quarta-feira, 31 de outubro de 2007

O mundo precisa de gentileza

Por Ana Paula Porto Noronha

Tenho me dado conta de que o mundo está precisando de mais gentileza. Gentileza é, de acordo com o Grande Dicionário Larousse Cultural, delicadeza, amabilidade, cortesia... As pessoas têm sido pouco gentis umas com as outras. Observo no contexto onde trabalho, não raras vezes, que alguns funcionários são vistos como parte do mobiliário, de tal modo que, ao passarem por elas as pessoas não se preocupam com as palavras básicas que permeiam os códigos de educação, como o “bom dia”, “obrigada” e “até logo”. Não acho que isto resuma simplesmente o que é ser gentil, mas é um bom início para que as pessoas observem mais suas práticas diárias.

Tem uma funcionária que vai trabalhar toda produzida, com direito a maquiagem e cabelo arrumado por bobis. Quando passo por ela e lhe elogio, sinto sua gratidão, assim como sei que ela passaria boa parte da manhã me contando sobre seu final de semana. Talvez seja isso. As pessoas estão sempre sem tempo... A rotina... As exigências... A preocupação com a produção as deixa com pressa e com medo de perder tempo se tiver que olhar para o outro. Quanta tolice! “Perder tempo”, se é que podemos falar assim, com o outro, só nos torna seres melhores.

Também concebo o “ser gentil” como uma forma de respeito. E, a propósito, a este respeito, em conversa com uma amiga também professora universitária, com muitos anos de experiência docente, procurei refletir sobre as características de um “bom aluno”. Há muitas pesquisas científicas que tratam das características do bom docente e, pasme você, ou não, dentre elas, as características de personalidade estão lado a lado com o domínio do conhecimento. Ou seja, ser um bom docente implica, na mesma medida, em conhecer o assunto e possuir características que gerem bons relacionamentos interpessoais.

As pesquisas em tornos dos alunos, em geral, tratam basicamente de habilidades cognitivas. Como dizia, como síntese da conversa com minha amiga, definimos que igualmente ou mais importante que seu potencial cognitivo, o aluno precisa ter atitudes positivas. Sim, pode parecer estranho, mas é muito mais fácil e prazeroso trabalhar com alunos que tenham atitudes pró-ativas, que aqueles somente inteligentes. Infelizmente tenho encontrado, mais do que gostaria, pessoas desta última natureza, qual seja, com boas condições das suas capacidades intelectuais, mas absolutamente pobres no exercício da gentileza, do respeito, do amor ao próximo, do compromisso com o outro e consigo mesmo.

O texto de Malvar Fonseca pareceu-me interessante e em razão disso, gostaria de apresenta-lo.

“Há algum tempo, li não sei onde um episódio ocorrido com uma escritora que foi passar dois meses numa região montanhosa de um país europeu, num período do ano em que era freqüente acontecerem grandes tempestades; ia com o propósito de conhecer os costumes da gente do campo e colher assim material para um romance. Quando estava desfazendo as malas no pequeno chalé que alugara, com a ajuda da caseira que morava perto dali, desabou um grande temporal e as luzes se apagaram. A caseira acendeu umas velas e, enquanto atiçava o fogo na lareira, bateram à porta. Era um rapazinho de uns doze anos, conhecido da caseira. Depois de recuperar o fôlego, o menino disse:

- Vim ver se está tudo bem com a senhora.

A caseira agradeceu e apresentou-o à escritora. Como a ventania aumentasse e a chuva caísse com mais força, o rapaz perguntou à recém-chegada:

- A senhora não tem medo?

A escritora ia dizer que não, mas a caseira, que evidentemente não estava nem um pouco assustada, atalhou-a:

- É claro que ela estava morrendo de medo, assim como eu. Mas agora temos um homem aqui, e tudo vai ficar bem.

Quando a tormenta passou, o menino despediu-se e saiu, capengando do modo mais garboso que podia.

A escritora ficou pensativa e perguntou-se: "Por que não me ocorreu responder à pergunta do menino como a caseira?" E evocou tantas situações da sua vida em que se mostrara pouco sensível às necessidades dos outros por estar absorvida nas suas coisas. "Que havia naquela mulher simples do campo - continuou a pensar - que a tornava capaz de transformar um menino aleijado num homem confiante?" E teve de reconhecer: simples detalhes de gentileza e afeto.

Pois é precisamente no convívio com as outras pessoas que a atenção para os detalhes se reveste de um significado especial. Merece até um nome particular: delicadeza, que reclama uma grande diligência e grandeza de alma. É ela que permeia todas as virtudes próprias da convivência, como a cordialidade, a afabilidade, o acolhimento, o perdão, a paciência, enfim, a caridade. Manifesta-se principalmente, em palavras de Machado de Assis, "nesse desejo de bem servir que é a alma de toda a cortesia". Nunca deveria dar-se motivo para o comentário cético daquele que dizia que o lar é o centro geométrico das grandes dedicações e das pequenas desatenções. Mas trata-se de exercitar a "arte de ser amável" não apenas no sentido ativo, mas também no sentido passivo, isto é, facilitando aos outros que nos queiram bem. Quando penso nisto, lembro-me sempre de um cantor nacional que, há uns trinta anos, fazia um programa de TV com muito sucesso e que, no fim de cada apresentação, se despedia com as mesmas palavras: "Continuem a querer-me bem, que não custa nada". É isso o que quero dizer com ser amável no sentido passivo: que, pela nossa gentileza, não custe aos outros nada ou quase nada querer-nos bem.”

Fonte: "Coisas Pequenas", Editora Quadrante, São Paulo, 1996

Em síntese, exercitar a gentileza é possível; não dói; não tem contra-indicações; dissemina o amor; oferece bons modelos de relacionamentos interpessoais; promove a saúde mental, ao mesmo tempo em que favorece a física; deixa-nos mais felizes (suponho que pesquisadores tenham bons resultados a respeito disso) e reafirma a necessidade de se encarar cada dia como único. Prefiro escrever textos a partir dos quais possa fazer relações com a minha vida. Este texto, em especial, me possibilitou isto. Nesse sentido, quero oferecê-lo ao Kleber, meu parceiro de blog, e uma dessas pessoas que você encontra na vida e amansa seu coração ao ver que é um exemplo de aluno com excelentes capacidades cognitivas e é muito gentil!!!


Gentileza
Marisa Monte

Apagaram tudo

Pintaram tudo de cinza

A palavra no muro

Ficou coberta de tinta

Apagaram tudo

Pintaram tudo de cinza

Só ficou no muro

Tristeza e tinta fresca

Nós que passamos apressados

Pelas ruas da cidade

Merecemos ler as letras

E as palavras de Gentileza

Por isso eu pergunto

À você no mundo

Se é mais inteligente

O livro ou a sabedoria

O mundo é uma escola

A vida é o circo

Amor palavra que liberta

Já dizia o Profeta

Parte superior do formulário
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segunda-feira, 22 de outubro de 2007

Dia do Professor

Por Ana Paula Porto Noronha

Recentemente comemoramos o Dia do Professor, mais especialmente no dia 15 de outubro. De acordo com o site www.portaldafamilia.org poucos sabem como e quando surgiu este costume no Brasil. “No dia 15 de outubro de 1827 (dia consagrado à educadora Santa Tereza D’Ávila), D. Pedro I baixou um Decreto Imperial que criou o Ensino Elementar no Brasil”. De acordo com o decreto, as cidades, as vilas e os lugarejos deveriam ter suas escolas. Ainda, de acordo com ele, deveria haver a descentralização do ensino, a remuneração de professores, assim como as matérias básicas que os alunos deveriam aprender. Para a época, a idéia era inovadora e revolucionária. A primeira comemoração ao dia do professor ocorreu somente em 1947, ou seja, 120 anos após o referido decreto.

Escolhi falar deste tema, pois professora como sou, acho importante que se reflita sobre a arte e o ofício de ser educador em nosso país. Sou docente há 17 anos, sempre de ensino superior, e nem sei quantas histórias, daquelas de professor, teria para contar. Ao imaginar o tema desse texto, lembrei de algumas delas; umas muitas boas, das que fazem o peito doer de emoção, outras nem tanto. Foram muitas as pessoas que passaram pela minha vida, pelas minhas salas de aula, pelos meus olhos, de tal modo que me permito concluir que estão registradas em mim, por meio dos meus sentidos e das minhas percepções. Na verdade, talvez seja este o segredo do ofício, destinar-se a ensinar ao mesmo tempo em que se permite aprender com cada um daqueles que tiveram seus nomes nos meus diários de classe.

Ainda, no que se refere à escolha do tema, sou capaz de me lembrar do nome da minha primeira professora, bem como da emoção que sentia quando era elogiada por ela. Ainda naquele tempo, mais que hoje, o professor tinha o status de ser alguém que tinha algo a oferecer. De acordo com o Ministério da Educação, o Brasil hoje tem cerca de 1,5 milhão de professores, sendo que função deles, tal como preconizado pelo órgão, não é o de simplesmente transmitir conhecimentos, mas principalmente ensinar o aluno a estudar e a valorizar o estudo, e ao mesmo tempo, ajudá-lo a se desenvolver socialmente.

A Folha de São Paulo de hoje (22/10/2007) traz reportagem de capa da seção Cotidiano a manchete: “47% dos professores até a 4ª série não têm diploma universitário”. A reportagem na íntegra diz:

“Quase metade dos professores dos anos iniciais da educação básica não tem formação de nível superior no Brasil. Eles são responsáveis por uma das etapas mais importantes para a qualidade de toda a educação básica: a alfabetização. É também na primeira série do ensino fundamental que as taxas de repetência são mais elevadas.

Se fosse seguida à risca uma das determinações da LDB (Lei de Diretrizes e Bases) da Educação, esses profissionais teriam problemas para participar de concursos de admissão. A LDB previa que, a partir do ano que vem (2008), não poderiam mais ser contratados docentes sem nível superior concluído”.

Ainda, no que respeita à reportagem, há o depoimento de uma professora que diz: “não se contentou com a formação em nível médio e, nos últimos dez anos, conciliou seu trabalho de professora na educação infantil com o investimento em sua qualificação. Nesse período, formou-se em pedagogia, fez especialização em uso de tecnologias para a educação infantil e, finalmente, concluiu mestrado em políticas públicas com ênfase no uso da informática na educação infantil. Tanto esforço rendeu frutos neste ano, quando ela recebeu do Ministério da Educação o prêmio Professores do Brasil, que destacou 20 trabalhos de todo o país que contribuíram para melhorar a qualidade da educação no país”.

Luciene conta que o conhecimento adquirido na universidade foi fundamental para o sucesso obtido pelo projeto Figurinhas da Infância, em que os alunos da Escola Estadual de Ensino Fundamental República, em Quintino (zona oeste do Rio de Janeiro). Ela afirma, no entanto, que o trabalho do professor de séries iniciais é, muitas vezes, considerado menos importante “. Ela considera isto errado e diz:” O professor da creche precisa ser tão bem formado e valorizado quanto em de ensino médio “.

Hoje meu espírito é saudosista. Ofereço este texto à Dedé, minha primeira professora e a todos os outros que passaram e ainda passam pela minha vida. À Maria Emília, ao Roberto, à Acácia e a todas as professoras que como Luciene, nunca desistem dos sonhos possíveis. Para eles, ofereço uma maça em comemoração ao Dia dos Professores!!!

quarta-feira, 17 de outubro de 2007

Não reprima... o bocejo!

Por Kleber Godoy

Abaixo, publico o resultado de um estudo que achei interessante, juntamente com outros dois artigos. O neurologista Luciano Ribeiro Pinto, da Unifesp avisa: há estudos que indicam que o ato de bocejar é um dos mecanismos disparados pelo cérebro para estimular o estado de vigília. Isso se dá porque a inspiração profunda que acontece durante o bocejo aumenta a oxigenação do sangue, levando o sono para longe. E todos os animais vertebrados bocejam, isso “esfria a cabeça”... e promove o “ficar acordado”. Quem diria, não?

Um comportamento que há muito intriga os pesquisadores, agora tem uma resposta e é boa, já que se você ver alguém conversando com você e bocejando não significa mais que ela está desinteressada em seu discurso, mas sim que está fazendo esforços para se manter acordado.

E ainda em outras leituras pude colher alguns dados interessantes acerca do tema, como por exemplo, o fato de que alguns estudos têm falado sobre a esclerose múltipla, doença neurodegenerativa associada à uma termorregulação inadequada. Pacientes com esta doença bocejam muito e após estes comportamentos se sentem aliviados em seus sintomas.

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Bocejos refrescam cérebro e ajudam a acordar, diz estudo
http://noticias.uol.com.br/bbc/reporter/2007/07/04/ult4911u29.jhtm
04/07/2007

Pesquisadores americanos afirmaram que o ato de bocejar pode ser uma forma de tentar se manter acordado e não um sinal de que o sono está aumentando. Segundo os psicólogos Andrew e Gordon Gallup, da Universidade Estadual de New York em Albany, o bocejo refresca o cérebro, ajudando-o a permanecer alerta.

"Segundo nossa hipótese, ao invés de promover o sono, o bocejo é antagonista do sono", afirmou Gordon Gallup. Segundo ele, o cérebro funciona mais e de forma mais eficiente quando está frio. E o efeito "contagioso" do bocejo seria um mecanismo para ajudar um grupo de pessoas a se manter vigilante.

Filmes: Os dois cientistas recrutaram 44 estudantes universitários para assistirem, sozinhos, a filmes de pessoas bocejando e gravaram o número de bocejos dados por cada voluntário. Os estudantes receberam instruções de inspirar e expirar de uma destas quatro maneiras: apenas pela boca, apenas pelo nariz, oralmente enquanto usavam um tampão para o nariz ou apenas respirar normalmente.

Robert Provine, cientista da Universidade Maryland, em Baltimore Foi observado que 50% das pessoas que receberam instruções para respirar normalmente ou pela boca bocejaram quando assistiam imagens de bocejos. Nenhuma das pessoas que respiraram pelo nariz bocejou.Testa fria: Os pesquisadores também descobriram que os voluntários que mantiveram um pacote frio encostado na testa não bocejaram enquanto assistiam ao filme, enquanto aqueles que seguraram um pacote quente ou à temperatura ambiente contra a testa bocejaram normalmente. Vasos sanguíneos na região da cavidade nasal enviam sangue frio para o cérebro. Então, respirar pelo nariz e esfriar a testa refrescam o cérebro e eliminam a necessidade de bocejar, disse Gordon Gallup.

"Pára-quedistas relatam que bocejam antes de um salto", disse o cientista Robert Provine, da Universidade de Maryland, em Baltimore. "Bocejar sinaliza uma transição entre estados comportamentais de vivacidade e sonolência, tédio e vigilância", acrescentou.
O estudo de Andrew e Gordon Gallup foi publicado na revista especializada Evolutionary Psychology.

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Por que quando uma pessoa boceja a outra boceja também?

(Alessandra, São João de Meriti, RJ, Josemar, São Paulo, SP, Marco Antonio Rosseto, São Paulo, SP , e Roniel dos Santos, Campinas, SP)

Ainda não se sabe exatamente por que o bocejo é contagioso. Aliás, esse é um grande mistério para os estudiosos. "Existem algumas teorias para tentar explicar esse fenômeno, mas não há respostas conclusivas", diz a bióloga Débora Hipólide, do Departamento de Psicobiologia da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Segundo ela, evidências sugerem que o bocejo seria uma forma primitiva de comunicação entre indivíduos da mesma espécie, para sinalizar mudanças no ambiente. O contágio seria a maneira de afirmar o recebimento da mensagem, ao mesmo tempo em que se passa ela adiante. Essas pistas são levadas em conta em uma das principais teorias do bocejo, conhecida como "Teoria Evolucionária". Por essa tese, o bocejo era um comportamento importantíssimo para algum ancestral dos vertebrados - não se sabe qual. Naquela época, o bocão aberto serviria para alertar o grupo e sincronizar a ação, passando mensagens como "atenção, predador na área", "aí vem chuva" ou "ei, é hora de dormir". Com a evolução, as ameaças diminuíram e a comunicação melhorou, mas guardamos esse resquício primitivo, hoje sem nenhum significado especial. Não somos os únicos vertebrados que bocejam: cães, gatos e leões são alguns exemplos de animais que têm a mesma mania. Uma outra teoria sobre o fenômeno propõe que o bocão aberto possa ter a função de mostrar mudanças nas condições internas do nosso corpo. Ou seja, o bocejo teria um caráter fisiológico, usado pelo organismo como um sistema de alerta, quando a pessoa está entediada, sonolenta ou cansada. "Como nessas situações respira-se mais lentamente, à medida que o nível de gás carbônico aumenta no sangue, uma mensagem é enviada ao cérebro, pedindo mais oxigênio. O bocejo seria uma resposta à necessidade de uma respiração profunda para despertar o corpo", afirma Débora.

Quero ar!

Teoria fisiológica aponta o bocejo como uma tática do organismo para ganhar mais

1- Quando a oxigenação nos alvéolos pulmonares diminui, uma mensagem é enviada a uma região do cérebro chamada núcleo paraventricular, que fica no hipotálamo. De lá são liberados vários mensageiros químicos — os neutrotransmissores — que induzem ao bocejo e a reações simultâneas em todo o corpo

2- A boca se abre e a pessoa inspira uma grande quantidade de ar, que é enviado aos pulmões. Ao mesmo tempo, os músculos se alongam para melhorar a circulação e a taxa de batimentos cardíacos aumenta. Assim, a sensação de cansaço diminui e o corpo volta ao estado de alerta

3- O bocejo se caracteriza por ser um reflexo involuntário. É quase impossível interrompê-lo, mesmo que se queira — por isso a "contaminação" é tão grande. Estudos da Universidade Estadual de Nova York mostram que entre 40% e 60% das pessoas sentem-se contagiadas pelo bocejo alheio

Publicado na Edição 36 - 02/2005 – http://www.mundoestranho.abril.com.br/ ________________________________
Bocejo tem relação com empatia entre pessoas, diz estudo
O ato de bocejar está associado à habilidade das pessoas de demonstrar empatia entre elas e por isso seria contagioso, diz uma pesquisa feita por cientistas japoneses. A nova teoria surgiu de um estudo realizado na Universidade de Birkbeck, de Londres, com 24 crianças portadoras de transtornos autistas e 25 com "desenvolvimento típico".

Os pesquisadores observaram que crianças com autismo bocejaram menos do que as outras ao assistirem vídeos em que adultos aparecem bocejando.

Segundo os especialistas, isso aconteceria porque o bocejo “contagioso” e a empatia entre as pessoas têm mecanismos neurológicos semelhantes, e o autismo é uma desordem que afeta seriamente a interação social e o desenvolvimento da habilidade de comunicação dos indivíduos.

Sintomas do autismo

"Se o bocejo é relacionado à capacidade de transmitir empatia, então é possível que os indivíduos com autismo, cuja demonstração de empatia é prejudicada pelo problema, demonstrem os sintomas da doença ao não se contagiarem pelo bocejar dos outros", explicou o professor Atsushi Senjo, que liderou o estudo.

“Alguns especialistas em primatas e psicólogos sustentam que o bocejo contagioso funciona usando o mesmo princípio da capacidade de demonstrar empatia, mas outros psicólogos argumentam que o contágio é um simples reflexo.”

"Nossa pesquisa confirma as previsões da teoria da empatia ao revelar que indivíduos com desenvolvimento atípico do relacionamento com os outros não se contagiam pelo bocejo das outras pessoas", afirma.

Muitos animais com coluna vertebral bocejam espontaneamente, sendo que somente os humanos, chimpanzés e outras espécies de primatas sofrem de bocejo "contagioso".

Recentemente, pesquisadores americanos disseram que o efeito "contagioso" do ato de bocejar seria um mecanismo para ajudar um grupo de pessoas a se manter alerta.

Referência:
www.bbc.co.uk/portuguese/reporterbbc/story/2007/08/070817_bocejoempatia_fp.shtml

quinta-feira, 11 de outubro de 2007

Dementadores à vista, marujo!

Por Kleber Godoy

Há uma névoa no ar. Serão os dementadores de J. K. Rowling? O que desencadeia o frio existencial, esse vazio que abarca pessoas no mundo todo? Talvez as soluções existenciais que são propostas pela sociedade de consumo e pelas novas formas de entretenimento, não sejam suficientes.

O que determina a felicidade? No segundo texto, há grande embasamento para a ampla teoria do psicanalista Alfred Adler, sobre a importância da socialização. Tomei a liberdade de colocar negrito em frases e parágrafos que achei importante destacar. Inclusive é o melhor texto baseado em fatos que já li a abordar tão consistentemente a sociedade de consumo, a vida do ser humano na pós-modernidade e a velocidade que se deve acompanhar para não ficar para trás. Tudo isso claro, em detrimento da felicidade, sempre protelada.

De outro lado, talvez escritores como Rimbaud e Lord Byron sempre estiveram certos ao falar da condição humana de viver o martírio e o castigo...

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Uma pessoa se suicida a cada 30 segundos no mundo
(em http://br.noticias.yahoo.com/s/afp/070910/mundo/oms_suic__dios_1)

GENEBRA (AFP) - Cerca de 3.000 pessoas se suicidam por dia no mundo, uma a cada 30 segundos, alertou nesta segunda-feira a Organização Mundial de Saúde (OMS) por ocasião do Dia Mundial de Prevenção do Suicídio.

Para cada pessoa que acaba com a própria vida, pelo menos 20 outras fracassam em sua tentativa.

A organização assinalou que o trauma emocional que causa um suicídio no meio da família ou dos amigos do suicida, seja fracassado ou concretizado, pode durar vários anos.

"A porcentagem de suicídios aumentou de 60% no mundo durante os últimos 50 anos e o aumento mais forte foi registrado nos países em desenvolvimento", acrescentou a organização.

O suicídio é atualmente a terceira causa de mortalidade entre os 15 e os 34 anos, se bem que a maioria dos suicídios é cometido por adultos.

A OMS também destacou como cada vez um número maior de idosos acabam com suas vidas.

Para lutar contra o suicídio e colocar em andamento estratégias de prevenção é importante, segundo a OMS, acabar com os tabus e abordar o tema abertamente.

"É preciso que o suicídio não seja considerado um tabu ou o resultado de crise pessoais ou sociais, e sim um indicador de saúde que evidencia os riscos psicossociais, culturais e meio ambientais suscetíveis de prevenção", afirma a OMS.

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Mais ricos e menos felizes
A falta de tempo para a família e os amigos e a sensação de insegurança diminuem o bem-estar emocional que o dinheiro pode trazer

Esteban Hernández / Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves
Retirado do Site Uol em 19/08/2007

Em "A Corrosão do Caráter", Richard Sennett, o mais famoso sociólogo contemporâneo, comparou os estilos de vida de Enrico, imigrante italiano que trabalhava limpando escritórios em Chicago e cujo principal objetivo era poupar o dinheiro necessário para comprar uma casa digna e garantir um futuro melhor para sua família, e o de Rico, filho dele e submetido à vida flexível pós-moderna, às viagens constantes, à instabilidade no emprego e que, no entanto, gozava de um nível de vida elevado. Uma mudança tão acentuada, evidente a um simples olhar e refletida em inúmeras marcas físicas, psíquicas e sociais, não parece ter resultado tão positivo quanto se poderia esperar. Segundo um estudo da Universidade de Siena (Itália), dirigido pelo professor de economia política Stefano Bartolini, os americanos viveram um declínio apreciável em sua qualidade de vida, afetada principalmente pela deterioração das relações sociais e pelo aumento das horas de trabalho, e hoje são muito menos felizes do que há 30 anos.

Até poucas décadas atrás, na Espanha, se observavam esses dados à distância, como se fizessem parte de processos que só ocorriam em países com uma carga de ansiedade social muito maior que a nossa. Éramos pobres, mas vivíamos em termos cotidianos muito melhor que os frios e ricos países do norte da Europa. É claro que os relatórios atuais não parecem confirmar uma impressão que, apesar de tudo, parece continuar vigente na área mediterrânea. Em "O Primeiro Mapa-múndi da Felicidade", estudo dirigido pelo psicólogo social Adrian White, da Universidade de Leicester, e no qual foram compilados dados de 177 países, aqueles com maior índice de bem-estar emocional são Dinamarca, Suíça, Áustria, Islândia, Bahamas, Finlândia e Suécia. Os EUA são o 23º e o Reino Unido o 41º. A Espanha está em 46º lugar.

Em outras palavras, aconteceu conosco o mesmo que com Enrico e seu filho? Passamos em poucas décadas de um país pobre mas feliz, com um clima que favorecia relações sociais fortes, laços familiares sólidos e um sentido estreito de solidariedade, a outro muito mais disperso, com pessoas fechadas em si mesmas e com redes sociais frágeis? Trocamos felicidade por bem-estar material?

Sem dúvida os processos vividos em nosso país não são substancialmente diferentes dos ocorridos na Europa ocidental, onde as questões materiais deram lugar a aspectos muito mais relacionados à vida privada, indica Josep Maria Blanch, catedrático de psicologia social da Universidade Autônoma de Barcelona. "Quando os problemas de subsistência deixam de ser os que mais preocupam em um país, costumam tomar seu lugar os relacionados à qualidade das relações humanas. Os que hoje dispõem de maior status econômico também são os mais pobres em tempo. Assim, não temos energia disponível para as relações familiares, para cuidar dos filhos e para a vida social, o que faz nossa qualidade de vida decair".

Como medir a felicidade?

O grau de felicidade tem muito a ver com o bem-estar emocional, e este está intimamente relacionado à qualidade das relações sociais. Mas é o fator essencial? Como se pode medir a felicidade? Segundo Amado Peiró, professor do departamento de análises econômicas da Universidade de Valência, os elementos a considerar são: "A saúde, já que existe uma forte associação direta entre esta e a felicidade; o estado civil, pois os casados são mais felizes que os solteiros e muito mais que os viúvos, separados ou divorciados; e a idade, já que a felicidade decresce com o tempo até alcançar um mínimo na década dos 40 para remontar posteriormente". Outros fatores de aparente importância, como o sexo, o número de filhos, o tamanho da cidade em que se vive ou o nível de estudos "são variáveis que não estão praticamente associadas à felicidade".

Embora o principal indicador pareça ser o nível material, que aparece altamente valorizado nas pesquisas, tanto de uma perspectiva coletiva como individual. Assim, em "O Mapa-múndi da Felicidade", são os países de maiores recursos que ocupam os primeiros lugares. E seu diretor, Adrian White, afirmou que se poderia deduzir da pesquisa que, ao contrário do que afirma a psicologia social contemporânea, a principal causa da infelicidade é a pobreza. Segundo Peiró há três afirmações que podem ser consideradas certas no que se refere ao peso do nível econômico: "Em um país e em determinado momento, as pessoas de renda maior são mais felizes que as de renda menor, mesmo que a diferença não seja muito grande; em segundo lugar, os cidadãos de países com renda elevada apresentam geralmente um maior nível de felicidade que os de países de baixa renda; e por último, ao longo do tempo, os aumentos na renda dos cidadãos de um país não se traduzem em aumentos de seu nível de felicidade. Por exemplo, um país desenvolvido pode triplicar sua renda per capita ao longo de três ou quatro décadas e, no entanto, o grau de felicidade de seus cidadãos não variar".

Blanch concorda. Para ele, é significativo que nos EUA na década de 1990 o Produto Interno Bruto tenha crescido 30% e, no entanto, os níveis de bem-estar percebido e de satisfação com a própria vida tenham baixado substancialmente. "Todos tendemos a concordar que para conseguir esse maior poder econômico as pessoas precisam ocupar muito mais tempo, o que termina erodindo um elemento chave, o da qualidade da vida social. Há povoados com um nível de vida médio que são mais felizes, pois compensam a menor renda com uma vida social intensa e agradável".

Mas ao se levar em conta a realidade das respostas dos pesquisados é preciso avaliar uma série de constantes, explica Juan Díez Nicolás, catedrático de sociologia na Universidade Complutense de Madri e membro da World Values Survey, associação que publica a cada cinco anos a Pesquisa Mundial de Valores. "Há duas regras de ouro. A primeira é que a maioria das pessoas tende a se identificar como felizes, seja qual for sua situação: nas sociedades atuais, onde existe uma suposição segundo a qual quem tem talento e trabalha duro triunfa, quem não é feliz está admitindo uma espécie de fracasso". Em conseqüência, para um exame correto, é preciso levar em conta o conjunto de respostas: "Uma pessoa considera a si mesma bem, avalia sua situação pessoal como melhor que a do país e melhor ainda a de seu país em relação ao mundo". Igualmente, os fatores temporais precisam ser postos em perspectiva: "A avaliação do presente costuma ser melhor que a do passado, e a do futuro melhor que a do presente".

O futuro

E é exatamente na ruptura dessas regras que se pode apreciar melhor o aumento da infelicidade. De um lado, porque os cidadãos percebem o mundo como cada vez menos confiável e mais perigoso. E ao mesmo tempo porque o futuro já não é visto como o momento em que se concretizarão os desejos presentes. Pelo contrário, o futuro está se desenhando, sobretudo na vida privada, com características muito instáveis. Como indica Blanch, "convivem em nossa época a esperança de um tempo melhor com o medo de perder algumas coisas que havíamos conseguido".

Para Josetxo Beriain, professor de sociologia da Universidade Pública de Navarra, essas mudanças são mais um sinal da ambivalência da modernidade: "Tomamos como valores essenciais a velocidade e a aceleração e acabamos vivendo uma certa tirania do presente; ou possuímos grandes avanços técnicos que podem acabar nas mãos de terroristas como instrumentos de enormes massacres". Mas onde se dão as maiores contradições "é no trabalho e na família, os grandes espaços sociológicos, que é onde realmente se mede o estado das coisas. E podemos falar que na família contemporânea há mais liberdade, que a mulher pôde se emancipar e que podemos escolher melhor com quem queremos conviver. Mas ao mesmo tempo a família como colchão de segurança permanente, como couraça que nos protegia, como segurança social, está se deteriorando. Transformações equivalentes estão acontecendo no ambiente de trabalho, onde passamos de uma sociedade baseada na linearidade e na melhora progressiva para outra sustentada na insegurança permanente, como afirma Josep María Blanch. "Essa incerteza cria muitas dificuldades para planejar o futuro e para ver a vida com tranqüilidade. Mas ao mesmo tempo há um segmento de profissionais que desfruta e tira proveito dessa nova situação".

O terceiro aspecto paradoxal de nossos tempos aparece no consumo. Cada vez possuímos mais bens, gastamos mais com eles, desejamos com maior intensidade aumentar nossas propriedades, e, no entanto, os objetos não parecem melhorar nosso nível de felicidade. Pelo contrário: segundo Luis Enrique Alonso, catedrático de sociologia da Universidade Complutense de Madri, "os consumos particulares sempre nos deixam no âmbito da insatisfação. Quando os projetos vitais eram baseados no mundo do trabalho, alguém podia dizer 'sou economista, ou advogado, ou médico' e tinha um lugar de sentido definido. Agora, se alguém diz 'tenho o último ipod, logo sairá o superipod. É que o consumo vive das expectativas frustradas". E, embora possa parecer contraditório, "uma sociedade precária consome muito, geralmente animada por um entorno de comparações inter-subjetivas que sempre nos causa infelicidade".

Esse conjunto de transformações também foi objeto dos discursos políticos. A tensão entre o crescimento macroeconômico e o declínio do bem-estar privado foi abordada por David Cameron, o líder conservador britânico, que afirmou no início do ano que estava na hora de admitirmos que "na vida há algo mais que o dinheiro; além do Produto Interno Bruto devemos nos concentrar nos indicadores de bem-estar geral". Cameron quis salientar assim a necessidade de ações públicas que reforcem "a beleza de nosso ambiente, a qualidade de nossa cultura, e acima de tudo a força de nossas relações". O que pode parecer uma colocação paradoxal. Desde logo, porque é incomum que a política contemporânea pretenda entrar em assuntos privados, segundo afirma José Luis Ayllón, secretário de comunicação do Partido Popular especial. Ramón Jáuregui, deputado do Partido Socialista, concorda: "A política deve criar uma base de bem-estar, ajudar na convivência e a encontrar um equilíbrio entre liberdade e segurança. Essa é a sua base. Quando quer ir além, é preciso ser muito prudente. Esse é o caso da reivindicação da felicidade, algo muito pessoal, como aspiração política".

No entanto, a maioria dos programas partidários está tentando adequar suas respostas a mudanças sociais de grande profundidade, e que cada vez mais se referem a fatores intangíveis, a atitudes privadas que passam a ser objeto de ações públicas. É o caso da incerteza. No pessoal, como indica Concepciò Garriga, psicoterapeuta psicanalítica, "a insegurança faz parte de nossa realidade cotidiana e tentamos limitá-la onde podemos e com as ferramentas de que dispomos. E isso mesmo sabendo que é impossível ter tudo sob controle". No campo político, enfrentar essas novas situações foi parte central das propostas ideológicas dos últimos tempos. Segundo Ayllón, "ninguém mais espera entrar para uma empresa aos 18 anos e se aposentar na mesma aos 65. Hoje o futuro começa a cada dia e isso obriga a novos desafios. Por isso promovemos a reforma permanente, a necessidade de dinamismo; não podemos esperar que as oportunidades passem pela porta de casa; é preciso ir buscá-las".

Nessa ordem, o preparo é uma boa metáfora do que deve ser a vida contemporânea. "É preciso ter uma formação mínima indispensável, que deve ser complementada com a necessidade permanente de aumentar os conhecimentos ao longo da vida; se for possível ter duas profissões, é melhor que uma, e dominar três idiomas é melhor que dois". Nessas lições de casa também estão metidos os partidos políticos, segundo Ayllón. "Precisamos ser muito rápidos: as pessoas pedem que se esteja um passo à frente do que acontece e que se busquem fórmulas para ajudá-las em um ambiente confuso, no qual está havendo uma mudança brutal. Antes vivíamos uma mudança tecnológica a cada geração; agora ocorre a cada mês. De modo que, se você se torna conservador por dez minutos na sociedade atual, está perdido; é preciso estar sempre fazendo reformas, que é o que lhe permitirá se encontrar na posição de aproveitar as oportunidades que se apresentem".

Pressão contínua

Nesse mundo de pressão contínua, é básico, segundo Garriga, "saber reconhecer a própria responsabilidade nas trajetórias que se constroem, saber discriminar bem de que se depende para poder desenvolver-se. Quando se sabe afinar bem as próprias forças e capacidades, há menos possibilidades de frustração". E em boa medida essa perspectiva psicológica constrói muitas das visões políticas do presente. É o caso do "socialismo do século 21", como aponta Ramón Jáuregui: "Estamos ampliando os direitos, desde a agilização do divórcio até os novos casamentos, passando pelo reconhecimento dos indivíduos submetidos às oscilações do mercado, como os autônomos forçados ou dependentes. Mas isso não pode ser discutido sem levar em conta seu corolário: a ampliação da responsabilidade. A cidadania precisa ser responsável, e para isso é preciso carregá-la de deveres, deve haver prêmios e castigos. Essa é a base de uma cidadania informada, madura, capaz e responsável".

No entanto, além da configuração de propostas programáticas, não parece que a felicidade seja um assunto que possa ter incidência eleitoral. Exceto que, como indica Marcos Magaña, sócio-diretor da empresa de comunicação No Line, "se saiba traduzir aspectos próximos. É o velho problema do macro e do micro. Assim como os indicadores de um país não interessam muito às pessoas se não lhes mostrarmos que as afetam, a referência à felicidade só poderá ser útil se o eleitor perceber essas idéias como algo próximo, que afeta sua vida cotidiana". Mas com uma precaução: "É verdade que quanto mais bem-estar existe mais medidas se oferecem, que quanto mais passos dá uma sociedade mais sofisticadas são as propostas oferecidas. Mas o que as pessoas querem é que os políticos solucionem os problemas essenciais, e não costumam suportar muito bem que comecem a regular sua vida privada".


segunda-feira, 8 de outubro de 2007

“Quer namorar comigo?”... via internet!!

Por Kleber Godoy

Os avanços tecnológicos proporcionados pelo capitalismo e pela sociedade pós-moderna ajudaram o ser humano a transpor barreiras, principalmente em termos de tempo e espaço. Estou aqui em meu computador escrevendo um texto para o meu site e em instantes qualquer pessoa do mundo poderá ler o que escrevi. Realmente fantástico se pensarmos pelo ângulo da mente de nossos avós. Mas tudo isso gera novas formas de se criar vínculos entre as pessoas e então vem a pergunta: até onde isso é sadio?

Os textos abaixo mostram dois interessantes casos reais, recentes, que foram facilitados pela Internet, ambos com um teor trágico. Mas para contrastar com elas posso falar da minha própria vida e dizer que não é a mudança que a tecnologia proporcionou que comanda as nossas vidas, mas sim como nós fazemos uso destas novas formas de se criar vínculos. Para mim, a internet, se bem utilizada é um instrumento fantástico de interação e comunicação. Logo, falando em termos de pesquisa científica, em todas as áreas, hoje é possível a produção de pesquisas científicas com muito mais rapidez que antes, mesmo porque há como se pesquisar referências de produções já feitas no mundo todo em segundos através de ferramentas como o http://www.google.com.br/, assim como a comunicação entre pesquisadores se tornou mais rápido e com baixíssimo custo, haja vista os e-mails que substituem, nesse caso, o telefone.

Enfim, as argumentações são inúmeras e mostram que é o uso que se faz de tal ferramenta é que vai dizer o que vai dar no final da história. E nas relações afetivas, me expondo um pouco (risos), o que posso falar? Bem, falar que conheci meu namorado pela internet e que esse encontro já tem vários anos é mais que uma ilustração positiva do bom uso da informática, não? Isso sem falar em meus amigos, conhecido por meio da virtualidade, mas com um afeto puramente humano.

Enfim, vamos aos textos ilustrativos e, ao final destes, faço algumas considerações. Ambas as notícias foram retiradas do Portal Terra (http://www.terra.com.br/).

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Casal descobre ser amante um do outro na web e se divorcia

Um casal bósnio está se divorciando, depois de descobrir que um traía o outro em chats na Internet. Detalhe: eles começaram o relacionamento virtual usando pseudônimos, e só descobriram a verdade quando combinaram um encontro real com os "novos parceiros".

Sana Klaric, 27 anos, e seu marido Adnan, 32, usavam os nomes de "Sweetie" e "Prince of Joy" em salas de bate-papo. Conheceram-se e iniciaram uma relação, confidenciando-se mutuamente os problemas que tinham em seu casamento. Os dois, de acordo com reportagem publicada no site Metro.co.uk, estavam convencidos de terem finalmente encontrado sua alma gêmea.

Então, resolveram marcar um encontro real para se conhecerem e descobriram a verdade. Agora, o par está em processo de divórcio, e um acusa o outro de ter sido infiel.

"De repente, eu estava apaixonada, era maravilhoso, parecia que ambos estávamos amarrados no mesmo tipo de casamento infeliz", contou Sana. "Depois, me senti tão traída", disse.

Adnan, continua sem poder acreditar no que aconteceu. "É difícil pensar que Sweetie, que escreveu coisas tão maravilhosas para mim, é na verdade a mesma mulher com quem me casei e que, por anos, não foi capaz de me dizer uma única palavra agradável".

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Homem perde R$ 65 mil em sites de namoro

Um homem perdeu 16 mil libras, cerca de R$ 65 mil, depois de enviar o dinheiro para mulheres que conheceu via Internet e que nunca apareceram. David Hodkinson, de Margate, Kent, na Inglaterra, colocou seu perfil em um site de namoro e foi chamado por uma russa chamada Natalia, de acordo com a vunet.

Hodkinson enviou 10 mil libras para que a mulher pudesse obter um visto e comprasse passagens para encontrá-lo na Inglaterra. Depois de receber uma série de datas de chegada, ele fez quatro viagens a Heathrow para encontrá-la. "Não sinto raiva no coração. Eu realmente a amava", disse Hodkinson à BBC.

Hodkinson depois tentou um outro site de namoro, para cristãos, e começou a conversar com uma senegalesa. Ele enviou 6 mil libras para ela, mas essa mulher também nunca apareceu.

O inglês pegou dinheiro emprestado de sua mãe, já idosa, e fez uma segunda hipoteca de sua casa para conseguir dinheiro e enviar para as mulheres. Sua mãe, agora, está fazendo um empréstimo para livrar o filho das dívidas. "Eu falei para ele deixar de ir a Heathrow. Eu sabia no meu coração que elas nunca apareceriam, mas ele não me escutava", declarou a senhora.
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Novas formas de comunicação, sites de relacionamento como o http://www.orkut.com/ e uma imensidade de sites que abarcam desde desenhos animados até sexo, legalidades e ilegalidades. Pode-se namorar, pode-se fazer compras sem sair de casa e pode-se até mesmo fazer sexo... pela internet (algo até mais seguro quando se fala em saúde, não é mesmo? - Risos...).

Mas quem continua mandando nisso tudo é o próprio homem.

No primeiro texto, acho que a conotação dada pode ser positiva visto que o casal poderia ficar junto (o que vocês acham?), já que o as coisas não iam muito bem entre eles e voltaram a se apaixonar.

"É difícil pensar que Sweetie, que escreveu coisas tão maravilhosas para mim, é na verdade a mesma mulher com quem me casei e que, por anos, não foi capaz de me dizer uma única palavra agradável".

Eu achei lindo, mesmo porque é essencial esse “reapaixonar-se” diário, aceitando as falhas do outro e aceitando as próprias falhas, se humanizando e humanizando o outro, aproiveitando estas angústias para o crescimento interno e do vínculo afetivo que existe. Winnicott nos ensina muito sobre estas aceitações. Mas... sem muitas considerações sobre isso. A psicanálise adoraria trabalhar este caso!! (risos)

Eles viviam as mesmas angústias, mas não havia comunicação. Até minha mãe que não é psicanalista disse: “eles se identificaram...”.

O segundo texto. Magnífico... "Não sinto raiva no coração. Eu realmente a amava". Nem sei o que comentar!! Sobre carência afetiva no mundo atual? Sobre como a internet dá uma ilusão de que há mais proximidade entre as pessoas? Ou em como a internet REALMENTE aproxima as pessoas? Sobre os novos sintomas que são proporcionados pela comunicação virtual? Em como as pessoas se sentem menos sozinhas sabendo que tem o mundo todo ali no seu quarto e é só conectar à internet para entrar em contato com todas essas pessoas? Pense você...

Encerro hoje com um suspiro... foi ótEEEEmo para mim estar aqui e escrever, falar sobre esse assunto. Foi bom pra você??

quinta-feira, 4 de outubro de 2007

O Voar do pássaro

Por Kleber Godoy

“Segundo Fontoura (1970, Pag 02) toda criança tem a necessidade de ser ativa como o pássaro tem a necessidade de voar. Dizer para a criança "não seja ativa!" é o mesmo que dizer para o pássaro "não voe!", assim sendo, o papel da psicologia escolar é propiciar ao máximo o desenvolvimento da personalidade, criatividade e da percepção da criança, em um ambiente capaz de despertar todos estes fatores.”

O trabalho abaixo consta do nome dos autores. Achei um trabalho muito interessante, apesar de não conhecer muito ou até mesmo não me identificar tanto com a psicologia escolar, por enquanto. Mas sou um curioso e acho interessante o processo de aprendizagem e o papel do professor no desenvolvimento infantil. Mesmo porque a psicologia da aprendizagem está diretamente conectada com a psicologia do desenvolvimento. Bem, parece um texto mais “profissional”, mas espero que também possa ser agradável e útil a mães e... enfim... todos os leitores. Afinal, este tipo de texto deve se referir mesmo à realidade.

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SE VOCÊ BRINCA, EU TAMBÉM BRINCO!
Fonte: http://www.faesi.com.br/ - autorizado pelas autoras do trabalho

RESUMO: Este artigo aborda o “brincar” como instrumento de ensino e aprendizagem, visando um desenvolvimento global abrangendo aspectos, físicos, cognitivos e afetivos. No brincar esta presente o uso da abstração e da construção, que leva a criança a conceber um mundo seu, repleto de simbolismos e significados, se engana quem pensa que as crianças estão apenas se divertindo neste momento. O brincar e o brinquedo propriamente dito correspondem na verdade umas das necessidades da vida social. A criança brinca do modo que a convém livre de regras e princípios, e assim ela revive situações, exprime sentimentos e aflições assim como seus desejos. O brincar proporciona motivação, prazer e felicidade, conseqüentemente a criança aprende e desenvolve suas habilidades. Por ser o brinquedo um instrumento com funções definidas ou não, o brincar (ação com o brinquedo) destaca-se por construir uma relação direta no desenvolvimento da criança. Assim, diante da complexidade e da importância do brinquedo, foi feito um levantamento frente às possibilidades que a brincadeira desencadeia para a construção e reconstrução de conhecimentos, contribuindo diretamente com a práxis do professor no processo de ensino e aprendizagem.

PALAVRAS-CHAVE – brincar; professor; criança; educação infantil; aprendizagem.

Considerações iniciais: O brincar, na Educação Infantil, possui um papel fundamental na conquista da autonomia e aprendizagem da criança. É por meio das brincadeiras que ela cria um mundo imaginário repleto de significados, podendo expressar suas angústias e desejos, compreendendo um pouco mais sobre o meio em que está inserida. De acordo com PAGANI (2003, p. 12), “toda criança brinca porque gosta. Para as que ainda não falam, brincar é uma forma de expressar o que estão sentindo, suas experiências e vivências interiores. Brincar, para a criança é tão vital quanto comer e dormir”. Além de estar fazendo algo que gosta, entrando em um mundo imaginário e de faz de conta, a criança vai explorando o mundo e suas vivências, compreendendo e dominando seus significados. Em outras palavras, está desenvolvendo sua oralidade, percepção espacial, afetividade e socialização. Considerando as possibilidades educativas que envolvem o brincar, podemos direcionar objetivos em relação a aspectos psicológicos, a interação, socialização, preconceitos, lideranças e personalidades. O desafio de pesquisar as diferentes formas de utilizar o brinquedo como instrumento de ensino visando uma aprendizagem lúdica na Educação Infantil teve como sujeitos envolvidos a turma do maternal, de idades que variam de dois a três anos, do Centro de Educação Infantil Carolina Barela. Abordaremos neste artigo a importância de utilizarmos o brinquedo em sala de aula, pois, assim, as crianças aprenderão, brincando. Atividades dinâmicas de motivação, a utilização de jogos pedagógicos, bem como os momentos de socialização e afetividade oportunizarão a aprendizagem por meio de um mundo imaginário, mundo do “faz de conta”. A pesquisa que realizamos foi bibliográfica e de estudo de caso. Utilizamos os métodos observacionais e dialético para abranger o registro das situações vivenciadas na sala de aula que observamos. Partimos do princípio de que a pesquisa estava situada no âmbito de um estudo qualitativo, sob uma perspectiva explicativa. Os registros das observações foram feitos no diário de campo, bem como as entrevistas com a professora regente da turma. Acreditamos que a pesquisa resultou na vivência de uma prática embasada na teoria, e principalmente na possibilidade de proporcionar as crianças atividades motivadoras, saudáveis, abrangendo os aspectos afetivos e cognitivos, facilitando o contato entre professor e aluno.

Brincar, cuidar e educar: Sabemos que a criança que brinca desenvolve sua oralidade, sua capacidade de associar, sua percepção espacial, a afetividade, a socialização, enfim, sua visão e compreensão de mundo. Isso é maravilhoso! Acreditamos que se permitirmos às crianças que brinquem e se expressem através de jogos e brincadeiras, estaremos nos permitindo novas práticas e formas de avaliação, principalmente de estivermos mais próximos e íntimos dos desejos de nossos alunos. É possível a todo ser humano construir o seu saber, brincando. Já fomos crianças e é muito bom lembrar da infância, das brincadeiras e das descobertas feitas através das mesmas. A brincadeira é o caminho para que a criança possa viver sua infância de forma plena e intensa. De acordo com GARCIA & MARQUES (1990, p. 11) “a infância é a idade das brincadeiras. Por meio delas, as crianças satisfazem grande parte de seus desejos e interesses particulares. O aprendizado da brincadeira pela criança, propicia a liberação de energias, a expansão da criatividade, fortalece a sociabilidade e estimula a liberdade do desempenho”. Permitir que às crianças a brincadeira é garantir seu pleno e sadio desenvolvimento em todos os aspectos: cognitivos e afetivos. É a maneira mais completa de motivar, de manter a concentração e de aprender sempre mais com as descobertas. Em toda instituição de Educação Infantil existe a responsabilidade de cuidar/educar as crianças pequenas, representando um desafio para as mesmas. Por ser um ambiente diferente do que ela está habituada a conviver, a escola precisa ser um local agradável, que propicie prazer e segurança para que possa interagir e criar confiança e autonomia. Não há como desvincular o ato de cuidar do de educar, pois ambos estão intimamente relacionados e andam lado a lado. Com a criança pequena, este educar não pode ser feito de qualquer jeito. O educar precisa fazer parte do seu mundo, ou seja, um mundo cheio de fantasias e imaginação. Portanto, a educação, neste contexto, nada mais é do que brincar de descobrir relações estruturando a realidade, socializando-se e trocando experiências. O papel das instituições infantis está bem à frente do paradigma de apenas cuidar. Hoje, o papel da educação infantil é visto como a base da formação do indivíduo, desenvolvendo as habilidades que ele carregará pela vida inteira. Dito de outra forma, desenvolver as habilidades de se expressar de diferentes maneiras, de resolver problemas, de assumir diferentes papéis, de usar a criatividade e a imaginação em situações de conflitos, de ser crítico e construtor de seu conhecimento. Segundo GARCIA & MARQUES (1990, p. 11) “a infância é a idade das brincadeiras. Por meio delas, as crianças satisfazem grande parte de seus desejos e interesses particulares. O aprendizado da brincadeira, pela criança, propicia a liberação de energias, a expansão da criatividade, fortalece a sociabilidade e estimula a liberdade do desempenho”. Levando em consideração o que foi citado pelos autores, podemos refletir sobre a maneira como “o brincar” é indispensável no desenvolvimento cognitivo e afetivo da criança. O ato de educar se dá a medida em que são estabelecidas as relações entre a realidade vivida e o que está sendo representado (o faz de conta). Em todo o processo descrito acima, o educar serve como mediador indicando e esclarecendo dúvidas e expectativas. Segundo CAMPOS (1994, p. 11) “a educação de crianças pequenas inclui todas as atividades ligadas à proteção e ao apoio necessários ao cotidiano de qualquer criança, como também a aquisição de diversos tipos de habilidades, entre as quais estão aquelas necessárias ao desenvolvimento cognitivo e social”. Precisamos quebrar os tabus sobre as instituições de educação Infantil, reconhecendo a importância de três aspectos básicos: cuidar, educar e brincar! É direito de toda criança ter acesso a uma educação que lhe proporcione segurança, bem estar e que amplie seu conhecimento de mundo, garantindo-lhe uma formação global e uma infância mais feliz.

O brincar e o desenvolvimento da aprendizagem: As crianças costumam dedicar grande parte de seu tempo às brincadeiras. É brincando que se constituem enquanto indivíduos conquistam suas primeiras relações com o mundo exterior e entram em contato com os objetos, permitindo-lhes várias possibilidades de expressão e criação. Para VYGOTSKY (1989, p. 35) “o brincar é o caminho pelo qual a criança compreende o mundo em que vive e que será chamada a mudar. A essência do brincar é a criação de uma nova relação entre o campo do significado e o campo da percepção”. Através da brincadeira a criança desenvolve uma série de habilidades. Ela passa a compreender o mundo que a rodeia, dando-o significados e interpretando-o de maneira particular. A criança que brinca estará desenvolvendo sua linguagem oral, sua interpretação e associação, assim como as habilidades auditivas e sociais. Ela começa a adquirir motivação, habilidades e atitudes para sua sociabilidade e autonomia. Para KISHIMOTO (1996, p. 44) “as brincadeiras permitem que a criança desenvolva capacidades importantes, tais como a atenção, a imitação, a memória, a imaginação, além de favorecer a socialização, por meio da interação, da utilização e da experimentação de regras e papéis sociais”. O brincar cria oportunidades para que as crianças possam experimentar o mundo e internalizar uma compreensão particular sobre as pessoas, os sentimentos, os acontecimentos e sobre si mesma. É o canal de expressão da linguagem verbal, das experiências vividas e da interpretação da realidade. Através da brincadeira a criança explora os objetos a sua volta, tem noções de tamanho, de cor, de textura, de quantidade, de espaço, de esquema corporal, bem como simboliza seus desejos e aptidões revelando angústias e superando bloqueios. Em síntese, o ato de brincar desenvolve habilidades de forma natural e agradável, proporciona a aquisição de novos conhecimentos, é estimulante e desenvolve as partes motoras, sociais, emocionais e cognitivas das crianças. O ato de brincar inclui jogos, brincadeiras e o "brinquedo" propriamente dito. Por isso, vamos brincar e deixar as crianças brincarem, pois brincando elas estão aprendendo e são mais felizes!

O papel do professor e o brincar: O professor, no seu papel de mediador, deve proporcionar situações em que as crianças possam desenvolver suas habilidades. Para isso, ele precisa saber o quer atingir, qual é seu objetivo perante a turma de alunos com que vai trabalhar. Muitas vezes, encontramos professores que vêem o brincar de forma equivocada, encaram este somente como recreação, sem um planejamento que integre essa atividade com as demais. Segundo SABINI & LUCENA (2004, p. 7) “uma abordagem teórica considera a criança como um organismo que cresce quase como uma planta, com a implicação de que contém, em si, a semente do adulto. Nesse caso, a tarefa dos pais e dos professores consiste apenas em fornecer o meio adequado para que essa semente possa florescer”. Apesar da riqueza de oportunidades de aprendizagem que as brincadeiras propiciam, o professor não pode pensar que a construção do conhecimento que a criança apresentará será a mesma desejada por ele. E, é nesse momento, que ele deve assumir a função de orientador, intervindo e conduzindo o pensamento e a aprendizagem de seus alunos. O papel do professor é proporcionar instrumentos e um espaço adequado (lúdico) onde a construção do conhecimento seja possível. Só será possível ao professor abrir espaço para o brincar e aprender de seus alunos, quando ele conseguir fazer consigo mesmo o que faz com seus alunos, ou seja, quando conseguir entrar no mundo fantástico do lúdico e brincar, juntamente com seus alunos, construindo o saber. O professor pode utilizar o momento da brincadeira para investigar seus alunos, prestando atenção às maneiras como as crianças organizam suas brincadeiras, escolhem os papéis que vão representar, dos gestos e palavras que vão desenvolver, quais os materiais que vão utilizar para montar a casa, o supermercado, entre outros, etc. Assim, poderá interagir com a criança representando um personagem mediando informações para que as crianças possam refletir e construir seu conhecimento. É importante a observação do adulto diante das situações vividas pela criança. Ele precisa estar disposto a conversar, intermediar e levantar problemas para que as crianças exercitem suas habilidades de criar hipóteses, refletir e construir conhecimentos. É preciso que o educador esteja atento às falas, gestos, escolhas, atitudes e produções das crianças. O professor, por sua vez, estará servindo de intermediário e colaborador, tornando seu trabalho mais completo e tendo uma visão mais ampla sobre cada um de seus alunos. Assim, poderá preparar situações pedagógicas diversas de acordo com as necessidades da turma, além de colaborar com uma infância de descobertas, alegria e superação.

Materiais e métodos: Para alcançar os objetivos propostos na pesquisa utilizamos o método observacional, pois é dinâmico e interpreta a realidade, sendo um dos métodos mais utilizados nas Ciências Sociais. Outro método científico utilizado foi o dialético, já que trata-se de um método de investigação da realidade pelo estudo de sua ação recíproca, ou seja, busca retratar a realidade de forma completa e profunda. A pesquisa foi embasada no materialismo histórico-dialético, sendo que os dados coletados jamais podem estar fora da realidade, pois é preciso levar em consideração o contexto social, político e econômico que os sujeitos pesquisados vivem. A pesquisa foi de caráter explicativo, pois visou explicar a razão dos fatos observados, de forma detalhada, objetiva e clara para atingirmos melhores resultados. Segundo ANDRADE (1999, p. 107), “esse é um tipo de pesquisa mais complexo, pois, além de registrar, analisar e interpretar os fenômenos estudados procura identificar seus fatores determinantes, ou seja, suas causas”. O problema de pesquisa foi abordado de forma qualitativa, pois considerou que há uma relação dinâmica entre o mundo real e os sujeitos da pesquisa. Esses estudos favorecem uma pesquisa mais ampla e completa, em que aparecem as tarefas da formulação clara do problema e das hipóteses como tentativas de solução. Os procedimentos técnicos utilizados foram a pesquisa bibliográfica e o estudo de caso. Segundo LÜDKE & ANDRÉ (1986, p. 17), o estudo de caso é o estudo de um caso, seja ele simples e específico, (...) ou complexo e abstrato. (...) O caso é sempre bem delimitado, devendo ter seus contornos claramente definidos no desenrolar do estudo. O caso pode ser similar a outros, mas é ao mesmo tempo distinto, pois tem um interesse próprio, singular. Segundo Goode e Hatt (1968), o caso se destaca por se constituir numa unidade dentro de um sistema mais amplo. O interesse, portanto, incide naquilo que ele tem de único, de particular, mesmo que posteriormente venham a ficar evidentes certas semelhanças com outros casos ou situações. Quando queremos estudar algo singular, que tenha um valor em si mesmo, devemos escolher o estudo de caso. Utilizaremos os seguintes instrumentos para coletar os dados da pesquisa: observação (assistemática, participante, individual e na vida real, pois os fatos foram observados em ambiente natural). O diário de campo foi utilizado para anotar as observações realizadas, bem como os dados obtidos a partir da entrevista feita com a professora regente da turma. Estas anotações serviram de base para as análises e interpretações dos resultados da pesquisa.

Vivenciando a prática pedagógica na Educação Infantil: Nossa pesquisa de cunho prático foi realizada com a turma do maternal no dia 31 de março de 2005, no Centro de Educação Carolina Barela, no Município de São Miguel do Iguaçu. Para a elaboração da aula, pedimos a sugestão da professora regente da turma do Maternal, que nos sugeriu que trabalhássemos os sentidos das crianças, dando ênfase ao olfato. Iniciamos nossa aula, com o filme do Chapeuzinho Vermelho, para que as crianças observassem os olhos bem grandes, a boca, o nariz do lobo etc. Em seguida foram distribuídos bonecos, onde as crianças tinham que apontar onde ficava o nariz, o olho, a orelha, a boca da boneca, e tocassem em si mesmos. Cantamos também a música dos sentidos e fizemos a dinâmica dos cheiros; onde passamos perfume nas crianças, depois passamos pó de café, casca de laranja, entre outros, perto do nariz para que sentissem os aromas e por ultimo oferecemos mel e suco de limão para que provassem e sentisse o sabor e a diferença entre o doce e o azedo. As crianças tiveram dificuldades para se concentrar no filme, porém nas outras atividades mostraram-se muito animadas e participativas principalmente na atividade com os brinquedos e ao cantarem a música. Concluímos então que as brincadeiras e tudo que é voltado para o lúdico, trazem mais motivação para a criança aprender, e surte muito efeito no que diz respeito à aprendizagem, foi então que resolvemos abordar o tema “brincar” como instrumento de ensino aprendizagem, pois conhecemos e vivenciamos na prática as maravilhas que a ludicidade oferece na Educação Infantil.

Considerações finais: Diante de todas as possibilidades que a brincadeira e o lúdico trazem para o processo de aprendizagem das crianças, acreditamos que essa é a forma mais saudável e motivadora para garantirmos um desenvolvimento global da criança, abrangendo os aspectos afetivos e cognitivos. Brincar é proporcionar ao educador o estabelecimento de um contato mais próximo com seus alunos, garantindo o sucesso em suas atividades pedagógicas, formando crianças mais felizes e compreensivas, capazes de refletir, criticar e transformar o mundo. Ficamos convencidas que o brinquedo é ótimo e eficaz como instrumento de aprendizagem trazendo inúmeras possibilidades e direcionamentos. Atingimos nossos objetivos e reconhecemos o quanto o brincar é importante e necessário para um desenvolvimento global, abrangendo aspectos físicos, cognitivos e afetivos da criança. É um modo de motivar, socializar, refletir e construir conhecimento. As atividades práticas, a música, as brincadeiras de roda, os jogos pedagógicos, são ferramentas eficazes no que diz respeito ao desenvolvimento da aprendizagem.

TCC – UNIGUAÇU – Paraná
Cíntia Maria Basso dos Santos
Greice Aparecida de Rosso
Janete Tonello Marques
Paula Cristina Chimim
Rosnete Maria Hübler Costa

REFERÊNCIAS

ANTUNES, Celso. O jogo e a educação infantil: falar e dizer, olhar e ver, escutar e
ouvir
. Rio de Janeiro: Vozes, 2003.

CRAIDY, Carmem Maria. O educador de todos os dias: convivendo com crianças de
0 a 6 anos
. 3. ed. Porto Alegre: Mediação, 2001.

MALUF, Ângela Cristina Munhoz. Brincar: prazer e aprendizado. 3. ed. Petrópolis, RJ: Vozes, 2003.

REDIN, Euclides. O espaço e o tempo da criança: se der tempo a gente brinca.4. ed. Porto Alegre: Mediação, 2003.

SABINI, Maria Aparecida Cória; LUCENA, Regina Ferreira. Jogos e brincadeiras na Educação Infantil. Rio de Janeiro: Papirus, 2004.

OBRAS CONSULTADAS

RODRIGUES, José Vicente Corrêa. Normas para apresentação de trabalhos acadêmicos da Uniguaçu. 2. ed. rev. e ampl. São Miguel do Iguaçu: Ed. UNIGUAÇU, 2004.

segunda-feira, 1 de outubro de 2007

A morte em vida e o resgate da possibilidade de ser amado

Por Ana Paula Porto Noronha

Nos últimos dias vários acontecimentos sobre o abandono de bebês rondaram a mídia. Embora tenha havido diversidade no que respeita ao local e à região do país, a crueldade e a incompreensão estão presentes em todas as notícias. São bebês recém-nascidos, sem nenhuma possibilidade de defesa da própria vida, largados à própria sorte. Paradoxalmente, as listas de adoção em todo o país são imensas e os processos têm sido angustiantes para aqueles que desejam experimentar a maternidade/paternidade. A seguir, algumas reportagens da Folha Online foram retratados (www1.folha.uol.com.br).

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“Uma menina recém-nascida foi resgatada com vida de dentro do rio Arrudas, na tarde deste domingo, em Contagem (MG). O caso é investigado. De acordo com a Polícia Militar, a criança foi encontrada boiando por um rapaz de 22 anos. Ele tirou a menina da água, a enrolou em um cobertor e a levou para um hospital da região. Segundo informações do Hospital da Criança São José, a menina chegou sofrendo paradas cardiorrespiratórias em seqüência e, por fim, foi reanimada. Em estado estável e acordada, ela foi transferida para o Hospital Municipal de Contagem, onde permanecerá em observação no CTI neonatal. Como a menina ainda tinha cordão umbilical e estava presa à placenta quando chegou ao hospital, a suspeita é a de que ela tenha nascido hoje. Os pais estão sendo procurados”.

“Policiais localizaram nesta sexta-feira a mãe de um recém-nascido abandonado em uma mata no município de Camaragibe (PE). O bebê passou aproximadamente 24 horas na floresta e foi encontrado ontem (20) por dois lenhadores. Ele permanece internado. A mãe, de 39 anos, foi localizada em um hospital, onde procurou atendimento após o parto. Segundo o delegado Darlison Freire de Macedo, da Delegacia de Crimes Contra a Criança e o Adolescente, o recém-nascido foi encontrado nu, envolto em placenta e apresentava picadas de formigas por todo o corpo. ´Por sorte, dois lenhadores viram criança no dia seguinte [do nascimento]´, disse o delegado. Macedo afirma que a mãe confessou o crime e disse não ter condições de cuidar da criança. Ela deverá responder por tentativa de infanticídio. Funcionários do hospital disseram ao delegado que o bebê já está fora de perigo, mas ainda inspira cuidados. A criança, que inicialmente recebeu o nome de Renato poderá ser colocada à adoção, de acordo com o delegado. A mãe, que recebeu alta médica, será encaminhada a um presídio”.

“Uma menina recém-nascida foi encontrada abandonada debaixo de um carro, na rua Monsenhor Manoel Gomes, no Caju (zona portuária do Rio), na tarde de ontem (8). De acordo com a Polícia Civil, o bebê foi encontrado por um morador da região. Ele estava coberto apenas por uma manta. O bebê foi levado para o Instituto Municipal da Mulher Fernando Magalhães, em São Cristóvão, e passa bem. Ele deverá ser colocado sob os cuidados do Conselho Tutelar. O caso é investigado. Os policiais da 17ª DP (São Cristóvão) tentarão, agora, identificar os pais da criança e descobrir as circunstâncias em que ela foi abandonada”.

“A Polícia Militar localizou na madrugada desta terça-feira um bebê de aproximadamente três meses abandonado no chão da rua Porto Seguro, no bairro da Luz (região central de São Paulo). A criança estava com pouca proteção para o frio que fazia na madrugada e foi levada pelos policiais militares até o hospital infantil Cândido Fontoura. Segundo a PM, por volta das 6h30, uma mulher entrou em contato com o atendimento 190 para informar que havia deixado seu filho com uma moça desconhecida para ir à bilheteria da estação da Luz e, ao voltar, viu que a mulher havia desaparecido com a criança. Como havia relação entre as informações prestadas pela mulher e as características do bebê localizado, ela foi encaminhada até o 12º Distrito Policial (Pari), onde foi registrado o boletim de ocorrência. De acordo com a SSP (Secretaria de Segurança Pública), a mãe foi indiciada por abandono de incapaz. Segundo a Polícia Civil, ela afirmou que deixou o bebê por volta das 23h de segunda-feira (2) e que começou a procurar pela criança somente por volta das 3h. A criança permanece no hospital. A SSP informou que a Vara de Infância e Juventude deve decidir se o bebê deverá ficar ou não com a mãe”.

“Duas irmãs de 9 e 13 anos de idade encontraram uma menina com aproximadamente dois dias de vida abandonada em um terreno baldio, na manhã de terça-feira (28), em Chapecó (SC). O bebê passa bem. De acordo com a Polícia Militar, as irmãs passavam pelo terreno baldio com direção à escola quando ouviram ruídos feitos pela menina e a encontraram. Ela estava enrolada em roupas de adulto, dentro de uma caixa de sapatos. Em casa, o pai das duas irmãs acionou a PM. O bebê foi levado a um hospital da região e colocado sob os cuidados do Conselho Tutelar. O caso é investigado”.

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Como se vê, de comum em todas as histórias aqui contadas, e em tantas outras ao longo da história da humanidade, parece ser necessário o olhar mais atento e abrangente, a fim de se compreender e se chegar a soluções eficientes, que envolvam aspectos sociais, éticos, jurídicos, psicológicos, filosóficos, dentre outros. Há um trabalho social nesta direção, coordenado por ONG´s e às vezes pela iniciativa privada. Gostaria de destacar, a título informativo, um site que traz informações preciosas sobre o tema (http://www.tj.rj.gov.br/infan_ju/1vara/adocao/adocao.htm).

O que é adoção?

A adoção é precipuamente um ato de amor. Outrora tendo como escopo o interesse daqueles que queriam adotar, desde a Constituição Federal de 1988 e o Estatuto da Criança e do adolescente, de 1990, a adoção passou a ser uma medida protetiva à criança e ao adolescente. Muito mais que os interesses dos adultos envolvidos, é relevante para a lei e para o juiz que irá decidi-la se a adoção trará à criança ou adolescente a ser adotado reais vantagens para seu desenvolvimento físico, educacional, moral e espiritual. Sua finalidade é satisfazer o direito da criança e do adolescente à convivência familiar sadia, direito este previsto no artigo 227 da Constituição Federal.

A adoção importa o rompimento de todo o vínculo jurídico entre a criança ou adolescente e sua família biológica, de maneira que a mãe e o pai biológicos perdem todos os direitos e deveres em relação àquela e vice-versa (há exceção quando se adota o filho do companheiro ou cônjuge). O registro civil de nascimento original é cancelado, para a elaboração de outro, onde irá constar os nomes daqueles que adotaram, podendo-se até alterar o prenome da criança ou adolescente.

A adoção tem caráter irrevogável, ou seja, aquele vínculo jurídico com a família biológica jamais se restabelece, ainda que aqueles que adotaram vierem a falecer. Por outro lado, a adoção dá à criança ou adolescente adotado todos os direitos de um filho biológico, inclusive à herança.

O Estatuto da Criança e do Adolescente (Lei n.º 8.069/90) estabelece regras e restrições para a adoção, quais sejam:

• a idade mínima para se adotar é de 21 anos, sendo irrelevante o estado civil;

• o menor a ser adotado deve ter no máximo 18 anos de idade, salvo quando já convivia com aqueles que o adotarão, caso em que a idade limite é de 21 anos;

• o adotante (aquele que vai adotar) deve ser pelo menos 16 anos mais velho que a criança ou adolescente a ser adotado;

• os ascendentes (avós, bisavós) não podem adotar seus descendentes; irmãos também não podem;

• a adoção depende da concordância, perante o juiz e o promotor de justiça, dos pais biológicos, salvo quando forem desconhecidos ou destituídos do pátrio poder (muitas vezes se cumula, no mesmo processo, o pedido de adoção com o de destituição do pátrio poder dos pais biológicos, neste caso devendo-se comprovar que eles não zelaram pelos direitos da criança ou adolescente envolvido, de acordo com a lei);

• tratando-se de adolescente (maior de doze anos), a adoção depende de seu consentimento expresso;

• antes da sentença de adoção, a lei exige que se cumpra um estágio de convivência entre a criança ou adolescente e os adotantes, por um prazo fixado pelo juiz, o qual pode ser dispensado se a criança tiver menos de um ano de idade ou já estiver na companhia dos adotantes por tempo suficiente.