segunda-feira, 22 de outubro de 2007

Dia do Professor

Por Ana Paula Porto Noronha

Recentemente comemoramos o Dia do Professor, mais especialmente no dia 15 de outubro. De acordo com o site www.portaldafamilia.org poucos sabem como e quando surgiu este costume no Brasil. “No dia 15 de outubro de 1827 (dia consagrado à educadora Santa Tereza D’Ávila), D. Pedro I baixou um Decreto Imperial que criou o Ensino Elementar no Brasil”. De acordo com o decreto, as cidades, as vilas e os lugarejos deveriam ter suas escolas. Ainda, de acordo com ele, deveria haver a descentralização do ensino, a remuneração de professores, assim como as matérias básicas que os alunos deveriam aprender. Para a época, a idéia era inovadora e revolucionária. A primeira comemoração ao dia do professor ocorreu somente em 1947, ou seja, 120 anos após o referido decreto.

Escolhi falar deste tema, pois professora como sou, acho importante que se reflita sobre a arte e o ofício de ser educador em nosso país. Sou docente há 17 anos, sempre de ensino superior, e nem sei quantas histórias, daquelas de professor, teria para contar. Ao imaginar o tema desse texto, lembrei de algumas delas; umas muitas boas, das que fazem o peito doer de emoção, outras nem tanto. Foram muitas as pessoas que passaram pela minha vida, pelas minhas salas de aula, pelos meus olhos, de tal modo que me permito concluir que estão registradas em mim, por meio dos meus sentidos e das minhas percepções. Na verdade, talvez seja este o segredo do ofício, destinar-se a ensinar ao mesmo tempo em que se permite aprender com cada um daqueles que tiveram seus nomes nos meus diários de classe.

Ainda, no que se refere à escolha do tema, sou capaz de me lembrar do nome da minha primeira professora, bem como da emoção que sentia quando era elogiada por ela. Ainda naquele tempo, mais que hoje, o professor tinha o status de ser alguém que tinha algo a oferecer. De acordo com o Ministério da Educação, o Brasil hoje tem cerca de 1,5 milhão de professores, sendo que função deles, tal como preconizado pelo órgão, não é o de simplesmente transmitir conhecimentos, mas principalmente ensinar o aluno a estudar e a valorizar o estudo, e ao mesmo tempo, ajudá-lo a se desenvolver socialmente.

A Folha de São Paulo de hoje (22/10/2007) traz reportagem de capa da seção Cotidiano a manchete: “47% dos professores até a 4ª série não têm diploma universitário”. A reportagem na íntegra diz:

“Quase metade dos professores dos anos iniciais da educação básica não tem formação de nível superior no Brasil. Eles são responsáveis por uma das etapas mais importantes para a qualidade de toda a educação básica: a alfabetização. É também na primeira série do ensino fundamental que as taxas de repetência são mais elevadas.

Se fosse seguida à risca uma das determinações da LDB (Lei de Diretrizes e Bases) da Educação, esses profissionais teriam problemas para participar de concursos de admissão. A LDB previa que, a partir do ano que vem (2008), não poderiam mais ser contratados docentes sem nível superior concluído”.

Ainda, no que respeita à reportagem, há o depoimento de uma professora que diz: “não se contentou com a formação em nível médio e, nos últimos dez anos, conciliou seu trabalho de professora na educação infantil com o investimento em sua qualificação. Nesse período, formou-se em pedagogia, fez especialização em uso de tecnologias para a educação infantil e, finalmente, concluiu mestrado em políticas públicas com ênfase no uso da informática na educação infantil. Tanto esforço rendeu frutos neste ano, quando ela recebeu do Ministério da Educação o prêmio Professores do Brasil, que destacou 20 trabalhos de todo o país que contribuíram para melhorar a qualidade da educação no país”.

Luciene conta que o conhecimento adquirido na universidade foi fundamental para o sucesso obtido pelo projeto Figurinhas da Infância, em que os alunos da Escola Estadual de Ensino Fundamental República, em Quintino (zona oeste do Rio de Janeiro). Ela afirma, no entanto, que o trabalho do professor de séries iniciais é, muitas vezes, considerado menos importante “. Ela considera isto errado e diz:” O professor da creche precisa ser tão bem formado e valorizado quanto em de ensino médio “.

Hoje meu espírito é saudosista. Ofereço este texto à Dedé, minha primeira professora e a todos os outros que passaram e ainda passam pela minha vida. À Maria Emília, ao Roberto, à Acácia e a todas as professoras que como Luciene, nunca desistem dos sonhos possíveis. Para eles, ofereço uma maça em comemoração ao Dia dos Professores!!!

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