quarta-feira, 17 de outubro de 2007

Não reprima... o bocejo!

Por Kleber Godoy

Abaixo, publico o resultado de um estudo que achei interessante, juntamente com outros dois artigos. O neurologista Luciano Ribeiro Pinto, da Unifesp avisa: há estudos que indicam que o ato de bocejar é um dos mecanismos disparados pelo cérebro para estimular o estado de vigília. Isso se dá porque a inspiração profunda que acontece durante o bocejo aumenta a oxigenação do sangue, levando o sono para longe. E todos os animais vertebrados bocejam, isso “esfria a cabeça”... e promove o “ficar acordado”. Quem diria, não?

Um comportamento que há muito intriga os pesquisadores, agora tem uma resposta e é boa, já que se você ver alguém conversando com você e bocejando não significa mais que ela está desinteressada em seu discurso, mas sim que está fazendo esforços para se manter acordado.

E ainda em outras leituras pude colher alguns dados interessantes acerca do tema, como por exemplo, o fato de que alguns estudos têm falado sobre a esclerose múltipla, doença neurodegenerativa associada à uma termorregulação inadequada. Pacientes com esta doença bocejam muito e após estes comportamentos se sentem aliviados em seus sintomas.

________________________________
Bocejos refrescam cérebro e ajudam a acordar, diz estudo
http://noticias.uol.com.br/bbc/reporter/2007/07/04/ult4911u29.jhtm
04/07/2007

Pesquisadores americanos afirmaram que o ato de bocejar pode ser uma forma de tentar se manter acordado e não um sinal de que o sono está aumentando. Segundo os psicólogos Andrew e Gordon Gallup, da Universidade Estadual de New York em Albany, o bocejo refresca o cérebro, ajudando-o a permanecer alerta.

"Segundo nossa hipótese, ao invés de promover o sono, o bocejo é antagonista do sono", afirmou Gordon Gallup. Segundo ele, o cérebro funciona mais e de forma mais eficiente quando está frio. E o efeito "contagioso" do bocejo seria um mecanismo para ajudar um grupo de pessoas a se manter vigilante.

Filmes: Os dois cientistas recrutaram 44 estudantes universitários para assistirem, sozinhos, a filmes de pessoas bocejando e gravaram o número de bocejos dados por cada voluntário. Os estudantes receberam instruções de inspirar e expirar de uma destas quatro maneiras: apenas pela boca, apenas pelo nariz, oralmente enquanto usavam um tampão para o nariz ou apenas respirar normalmente.

Robert Provine, cientista da Universidade Maryland, em Baltimore Foi observado que 50% das pessoas que receberam instruções para respirar normalmente ou pela boca bocejaram quando assistiam imagens de bocejos. Nenhuma das pessoas que respiraram pelo nariz bocejou.Testa fria: Os pesquisadores também descobriram que os voluntários que mantiveram um pacote frio encostado na testa não bocejaram enquanto assistiam ao filme, enquanto aqueles que seguraram um pacote quente ou à temperatura ambiente contra a testa bocejaram normalmente. Vasos sanguíneos na região da cavidade nasal enviam sangue frio para o cérebro. Então, respirar pelo nariz e esfriar a testa refrescam o cérebro e eliminam a necessidade de bocejar, disse Gordon Gallup.

"Pára-quedistas relatam que bocejam antes de um salto", disse o cientista Robert Provine, da Universidade de Maryland, em Baltimore. "Bocejar sinaliza uma transição entre estados comportamentais de vivacidade e sonolência, tédio e vigilância", acrescentou.
O estudo de Andrew e Gordon Gallup foi publicado na revista especializada Evolutionary Psychology.

________________________________
Por que quando uma pessoa boceja a outra boceja também?

(Alessandra, São João de Meriti, RJ, Josemar, São Paulo, SP, Marco Antonio Rosseto, São Paulo, SP , e Roniel dos Santos, Campinas, SP)

Ainda não se sabe exatamente por que o bocejo é contagioso. Aliás, esse é um grande mistério para os estudiosos. "Existem algumas teorias para tentar explicar esse fenômeno, mas não há respostas conclusivas", diz a bióloga Débora Hipólide, do Departamento de Psicobiologia da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Segundo ela, evidências sugerem que o bocejo seria uma forma primitiva de comunicação entre indivíduos da mesma espécie, para sinalizar mudanças no ambiente. O contágio seria a maneira de afirmar o recebimento da mensagem, ao mesmo tempo em que se passa ela adiante. Essas pistas são levadas em conta em uma das principais teorias do bocejo, conhecida como "Teoria Evolucionária". Por essa tese, o bocejo era um comportamento importantíssimo para algum ancestral dos vertebrados - não se sabe qual. Naquela época, o bocão aberto serviria para alertar o grupo e sincronizar a ação, passando mensagens como "atenção, predador na área", "aí vem chuva" ou "ei, é hora de dormir". Com a evolução, as ameaças diminuíram e a comunicação melhorou, mas guardamos esse resquício primitivo, hoje sem nenhum significado especial. Não somos os únicos vertebrados que bocejam: cães, gatos e leões são alguns exemplos de animais que têm a mesma mania. Uma outra teoria sobre o fenômeno propõe que o bocão aberto possa ter a função de mostrar mudanças nas condições internas do nosso corpo. Ou seja, o bocejo teria um caráter fisiológico, usado pelo organismo como um sistema de alerta, quando a pessoa está entediada, sonolenta ou cansada. "Como nessas situações respira-se mais lentamente, à medida que o nível de gás carbônico aumenta no sangue, uma mensagem é enviada ao cérebro, pedindo mais oxigênio. O bocejo seria uma resposta à necessidade de uma respiração profunda para despertar o corpo", afirma Débora.

Quero ar!

Teoria fisiológica aponta o bocejo como uma tática do organismo para ganhar mais

1- Quando a oxigenação nos alvéolos pulmonares diminui, uma mensagem é enviada a uma região do cérebro chamada núcleo paraventricular, que fica no hipotálamo. De lá são liberados vários mensageiros químicos — os neutrotransmissores — que induzem ao bocejo e a reações simultâneas em todo o corpo

2- A boca se abre e a pessoa inspira uma grande quantidade de ar, que é enviado aos pulmões. Ao mesmo tempo, os músculos se alongam para melhorar a circulação e a taxa de batimentos cardíacos aumenta. Assim, a sensação de cansaço diminui e o corpo volta ao estado de alerta

3- O bocejo se caracteriza por ser um reflexo involuntário. É quase impossível interrompê-lo, mesmo que se queira — por isso a "contaminação" é tão grande. Estudos da Universidade Estadual de Nova York mostram que entre 40% e 60% das pessoas sentem-se contagiadas pelo bocejo alheio

Publicado na Edição 36 - 02/2005 – http://www.mundoestranho.abril.com.br/ ________________________________
Bocejo tem relação com empatia entre pessoas, diz estudo
O ato de bocejar está associado à habilidade das pessoas de demonstrar empatia entre elas e por isso seria contagioso, diz uma pesquisa feita por cientistas japoneses. A nova teoria surgiu de um estudo realizado na Universidade de Birkbeck, de Londres, com 24 crianças portadoras de transtornos autistas e 25 com "desenvolvimento típico".

Os pesquisadores observaram que crianças com autismo bocejaram menos do que as outras ao assistirem vídeos em que adultos aparecem bocejando.

Segundo os especialistas, isso aconteceria porque o bocejo “contagioso” e a empatia entre as pessoas têm mecanismos neurológicos semelhantes, e o autismo é uma desordem que afeta seriamente a interação social e o desenvolvimento da habilidade de comunicação dos indivíduos.

Sintomas do autismo

"Se o bocejo é relacionado à capacidade de transmitir empatia, então é possível que os indivíduos com autismo, cuja demonstração de empatia é prejudicada pelo problema, demonstrem os sintomas da doença ao não se contagiarem pelo bocejar dos outros", explicou o professor Atsushi Senjo, que liderou o estudo.

“Alguns especialistas em primatas e psicólogos sustentam que o bocejo contagioso funciona usando o mesmo princípio da capacidade de demonstrar empatia, mas outros psicólogos argumentam que o contágio é um simples reflexo.”

"Nossa pesquisa confirma as previsões da teoria da empatia ao revelar que indivíduos com desenvolvimento atípico do relacionamento com os outros não se contagiam pelo bocejo das outras pessoas", afirma.

Muitos animais com coluna vertebral bocejam espontaneamente, sendo que somente os humanos, chimpanzés e outras espécies de primatas sofrem de bocejo "contagioso".

Recentemente, pesquisadores americanos disseram que o efeito "contagioso" do ato de bocejar seria um mecanismo para ajudar um grupo de pessoas a se manter alerta.

Referência:
www.bbc.co.uk/portuguese/reporterbbc/story/2007/08/070817_bocejoempatia_fp.shtml

Um comentário:

Gisele disse...

MUITO BOM! PARABÉNS!