de quatro filhos, de 20, 17, e um casal de gêmeos com três anos e meio, fruto do segundo casamento, Assumpção diz que não viu os mais velhos crescerem. "Nunca fui a festas de escola ou coisas do tipo."

MERCADO

O workaholic não vê limites para não parar de trabalhar: qualquer hora é hora, qualquer lugar pode servir e, no meio de tudo isso, saúde, relações familiares e sociais e qualidade de vida acabam prejudicadas. A rotina frenética de um fanático por trabalho muitas vezes leva a uma alimentação desequilibrada. Portanto, é preciso fazer uma reeducação nesse sentido. Aliar a prática de exercícios a uma dieta balanceada ajuda. Especialistas concordam que a atividade física é uma das melhores formas de se combater a compulsão pelo trabalho. Porém, essa recomendação, isoladamente, pode não ser suficiente para recuperar a saúde de quem entrou nesse círculo vicioso.

O sono também é muito importante e deve ser respeitado para que o organismo reponha as energias perdidas durante a jornada profissional e reduza a ansiedade. O compulsivo por trabalho também deve aceitar que necessita de lazer e tem de aprender a dividir seu tempo com hobbies, por exemplo. De qualquer forma, o primeiro passo é estar consciente de que uma mudança de comportamento se faz necessária.

ATITUDE

O psicanalista Geraldo Posseidoro, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), afirma que para aquelas pessoas que não têm disposição de realizar atividades físicas ou não obtiverem resultado a partir delas, o melhor é procurar um especialista. Isso porque, segundo ele, não há comprovação de que a compulsão possa ser ao menos amenizada a partir da iniciativa do próprio workaholic.

Em muitos casos, uma terapia pode auxiliar o compulsivo a abandonar padrões de comportamento prejudiciais e adotar atitudes mais positivas no dia-a-dia. Com uma vida mais equilibrada, até a tão desejada produtividade do trabalhador compulsivo pode ser melhorada.

TESTE: VOCÊ É UM WORKAHOLIC?

Você tem dificuldade de relaxar ou repousar no seu tempo livre e evita tirar férias?

Faz muitas coisas ao mesmo tempo e marca o maior número de compromissos no menor espaço de tempo possível?

Releva a vida pessoal e familiar em prol do trabalho?

É agressivo ou muito competitivo no trabalho?

Trabalha ou lê quando come, ou antes de dormir?

Tem dificuldade em estabelecer limites de horários para trabalhar?

Teme a aposentadoria?

Sente-se culpado quando relaxa ou não trabalha?

Se você respondeu "sim" em pelo menos três questões, fique alerta: você está entrando no limite do workaholismo.

Caso a resposta tenha sido positiva para a maioria das questões (5), você apresenta as características de um workaholic. Cuidado: sua carreira e sua saúde podem estar em perigo. Procure aconselhamento com familiares, amigos e colegas de trabalho sobre o seu comportamento e a sua rotina. E não deixe de consultar um especialista.

segunda-feira, 10 de setembro de 2007

Bem vinda Primavera!!!

Por Ana Paula Porto Noronha

O texto escolhido para ser apresentado hoje continua na linha do “espírito da esperança” disseminado na semana passada... No texto do dia 03/10, comentávamos sobre a esperança de que nosso país tivesse justiça, de que as pessoas pudessem confiar nas leis e nos representantes que as colocam em prática. Hoje, a matéria de Gilberto Dimenstein, na Folha de São Paulo (09 set/2007) trata da “primavera mais florida de São Paulo”. E por isso ela foi eleita.

“A próxima chegada da primavera candidata-se a entrar para a história de São Paulo. Neste ano, a mudança de estação produz uma paisagem inusitada. Articulações realizadas pelos mais diferentes grupos com distintos objetivos desembocaram, por coincidência, no fim de semana em que começa, a partir do dia 22, a primavera. Haverá, ao mesmo tempo, as seguintes mobilizações:

1. O dia mundial sem carro, uma data até agora insignificante no Brasil, está, desta vez, envolvendo centenas de entidades, muitas das quais com razoável peso político, sensíveis à reflexão sobre a necessidade de gerir com mais inteligência as cidades;
2. Grupos que desenvolvem ações contra a violência farão caminhadas para lembrar o dia da Paz;
3. Ecologistas vão lembrar (e com muitos pesares) o Dia do Tietê;
4. A Virada Esportiva, em sua primeira versão, pretende promover, por 24 horas seguidas, atividades esportivas em todas as regiões.

Não há registro, em toda a história paulistana, da programação de tantos eventos no mesmo dia (...). A chegada da primavera de 2007 traz uma exótica flor – a da resistência contra a barbárie humana (...). Uma das maiores conquistas paulistanas, de impacto nacional, foi a redução, nos últimos anos, das taxas de homicídio, em 70%, e dos latrocínios, em 90%. Sem maior eficiência policial, essas reduções seriam impossíveis. Mas, estariam muito mais lentas sem as campanhas pelo desarmamento, os programas bancados por empresários para encaminhamento de denúncias de crimes, o fechamento de bares em lugares mais violentos, e os projetos sociais que reduziram a exclusão de jovens.

O policiamento comunitário funciona, de verdade, quando tem apoio nos bairros. No Jardim Elisa Maria, por exemplo, o índice de homicídio caiu 80% nos últimos cinco meses. Tais fatos refletem não só elites mais antenadas socialmente, e mesmo políticas públicas melhores, mas também o aumento da escolaridade dos habitantes de São Paulo. Com a ampliação das matrículas nos supletivos, impulsionada pelas demandas do mercado de trabalho, hoje, cerca de 85% dos jovens de até 29 anos têm diploma de ensino médio. Essas são as flores, embora ainda sejam poucas e ainda murchas, da primavera paulistana”.


No site do escritor é possível identificar algumas reportagens que tratam de fatos recentes, sob sua ótica, que revelam sinais de uma São Paulo mais civilizada:

O Centro é uma sala de aula


Como professora que sou, recomendo alguns que abordam a educação. Dê um passeio nos endereços e sinta-se responsável por fazer a diferença!!! Bem vindo!!!.


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Complemento – textos citados nos links acima
(postados aqui para arquivo, caso os links originais saiam do ar, mas visite os sites, onde pode-se encontrar ainda mais reportagens interessantes sobre o tema)


Projeto Centro – Escola – 29/06/2005

Veja detalhes sobre experiências do Centro-Escola: Subprefeitura da Sé transforma Centro de São Paulo em sala de aula

O projeto Centro- escola já levou mais de 6 mil estudantes a excursões pela região central. Desde abril, a Subprefeitura da Sé e parceiros têm mostrado o rico equipamento cultural da cidade aos alunos da rede municipal da região. Idealizado pela Subprefeitura da Sé, Secretaria de Educação e Cidade Escola Aprendiz, com parceria da Comgas, Santander/Banespa e Porto Seguro, o projeto-piloto está ampliando o processo de ensino e aprendizagem fora do espaço da escola no pós-aula, apresentando e valorizando o Centro de São Paulo.

A idéia fundamental de "O Centro pode ser uma sala de aula", segundo a coordenadora do projeto, professora Olga Maria Arruda Gonçalves, é ampliar a concepção de mundo e sociedade e fazer com que os alunos "descubram sua cidade, questionem seu mundo, olhem além dos muros e preconceitos, a partir de uma visão da escola integrada na vida da comunidade". As parceiras viabilizam transporte e material didático aos alunos e escolas. A Gradiente e a Videolar também fizeram doações às escolas do Centro: 20 aparelhos de DVDs e DVDs didáticos.

O projeto tem um calendário para o período de sete meses de excursões contemplando alunos de toda a rede municipal da região da Subprefeitura da Sé: 10 EMEIs; 3 EMEFs; 3 CEIs (Centro de Educação Infantil); 1 EMEE (Escola Municipal de Educação Especial) e 1 Cieja (Centro de Jovens e Adultos). Já houve visitas ao Museu Afro-Brasileiro, Museu de Arte Contemporânea, Zoológico de São Paulo, Memorial da América Latina, Sala Cinemateca, entre outros.

Centro de São Paulo educa professores da rede municipal

Os Educadores Comunitários serão responsáveis, dentro da escola, por projetos que otimizem a formação dos alunos de determinado bairro, aproveitando seu espaço de vivência e também a população local. Além de organizar atividades de pós-aula, eles desenvolvem projetos educativos e buscam parcerias com a comunidade.

O espanhol César Coll e a equatoriana Rosa Maria Torres são dois dos estudiosos que desenvolveram o conceito de Comunidades de Aprendizagem, propostos pelo Projeto Aprendiz na forma de Cidade Educadora e, ainda, Bairro- Escola. O projeto tem patrocínio da Comgas e parceria do Aprendiz, cujos monitores vão capacitar os pedagogos. O treinamento, de 120 horas, vai até dezembro, com 16 encontros, sempre em algum local do Centro (Centro Cultural Banco do Brasil, Pateo do Collegio etc). A Comgas viabilizou a capacitação dos educadores e a entrega, a todas as escolas participantes, do livro organizado pelo fundador do Projeto Aprendiz, Gilberto Dimenstein, "São Paulo 450 Anos Luz - a redescoberta de uma cidade" e de guias com sugestões de atividades didáticas.

Cada uma das 18 escolas do Centro de São Paulo escolheu seus representantes para participar da capacitação e tomar conhecimento de experiências no Brasil e no exterior; formas de elaboração de projetos; captação de recursos; experiências curriculares que usam a comunidade para re-significar as matérias tradicionais, entre outros. “Esse é um importante passo no nosso empenho para a revitalização do Centro de São Paulo”, afirma o Subprefeito da Sé, Andrea Matarazzo. “Os estudantes vivem e aprendem com a região e sua comunidade, queremos que todo paulistano faça o mesmo”, diz Matarazzo, que, com a responsável pelo projeto, Olga Arruda, estará presente no início do evento do Pateo do Collegio.

As informações são da Assessoria de Imprensa Prefeitura do Município de São Paulo - Subprefeitura da Sé.

Mapeamento de espaços ociosos para a implantação de cursos técnicos – 28/07/07

O governador José Serra determinou um mapeamento dos espaços ociosos em todas as escolas da rede pública para a futura implantação de cursos técnicos dentro de instituições que já existem.

A proposta é reaproveitar a infra-estrutura dos prédios, apenas adaptando salas de aula que se encontram vazias, economizando assim na construção de novas instituições. Os cursos serão oferecidos aos alunos do ensino médio.

A medida faz parte do novo Plano Estadual de Educação. Dez metas foram definidas com o objetivo de melhorar a qualidade das escolas da rede pública. Entre elas, destaca-se a ampliação de cursos que contemplem o mercado de trabalho.


Integração entre saúde e educação começa em dez dias – 21/08/07

O prefeito Gilberto Kassab e o secretário de Educação Alexandre Schneider se comprometem a colocar em prática o programa de integração Saúde-Escola no prazo máximo de dez dias.

Com exclusividade ao Mais São Paulo, eles disseram que o projeto piloto se iniciará na EMEI Zilda de Franceschi, localizada na Vila Madalena, zona oeste da cidade de São Paulo. A escolha deu-se em função de a escola já se relacionar com o posto de saúde do bairro.

O programa funcionará ligando as instituições de ensino municipais com as unidades de saúde da rede pública. Pediatras visitarão as escolas para realizar exame médico nos alunos. Depois de pronto o diagnóstico, os estudantes serão encaminhados para tratamento.

A medida foi anunciada depois que a prefeitura recebeu diagnósticos alarmantes feitos por médicos que atendem crianças da rede municipal de ensino. Foi levantado que 30% desses alunos sofrem de doenças de tratamento simples - como problemas de visão, audição, fala, verminoses, cárie, anemia, catapora e bronquite, entre outras - mas que, quando não sanadas, afetam o processo de aprendizagem, comprometendo assim o desempenho escolar.

Movimento Compromisso Todos pela Educação – 04/09/06

Essa semana o Brasil comemora sua independência e um grupo de empresários, representantes da sociedade civil, ONGs e órgão públicos se articulam para que a nação seja de fato independente através da educação.

O movimento Compromisso Todos pela Educação, inédito no país, pretende que a educação melhore até 2022 (data do bicentenário da independência). Um documento será lançado para estabelecer a educação como um compromisso para todos. Levantará indicadores para a população medir anualmente o desempenho do ensino. Dessa forma, dados concretos serão utilizados para cobrar do governo uma postura mais eficiente.

As cinco metas do movimento são:
1. Todas as crianças e jovens, de 4 a 17 anos, devem estar na escola;
2. Todos os alunos devem concluir os ciclos do Ensino Fundamental e Médio;
3. Todas as crianças, aos 8 anos de idade, devem saber ler e escrever;
4. Todos os alunos devem aprender, pelo menos o mínimo adequado a cada ciclo (de acordo com o Saeb);
5. A Educação deve ter a garantia dos recursos necessários para cumprir as metas de acesso, permanência e sucesso escolar.

sexta-feira, 7 de setembro de 2007

Descobertas, dúvidas... e a ciência

Por Kleber A. B. Godoy

Logo após o término de uma das maiores aventuras literárias mundiais, milhões de pessoas ficam órfãs do bruxinho Harry Potter e sua turma, sendo que a série bateu recordes e mais recordes em vendas ao longo de seus 7 livros, traduzidos para dezenas de idiomas e lidos por pessoas de todas as faixas etárias.

Assim, fazendo um link entre o fenômeno literário e a psique, encontrei um texto interessantíssimo da neurocientista Suzana Herculano-Houzel, professora da UFRJ e autora de "O Cérebro Nosso de Cada Dia" e de "O Cérebro em Transformação" onde faz uma interessante intersecção entre a sua leitura pessoal do último livro da série, publicado na segunda quinzena de Julho, e a explicação neurocientífica de se passar uma noite em claro apenas para se chegar ao final da história.

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Uma noite em claro com Harry Potter
Por Suzana Herculano-Houzel – Jornal da Ciência, em agosto de 2007

A escocesa J.K. Rowling consegue coisas fantásticas: fazer crianças lerem avidamente livros de 600 páginas, vender 8 milhões de livros em um só dia, ser lida por milhões de pessoas mundo afora ao mesmo tempo -e ainda deixar uma boa parcela dessas pessoas sem dormir para chegar logo ao fim da história, como eu (e aposto que não fui a única). Como a neurociência explica tamanho fenômeno?

Com duas palavras: ansiedade e prazer. Seguindo sábios conselhos do meu marido, fui à livraria na noite em que o livro começou a ser vendido, em vez de comprá-lo confortavelmente pela internet. Esperá-lo em casa teria me custado dois ou três dias de expectativa e o dilema de receber o livro justo no dia em que as crianças voltariam das férias com o pai; indo à livraria, eu poderia lê-lo imediatamente e receber as crianças já sabendo o final da história e, portanto, com meu tempo de férias disponível integralmente para elas.

Eu dispunha de três dias para a tarefa, mas o Potter de Rowling fez um estrago no meu cérebro -no bom sentido- e resolveu o assunto em uma única noite. Lá pelas duas da manhã, no meio do livro e na pior das enrascadas em que Potter se mete, meu córtex, na expectativa de descobrir a saída e o destino final do bruxo, resolveu ativar ao máximo o "locus coeruleus", fonte de noradrenalina, que inunda o resto do cérebro e o deixa acordado e atento, pronto para processar novas informações com rapidez e precisão. Nesse estado, qualquer sonolência desaparece: como adormecer requer por definição o desligamento do "locus coeruleus", não há força de vontade que desfaça o estado fabuloso de ansiedade, incompatível com o sono, em que a tensão da expectativa nos mete.

Como se não bastasse deixar o cérebro aceso, o "locus coeruleus" ativa também a área tegmentar ventral, que, com o aval do córtex interessado no assunto, distribui dopamina pelas regiões do cérebro que nos deixam motivados, dão saliência às informações processadas e ainda tornam o processo prazeroso. Resultado: com um assunto eletrizante a acompanhar, não só você perde o sono como acha isso ótimo. E assim eu adormeci feliz e satisfeita... às oito da manhã.

Se você precisa dormir à noite, portanto, a leitura do último Harry Potter é altamente desaconselhável. Em compensação, se você decidir abrir o livro, seu cérebro saberá mantê-lo acordado até a última linha. A neurocientista de plantão adverte: Harry Potter é prejudicial à sua sonolência!

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Suzana é muito esclarecedora, mas sinto que ao ler sua explanação não me identifiquei. Ou melhor, tive outra forma de reagir já que, ao lançamento do último livro da série Harry Potter, adiei em dois dias o início da leitura, sabendo que milhões de fãs pelo mundo afora, inclusive a Suzana, já haviam terminado na noite de lançamento. Isso mostra a individualidade humana, modos de reação diferentes e motivos vários para as ações. Situações que tem um significado muito particular. No caso, eu sabia que seria ruim a sensação desse fim.

Mas, no caso citado por ela, as descobertas científicas acerca do cérebro humano são realmente fascinantes. Assim, pensamos em quanto mais temos a descobrir sobre nós mesmos. Talvez alguns mistérios fiquem resguardados à escuridão, como no caso da tentativa (ou idéia) de se achar uma localização cerebral para o Inconsciente. E talvez estas devam realmente ficar ocultas. Lembrando sempre que o conhecimento cientifico, mesmo que muitos contrariem, não é o único conhecimento que se deve levar em conta, nem o único verdadeiro.

Falando em Inconsciente, porque será que esta foi a minha primeira escolha de publicação no blog? Talvez porque ainda estou em processo de elaboração de luto desde que terminei a última página daquele livro.

No final das contas, o melhor de tudo isso é que estamos sempre em construção, “afinando e desafinando”.

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Nota: Muito Obrigado a todos que tem visitado este blog e o Teatro da Vida também. O acesso foi maior do que o esperado. Isso exigirá ainda mais empenho para ótimas postagens e certamente trabalharemos para isso. Obrigado.

segunda-feira, 3 de setembro de 2007

A desesperança, o mensalão, a acusação, a esperança

Por Ana Paula P. Noronha

Diante de tantas notícias ruins nos jornais e nas revistas, uma ao longo desta semana, serve como um pouco de esperança ao povo brasileiro. A reportagem saiu na Veja nº 2024 e, nela, a presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Ellen Gracie, afirma: “este julgamento mostra o quanto são equivocadas algumas opiniões sobre a eficiência deste tribunal. No momento em que encerramos um julgamento que muitos consideram histórico, tenho dificuldades de acreditar que alguma corte suprema do mundo se reúna para apreciar denúncia dessa complexidade com esse nível de detalhe, com esse esforço analítico”.

O julgamento a que ela se refere foi aquele em que o STF pôs os mensaleiros no banco dos reús. Foram 40 os acusados no escândalo do mensalão que responderão a processos no STF. Dentre as acusações, é possível encontrar formação de quadrilha (associação de pessoas com vistas a cometer um crime); falsidade ideológica (declaração falsa em documento público), corrupção passiva (“aceitar vantagem indevida em razão do cargo público ocupado”); lavagem de dinheiro (“dissimular recursos de origem ilícita com o objetivo de realocá-los no sistema financeiro“); evasão de divisas (mandar dinheiro para fora do país); corrupção ativa (“oferecer vantagem indvida a funcionário público em troca de benefícios“); gestão fraudulenta (atos ilegais frente a instituições financeiras); e, peculato (apropriar-se de dinheiro ou bem de outrem em razão do cargo que ocupa).

De acordo com a reportagem: das 112 votações, nas quais os demais ministros eram convidados a decidir se aceitavam a denúncia de que tal pessoa poderia ter cometido tal crime, Joaquim Barbosa, o ministro negro, brasileiro, que fala alemão e dança forró, ganhou todas, sendo 96 por unanimidade. “Fazendo uso de uma linguagem simples e objetiva, os votos de Joaquim Barbosa e sua aprovação consagradora mostraram que ainda há juízes em Brasília”. “Do alto de seus 200 anos de história, o STF informou ao país que os corruptos e corruptores do mensalão podem ter sido tolerados pela Câmara dos Deputados, pela direção de seus partidos e até pelas urnas de outubro, mas não o serão pela mais alta corte da Justiça brasileira, o que é um alento em um país tão castigado pela impunidade”.

Agora, resta-nos mantermos atentos, a mais frágil possibilidade de nos sentirmos representados pela Justiça do nosso país.

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No mesmo tom: Ana Paula fala sobre “esperança”, uma fé no futuro, confiança plena naquilo que ainda está por vir, do latim sperāre, que significa “esperar”. E, se poetizando podemos dizer que “esperança é a memória do desejo”, não poderia haver abertura mais bela para este site. (Por K.G.)