segunda-feira, 3 de setembro de 2007

A desesperança, o mensalão, a acusação, a esperança

Por Ana Paula P. Noronha

Diante de tantas notícias ruins nos jornais e nas revistas, uma ao longo desta semana, serve como um pouco de esperança ao povo brasileiro. A reportagem saiu na Veja nº 2024 e, nela, a presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Ellen Gracie, afirma: “este julgamento mostra o quanto são equivocadas algumas opiniões sobre a eficiência deste tribunal. No momento em que encerramos um julgamento que muitos consideram histórico, tenho dificuldades de acreditar que alguma corte suprema do mundo se reúna para apreciar denúncia dessa complexidade com esse nível de detalhe, com esse esforço analítico”.

O julgamento a que ela se refere foi aquele em que o STF pôs os mensaleiros no banco dos reús. Foram 40 os acusados no escândalo do mensalão que responderão a processos no STF. Dentre as acusações, é possível encontrar formação de quadrilha (associação de pessoas com vistas a cometer um crime); falsidade ideológica (declaração falsa em documento público), corrupção passiva (“aceitar vantagem indevida em razão do cargo público ocupado”); lavagem de dinheiro (“dissimular recursos de origem ilícita com o objetivo de realocá-los no sistema financeiro“); evasão de divisas (mandar dinheiro para fora do país); corrupção ativa (“oferecer vantagem indvida a funcionário público em troca de benefícios“); gestão fraudulenta (atos ilegais frente a instituições financeiras); e, peculato (apropriar-se de dinheiro ou bem de outrem em razão do cargo que ocupa).

De acordo com a reportagem: das 112 votações, nas quais os demais ministros eram convidados a decidir se aceitavam a denúncia de que tal pessoa poderia ter cometido tal crime, Joaquim Barbosa, o ministro negro, brasileiro, que fala alemão e dança forró, ganhou todas, sendo 96 por unanimidade. “Fazendo uso de uma linguagem simples e objetiva, os votos de Joaquim Barbosa e sua aprovação consagradora mostraram que ainda há juízes em Brasília”. “Do alto de seus 200 anos de história, o STF informou ao país que os corruptos e corruptores do mensalão podem ter sido tolerados pela Câmara dos Deputados, pela direção de seus partidos e até pelas urnas de outubro, mas não o serão pela mais alta corte da Justiça brasileira, o que é um alento em um país tão castigado pela impunidade”.

Agora, resta-nos mantermos atentos, a mais frágil possibilidade de nos sentirmos representados pela Justiça do nosso país.

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No mesmo tom: Ana Paula fala sobre “esperança”, uma fé no futuro, confiança plena naquilo que ainda está por vir, do latim sperāre, que significa “esperar”. E, se poetizando podemos dizer que “esperança é a memória do desejo”, não poderia haver abertura mais bela para este site. (Por K.G.)

5 comentários:

Delfim Peixoto disse...

A Esperança bem descrita!
jnhs

Anônimo disse...

Carissimo
Vc é um SER ... no mínimo especial...adorei seu convite e a sensibilidade de partilhar material interessante para fomentar nosso senso crítico...com pitadas de doçura!!!
Pax et lux
karla Fabiana

Magia8 disse...

Observatório da Clínica informa

programação

setembro


11 – 3ª
Lançamento

19h
Estados Gerais da Clínica e a débâcle da mulher,

Mirian Giannella



18 – 3ª
Palestra
A mulher na maturidade, Mirian Giannella






Entre o lixo e a bicicleta – Registro e dinâmica sobre a imagem “Sonho de Menina” de Celso Gitahy.



25 – 3ª
Vivência

27 – 5ª
9 às 12h

Palestra
Comentários sobre o texto "Transmitir psicanálise: Exercício de psicanálise em ato sobre o feminino no homem" de Richard Abibon, carinhosamente acolhido no Laboratório de Psicopatologia Fundamental do Programa de Estudos Pós-Graduados em Psicologia Clínica da PUC/SP, sala 530; a tradução de Mirian Giannella será publicada no Boletim da Pulsional (no prelo);



27 – 5ª
19h
Richard Abibon, psicanalista francês, nos falará sobre O feminino no homem: transmitindo psicanálise através de sonhos, tradução de Cláudia Berliner; e Os Destinos da mulher, Mirian Giannella, continuaremos o estudo sobre a tese de Marie Christine Laznik sobre sexualidade feminina na menopausa, o Complexo de Jocasta.




no Espaço Cultural Alberico Rodrigues

Praça Benedito Calixto, 159, Pinheiros, tel: 3064 3920 e 3064 9737



A demanda é sempre de escuta, atenção, amor.

A proposta dos Estados Gerais é bacana porque convida a sentar à mesa

todos os envolvidos, todas as linhas, todas as tendências, em nome próprio, sem disputas politico-partidárias, escolares e luta de classes, sem essa cacofonia ambiente de apenas desautorização. Enquanto nos engalfinhamos, o dinheiro circula por outras vias. Por que então brigamos? Por quem?

Pelos pobres e desvalidos? Por sua reserva de mercado? Que mercado?

Temos obrigação, neste momento de abertura, de começar já a viver o futuro que sonhamos,

apontando as saídas deste caos! Vamos juntos com o movimento

Nossa São Paulo - Outra cidade

fazer aqui e agora. Criamos e participamos de uma

organização horizontal na base do consenso que dispensa hierarquias,

que não se propõe a representar seus integrantes, que não submete à votações,

que valoriza a diversidade e estimula ações autônomas.

Princípios que nos tornam mais competentes e menos competitivos!

"Devemos fazer convergir as resistências e passar à invenção ofensiva.

É preciso a união para responder a esse desafio da passagem de um ...

Para ler mais entre em ht´p://giannell.sites.uol.com.br/EGCdoB

Abraços colega! Mirian Giannella

catatau disse...

A boa questão é que com certeza esse caso será julgado. Ponto nem para o governo atual, nem para a mídia, mas para a conjuntura: uma mídia situada CONTRA o governo.

O problema é se depois elegermos novamente candidatos em sintonia com os meios maiores de divulgação: continuaremos diante de silêncios intermináveis. Indicariam esses silêncios a ausência de corrupção? Sem chances!

abração,

Anônimo disse...

deve-se antes de tudo aumentar a pena do uso de adolecente pelos criminosos uma pena pra valer mesmoa. vida ,alegria, paixão, desejo de ser amado reconhecido, visto,aceito é muito forte dentro dele,eles buscam de qualquer geito em qualquer lugar é mais forte que eles é o chamado da vida criar ambientes alegres participativoé um bom remedio,LINA